XC40: saiba como anda o novo SUV da Volvo

Modelo tem personalidade para se desprender dos irmão XC60 e XC90 e voar por conta própria. Parte de R$ 169.950

WM1 / 04/12/2017 às 11:00

Se você ficou babando pelo novo XC60, mas não tem grana para bancar a subida de preço que o carro sofreu, aqui vai uma boa notícia: um SUV menor e mais acessível da Volvo chega em meados de abril a partir de R$ 169.950 com atributos consagrados no irmão maior, só que em um tamanho reduzido. Mas só esta afirmação seria limitar demais o XC40. No teste realizado pelo WM1 em Barcelona, Espanha, ficou claro que o sueco tem bastante personalidade para peitar rivais como o Audi Q3 e o Range Rover Evoque.

Portanto, apesar das muitas semelhanças que vamos listar, esqueça o apelido de “mini-XC60”. Vale ressaltar que o XC40 inaugura uma nova plataforma, chamada CMA (Arquitetura Compacta Modular, na tradução do inglês). Por enquanto, só sabemos que ela também será dividida com o futuro SUV da chinesa Geely (dona da Volvo), que é chamado de Lynk & Co em sua versão conceitual.

Em relação ao trem de força, destaque para a transmissão Geatronic de oito velocidades que está pareada com todas as opções de motor do XC40. Estamos falando de um 2.0 de 190 cv, além de outro propulsor com o mesmo volume, porém, com calibragem para 254 cv. Na Europa, também há a oferta de um turbodiesel de 192 cv – ele não vem para nosso mercado porque o XC40 não se encaixa nas regras restritivas ao uso de propulsão a óleo.

Números de esportivo

Conhecemos o motor mais invocado, disponível nas versões Ambition e R-Design. Turbinado e com injeção direta de combustível, ele é moderno atiça o pé direto para grudar o pedal mais à direita no assoalho. Com seus 35,8 kgf.m de torque máximo entregues já aos 1.800 rpm permite com que o suvinho de somente 1.684 quilos dispare rumo aos 100 km/h em 6,5 segundos. Isso é desempenho de esportivo, meus amigos.

O número poderia ser ainda mais impressionante caso a distribuição da tração AWD fosse alterada no modo de direção Dynamic, um dos cinco disponíveis. Mas a receita é sempre a mesma: 90% de força para o eixo traseiro e 10% no dianteiro. O que pode mudar de acordo com a tocada desejada pelo motorista são o peso da direção, a rigidez da suspensão e o intervalo de trocas de marcha.

Calma, sabemos que estamos falando de um SUV familiar, então, desculpe falar demais sobre esportividade – sabe como é, né? Nós do WM1 adoramos acelerar. Mas, embora não seja um foguetinho, isso não quer dizer que o XC40 não seja uma delícia de guiar. Motor e câmbio conversam bem, fazendo com que a viagem seja linear e sem nenhum tipo de tranco. Nem percebemos a maioria dos escalonamentos.

Corrobora ainda mais com esta sensação o fato de termos uma suspensão bem ajustada. A dupla do tipo McPherson, na dianteira, e Multilink, na traseira, transmite segurança à carroceria segurança em curvas de alta velocidade. Na cidade, as imperfeições do asfalto são vencidas sem incômodos.

Mas a suspensão é só um dos pilares que fazem com que o carro transmita um ambiente de pleno conforto. O isolamento acústico deixa passar só os ruídos do rolamento para uma cabine repleta de bons materiais. Os bancos da versão topo de linha, por exemplo, são de couro e Nobuck, um tecido de toque macio, semelhante ao Alcantara. No console, desenho e cores das peças mudam de acordo com a versão. No entanto, o alumínio da parte central acaba deixando alguns vão quando encontra a central multimídia.

Chama atenção ainda o revestimento do assoalho e das portas. Ele lembra bastante o tecido encontrado em carpetes, mas na verdade é à base de um material semelhante ao poliéster, só que reciclável. Aqui, a cor também vai do gosto do cliente. A Volvo ousou e disponibilizou um chamativo tom em laranja. Há ainda quatro opções para o revestimento dos bancos, incluindo tons “cheguei!” em vermelho e caramelo, além dos mais sóbrios preto e bege.

Também há variedade de cores para a pintura externa. Que tal um azul bebê (que a Volvo chama de Amazonblue) contrastando com um teto branco? Há também outro tom mais clássico de azul com o teto preto, além de uma combinação em branco e preto. Mas se você é mais discreto, também dá para manter a pintura em só uma cor.

E se dedicamos dois parágrafos falando de cores é porque a Volvo bolou um produto mais jovem e descolado perante os elegantes XC60 e XC90. E não tem como ser diferente nesta categoria de SUVs compactos premium. É só lembrar que rivais como o Mercedes-Benz GLA e o já citado Evoque seguem a mesma linha.

Falando nos adversários, vamos usá-los como ponto de partida para você ter uma noção de tamanho do XC40. O comprimento é de 4,42 metros, apenas um centímetro atrás do X1, o maior da categoria. Mas o sueco leva a melhor em entre-eixos, com 2,70 m, ante 2,67 m do modelo alemão, o que garante bom espaço para as pernas dos ocupantes de trás. Só que o BMW mostra ser mais bem resolvido em relação ao espaço, uma vez que destina 505 litros para o porta-malas, enquanto o novato do segmento tem 420 litros.

Diferencial

Mas não tem jeito, outra vez o diferencial da Volvo ficará a cargo das tecnologias de segurança semiautônomas derivadas do XC90. A menina dos olhos, claro, é o Pilot Assist, sistema que atua na aceleração, frenagem e direção do veículo em velocidades de até 130 km/h. Graças a câmeras e radares, o carro é capaz de “ler” as condições de tráfego e a sinalização da via e fazer quase tudo sozinho.

Há ainda frenagem automática de emergência, caso o sistema detecte uma possibilidade de colisão ou a presença de animais na pista, além de alerta de ponto cego. Esses dois são itens de série em todas as versões, assim como controles de estabilidade e tração, assistente de partida em aclive e declive e faróis Full LED, que ajustam o facho de luz para não atrapalhar o motorista que trafega pelo caminho contrário.

Também são de série sensor de chuva, sensor de estacionamento traseiro, banco elétrico do motorista com ajuste lombar, lnternas em LED, ar-condicionado, controle de cruzeiro, rodas de aro 18" e os cobiçados painel de instrumentos em tela de TFT de 12,3 polegadas e a central multimídia (que parece um tablet) de 9 polegadas compatível com Android Auto e Apple CarPlay.

Preços e versões

Isso tudo já está na versão de partida de R$ 169.950. Ela é chamada informalmente de T4, mas ainda deve ganhar um nominho diferente. Já a configuração intermediária Momentum sai por R$ 189.950 e agrega ar-condicionado de duas zonas, câmera de ré, chave presencial, sistema de som de 200 W, carregamento do celular por indução, retrovisores antiofuscantes, rodas de aro 19", teto na cor branca (a gosto do cliente), grade frontal cromada, para-choques com acabamento na cor prata e cinco modos de direção (Eco, Comfort, Off-Road, Dynamic e Individual).

Por fim, a versão topo de linha R-Design (R$ 209.950) adiciona teto solar panorâmico, rodas de aro 20", teto na cor preta, escapamento integrado ao para-choque, assento do passageiro elétrico, volante com aletas, porta-malas com abertura gestual (basta passar o pé por baixo do bagageiro), Navegação PRO e as tecnologias semiautônomas já citadas. Também é atração o sistema de som Harman Kardon de 600 W. Aliás, aqui vai um detalhe interessante. Há 12 auto-falantes, mas o espaço deles foi otimizado. Nas portas laterais não há. Tudo para otimizar espaço para guardar notebooks, tablets e por aí vai.

Diante desta relação custo-benefício e dos atributos de conforto e desempenho, dá para dizer que o XC40 deve se encaixar como o carro certo para muita gente que deseja comprar um SUV premium. Ele dispõe de diversos itens de série obrigatórios para esta faixa de preço (principalmente a de R$ 170.000, na qual a concorrência dá seus vacilos) e conta com um conjunto motor e câmbio de respeito.

Mas o ponto mais importante que o SUV pode trazer é a sensação de desejo e ostentação que também são importantes no segmento. Tem tudo para ser o veículo certo na tentativa de conquistar os clientes que não olham para outra montadora que não tenha nascido na Alemanha.

Viagem a convite da Volvo Cars do Brasil.

Quando deixa um pouco de lado a carreira brilhante como piloto de Gran Turismo e Fórmula 1 (no Playstation), faz cobertura diária do setor automobilístico. Muscles cars e clássicos dos anos 1990 são as máquinas prediletas.

Matérias relacionadas