Suzuki Jimny Sport 2018

Suzuki Jimny

Marca/Modelo

R$ 67.490 / R$ 76.690

Versão Base / Versão Testada

113 Litros

Bagageiro

330 kg

Carga útil

9

Overview

Para mim, o Jimny passou de “coisa”, como mencionei no início da matéria, para um carro muito legal, me deixando a clara impressão de que é o ‘city car’ ideal para quem mora em grandes centros brasileiros como São Paulo, onde o asfalto é uma droga (para não falar outra coisa), ser compacto é uma vantagem e não ser cobiçado pelos ladrões um motivo a menos para perder o sono – é preciso ter atenção apenas com o estepe na tampa traseira, um chamariz de vagabundo.

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Teste: Suzuki Jimny 4Sport

Aceleramos o simpático jipinho (R$ 76.690) que é prático de segunda a sexta, mas vira um tratorzinho na estrada de terra

WM1 / 21/11/2017 às 17:30

A conversa começou mais ou menos assim: “Monega, é um p#%a carrinho que aguenta desaforo. Foi feito pra isso, p#%%@! Não tem requinte nem nada, o acabamento é simplão, mas certinho, e anda bem. Me divirto. Pra você ter uma ideia, em três meses já tive que fazer a revisão de 10 mil (quilômetros) de tanto que eu rodando”. Este foi o resumo que um grande amigo - jovem e talentoso jornalista automotivo da Mooca, Zona Leste de São Paulo - fez sobre seu novo Suzuki Jimny, quando eu, de maneira jocosa, perguntei se estava gostando dessa “coisa”.

Pois é, quem diria que semanas depois desta conversa, cairia no meu colo a missão de testar para o WM1 este jipinho e – contra minha vontade – concordar com cada palavra do moleque (como o chamo), após rodar quase 400 quilômetros...

Para avaliar tudo o que o Jimny oferece, a Suzuki liberou a versão topo de linha 4Sport, que em outubro, em sua linha 2018, ganhou duas mudanças pontuais: ganhou central multimídia com tela sensível ao toque, que antes era opcional, e painel de instrumentos com computador de bordo. A unidade que avaliei, no entanto, ainda era a 2017, portanto sem a central e o painel – sendo assim: “não assisti, não posso opinar” – Pires, Glória.

O Suzuki Jimny parte de R$ 67.490 na configuração 4Work. A versão por mim avaliada, a 4Sport, é a topo de linha e custa R$ 76.690

Pulo para dentro do jipinho e, mesmo antes de afivelar o cinto de segurança, ‘bato’ na chave e a ignição faz um barulho estranho. De maneira silenciosa e com pouquíssimas vibrações, o motor 1.3 16V de quatro cilindros em linha (injeção eletrônica) já trabalhava – e este que vos escreve não havia percebido. Esperava algo mais xucro – barulhento e trêmulo – mesmo para o pequeno propulsor de apenas 85 cv de potência máxima e 11,2 kgf.m de torque.

Apesar de não ter regulagens de altura ou profundidade da coluna de direção, ou sequer ajuste de altura do banco do motorista (pontos negativos), a posição ao volante particularmente me agradou – o mesmo não acontecerá para os grandalhões. Como manda o manual do jipe-raiz e não do jipe-nutella, no Jimny a posição é bastante elevada, um pouco similar à maioria destes novos utilitários esportivos compactos. O inusitado, porém, é que a sensação no Suzuki é que se está bem mais alto, pois a linha de cintura da porta é bem baixa, fazendo com que a ‘janela’ comece quase que na altura da barriga do motora. Coisas de jipe...

Engato primeira marcha e percebo imediatamente um câmbio bem justo e preciso. A alavanca alta treme um pouco, porém menos que alguns veículos de passeio. O pedal da embreagem é longo, mas firme na medida certa, mas não impede de cansar a perna no anda e para dos engarrafamentos paulistanos. Talvez não esteja nos planos da Suzuki, mas um Jimny automático, pensando naqueles ‘aventureiros do asfalto’, poderia ser uma boa pedida – não foram poucos os proprietários do jipinho que me revelaram não ter encarado uma trilha, mesmo que de leve.

A relação é bastante curta, então é preciso se acostumar com o Jimny para não ficar trocando de marcha toda hora. Primeira, segunda e terceira conseguem extrair bem o que de melhor tem este motor da Suzuki. Quarta e quinta são um pouco mais longas, mas estão longe de serem ‘overdrive’, focadas na economia de combustível. Rodar a 120 km/h no Jimny é ver o ponteiro do conta-giros ultrapassar a barreira dos 4.000 rpm. De acordo com o Programa Brasileiro de Etiquetagem do Inmetro, o jipinho fabricado no Brasil desde 2012 – atualmente sai da planta de Catalão, em Goiás – crava 10,3 km/l na cidade e 10,4 km/l na estrada.

Ponto a Ponto

Score

Para mim, o Jimny passou de “coisa”, como mencionei no início da matéria, para um carro muito legal, me deixando a clara impressão de que é o ‘city car’ ideal para quem mora em grandes centros brasileiros como São Paulo, onde o asfalto é uma droga (para não falar outra coisa), ser compacto é uma vantagem e não ser cobiçado pelos ladrões um motivo a menos para perder o sono – é preciso ter atenção apenas com o estepe na tampa traseira, um chamariz de vagabundo.
8.8

Média opinião do dono

As acelerações e retomadas, por conta desta personalidade da transmissão, são intensas. Como um legítimo tração traseira, o Jimny até dá aquela levantadinha na dianteira quando soco o pé no acelerador. É um carrinho muito esperto – lembrando que pesa somente 1.090 quilos.

O nível de ruído interno é mediano – está longe de ter o silêncio dos SUVs compactos –, mas também não incomoda ao ponto de ter que levantar o volume da voz para conversar com os demais passageiros. O barulho mais forte vem mesmo do vento e dos pneus, que são de uso misto (rodas de liga leve de 15 polegadas ‘calçadas’ com ATR 205/70 R15), portanto com sulcos maiores para rodar na lama. O Jimny não tem controles de tração ou estabilidade, e os freios – a disco na dianteira e tambor, na traseira – contam com sistema ABS (antitravamento).

A suspensão tem um setup bastante macio e extremamente resistente – eixo rígido. E esta é uma combinação perfeita para rodar em São Paulo. Ao avistar o primeiro buraco na Marginal Pinheiros, desviei e a carroceria oscilou de um lado para o outro, nada que causasse desconforto ou transmitisse falta de segurança. No entanto, na cratera seguinte, uma daquelas que ‘racharia’ ao meio um carro de passeio comum, mirei no meio e fui com fé. Resultado: o Suzuki ‘jantou a vala', como se fosse a coisa mais comum na sua vida. Pensei: “carrinho marrento da ‘zorra’!”

A direção é hidráulica e pouco direta – uma folguinha, aliás, boa para rodar especialmente entradas de terra. O que impressiona é o excelente raio de giro, superior a muitos carros que se dizem urbanoides. Fazer manobras – entrar e sair de vagas apertadas ou fazer aquele retorno em ruas estreitas – é extremamente fácil.

Não é um carro para quem tem filhos, mas um excelente parceiro para casais que gostam de viajar aos finais de semana ou para quem encara solitário os congestionamentos diários

​Ajuda muito o fato de o Suzuki ser compacto demais. Tem somente 3,64 metros de comprimento, 1,70 metro de altura e somente 1,60 metro de largura. Isso significa que qualquer espaço é um latifúndio para o Jimny. Não é concorrente e tão pouco tem esta pretensão, mas o Fiat 500, o queridinho daqueles que buscam um carro prático para o dia a dia, é apenas 10 centímetros menor.

O porta-malas tem capacidade para somente 113 litros. Podemos dizer que é um grande porta-luvas. Realmente não cabe nada! A sugestão é comprar um bagageiro de teto para ampliar esta capacidade para algo em torno de 300 litros – equivalente ao porta-malas do novo Volkswagen Polo. O bom é que o banco traseiro bipartido rebate, permitindo transportar objetos maiores.

Com essas medidas de cubo mágico, lógico que o espaço interno acaba prejudicado. O Jimny transporta apenas quatro pessoas. Dois adultos na frente e duas crianças atrás. Dois adultos conseguem ir no banco traseiro – que tem cinto de três pontos e encosto de cabeça para ambos –, mas extremamente apertados. O acesso à parte traseira, no entanto, é ok. As portas são grandes e os bancos dianteiros, quando rebatidos, têm amplitude longitudinal para liberar a passagem. Colocar uma cadeirinha infantil é mil vezes mais fácil que no 500, que em alguns casos sequer consegue permitir que a cadeirinha entre no carro – falo por experiência própria...

Além da direção hidráulica, o Suzuki tem ar-condicionado, travas, vidros e espelhos elétricos. Só. Precisa de mais? Então o Jimny não é para você!

OFF ROAD

Testar o Jimny e não o levar para dar um rolê na terra é como ir a uma lanchonente gordurenta e avaliar somente a salada. Fui então brincar um pouco com o Suzuki longe do asfalto. Impressionante como a praticidade do jipinho de segunda a sexta se transforma em valentia na terra. A tração 4x2 vira 4x4 apertando um simples botão no console, e esta operação pode ser feita com o pequenino rodando a até 100 km/h. Também tem reduzida, que também é acionada pressionando um outro botão. Nesta configuração, a impressão é que o Jimny pode escalar uma parede com 90° de inclinação. E é apenas um motor 1.3 a gasolina...

Os ângulos de entrada e saída são muito bons – 35° e 45º, respectivamente – e a altura livre do solo é de 200 milímetros. Nada parecia assustar o Jimny. Todas os obstáculos que propus, o Suzuki superou e, com certeza, zoou com a minha cara: “Só isso, Monega? Para de brincar e vamos fazer algo de gente grande, por favor!”

CONFORTÁVEL?

O Jimny é um jipe, não um SUV! Seu concorrente, apesar de ser muito mais caro, é o Troller T4. Por isso, exigir conforto como prioridade do Suzuki é desleal. O acabamento, como o ‘moleque’ cravou, é simples, mas certinho. Tudo está muito bem encaixado e no treme-treme das vias judiadas não há ruído de peças desencaixadas. Os bancos são revestidos com material sintético – não é couro, mas também não é tecido (o que é bom!) – e não há materiais que buscam oferecer requinte. A proposta é ser ‘bruto’ também no visual, e o Jimny é! E eu encarei isso como qualidade, não defeito. Como traços da sua personalidade.

Além da direção hidráulica, o Suzuki tem ar-condicionado, travas, vidros e espelhos elétricos. Só. Precisa de mais? Então o Jimny não é para você!

CUSTOS

O Suzuki Jimny parte de R$ 67.490 na configuração 4Work. A versão por mim avaliada, a 4Sport, é a topo de linha e custa R$ 76.690. A garantia é de três anos e o custo das seis primeiras revisões sai por R$ 3.618 – não chega a ser exorbitante, mas está longe de ser ‘barata’. Já o preço do seguro médio, segundo cotação no Autocompara, ficou em R$ 6.240 – a franquia ficou em R$ 5.825.

CONCLUSÃO

E não é que o ‘moleque’ tinha razão! Para mim, o Jimny passou de “coisa”, como mencionei no início da matéria, para um carro muito legal, me deixando a clara impressão de que é o ‘city car’ ideal para quem mora em grandes centros brasileiros como São Paulo, onde o asfalto é uma droga (para não falar outra coisa), ser compacto é uma vantagem e não ser cobiçado pelos ladrões um motivo a menos para perder o sono – é preciso ter atenção apenas com o estepe na tampa traseira, um chamariz de vagabundo. Não é um carro para quem tem filhos, mas um excelente parceiro para casais que gostam de viajar aos finais de semana ou para quem encara solitário os congestionamentos diários.

PowerTrain
PowerTrain

PowerTrain

Desempenho
Desempenho

Desempenho

Dimensões
Dimensões

Dimensões

Dinâmica
Dinâmica

Dinâmica

Capacidades
Capacidades

Capacidades

Motor
1.3 16V / Dianteiro / Longitudinal / Injeção Eletrônica Multiponto
Câmbio
Manual de 5 marchas
Potência
85 cv (G)
Torque
11,2 Kgf.M (G)
PoweTrain
O Suzuki Jimny é equipado com motor 1.3 16V somente a gasolina (injeção eletrônica).
Aceleração 0 a 100 Km/h
Não informado km/l (G)
Consumo Cidade
10,3 km/l (G)
Consumo Estrada
10,4 km/l (G)
Velocidade máxima
Não informado km/l (G)
Desempenho
O consumo de combustível do Suzuki Jimny é 10,3 km/l na cidade e 10,4 km/l na estrada.
Dimensões
O Suzuki Jimny tem 3,64 metros de comprimento, 2,25 metros de distância entre os eixos. Pesa somente 1.090 kg.
Dinâmica
O Suzuki Jimny utiliza eixo rígido. Na dianteira os freios são a disco sólido e na traseira, tambor. E são três opções de tração: 4x2 (traseira), 4x4 e 4x4 reduzida.
Porta Malas
113 Litros
Tanque de Combustível
40 Litros
Ocupantes
4
Carga útil
330 kg
Capacidades
O porta-malas tem capacidade para somente 113 litros.

Jogador de futebol frustrado, resolveu ser jornalista para escrever sobre tudo que tivesse motor, fizesse (muito ou pouco) barulho e fosse possível de pilotar. Aficionado por superesportivos e clássicos, pensa agora acelerar também sobre duas rodas...

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