Porsche Panamera Turbo S e-Hybrid

Teste: Porsche Panamera Turbo S e-Hybrid

Com um motor 4.0 V8 biturbo e outro elétrico, esportivo alemão gera 680 cv de potência e consome incríveis 22 km/l

WM1 / 10/01/2018 às 09:00

Dentro do universo dos automóveis, uma das perguntas feitas com mais frequência ao Google em 2017 foi: “O que é carro híbrido?”. Bom, vou tentar responde-la de uma maneira um pouco mais interessante. Que tal darmos uma volta no Panamera Turbo S e-Hybrid, a mais nova máquina de altíssima performance da Porsche que utiliza sistema híbrido de propulsão?

Antes de tudo, um veículo híbrido é, basicamente, aquele que possui dois motores, normalmente um a combustão e outro elétrico, alimentado por baterias. Essas baterias podem ser recarregadas pelo funcionamento do propulsor à combustão e a partir da utilização de outros recursos, como o reaproveitamente da energia produzida pelas frenagens do carro/moto. Também podem ser recarregadas conectando o veículo a uma tomada. Os objetivos dos híbridos é simples: serem mais eficientes energetivamente, consumindo menos combustível e consequentemente emitindo menos gases poluentes.

Agora bora acelerar...

O local escolhido para nosso passeio é uma pista técnica nas proximidades de Vancouver, no Canadá, local escolhido pelos alemães para o lançamento mundial do superesportivo pensado para o executivo acelerar de segunda a sexta-feira a caminho do escritório. E me desculpe se decepciono logo de cara com a falta daquele ronco intimidador de um legítimo Porsche. É que ao dar partida no Panamera Turbo S e-Hybrid, a opção 100% elétrica de propulsão é a acionada automaticamente.

Em números, estou querendo dizer que a aceleração de 0 a 100 km/h demora apenas 3,4 segundos e a velocidade máxima é de 310 km/h

Como um típico veículo híbrido, este Panamera tem dois motores, um à combustão – estou falando de um moderno 4.0 V8 biturbo de 550 cv de potência – e um segundo elétrico, posicionado entre o bloco à gasolina e a transmissão automática PDK de 8 marchas, com 136 cv. Quando funcionam ao mesmo tempo com o objetivo é entregar o máximo de performance, os dois propulsores geram 680 cv. É importante destacar, porém, que cada um dos motores, de forma independente, consegue colocar o Porsche em movimento sozinho.

O que chama a atenção mesmo, e você vai perceber quando começar a acelerar para valer, é o torque. Enquanto os ‘oito canecos’ produzem 76,4 kgf.m de força, o elétrico contribui com 40,7 kgf.m. Juntos entregam ao Panamera 86,6 kgf.m. Em números, estou querendo dizer que a aceleração de 0 a 100 km/h demora apenas 3,4 segundos e a velocidade máxima é de 310 km/h.

Chega de números, pois temos à disposição uma pista travada, construída em um morro, com aproximadamente 2,3 km...

Pelo seletor localizado próximo à base do volante, deixo a opção E (Elétrico) de lado e pulo para a Sport + (Sport Plus) em busca da personalidade mais insana e sombria do Porsche. Desta forma, todos os controles eletrônicos continuam ligados, mas são mais permissivos. Isso significa que eles vão esperar o motorista beliscar o chamado ‘fio da navalha’ para entrar em ação. É como se o Panamera avisasse: “Estou por aqui, mas é por sua conta e risco. Conte comigo só em último caso”.

A direção elétrica é extremamente precisa e consegue transmitir o comportamento do veículo para as mãos de quem o comanda. Em altas velocidades, é nítido o peso que o sistema aplica ao volante, que é equipado com aletas para comandar a transmissão – e elevar muito o nível de diversão. A vontade é ficar o dia inteiro rodando com o Panamera.

Nas curtas retas, as acelerações impressionam. O torque despejado nas quatro rodas – trata-se de um tração integral, mas que pode jogar até 100% da sua força para o eixo traseiro se necessário – faz o Panamera jantar o asfalto da pista canadense com a voracidade assustadora. É nas curvas, porém, que o Porsche surpreende. Não transmite a sensação de medir mais de 5 metros de comprimento e pesar cerca de 2,3 toneladas. É ágil. Com a ajuda do eixo traseiro esterçante – tecnologia herdada do 911 –, consegue ser obediente.

Não tente, porém, atrasar um ponto de frenagem e entrar na curva ‘babando’, as leis da física também funcionam para o Panamera. Por isso, não se assuste se a traseira querer escapar. O bom é que não se trata de um esportivo traiçoeiro. O Porsche não escapa de uma vez, o que possibilita até brincar um pouco. Destaque para o equilíbrio e a eficiência das frenagens. O sistema utiliza discos de carbono-cerâmica com pinças de freios (sempre pintadas em um verde fluorescente, presente em todos os modelos híbridos da marca) com dez pistões nas rodas da frente e quatro pistões nas de traseira.

Apesar de ligeiramente temperamental quando provocado – o Panamera não tem sangue de barata –, o Turbo S e-Hybrid é extremamente equilibrado. O fato de as baterias estarem localizadas no assoalho do porta-malas (405 litros de capacidade), consegue deixar os quilos do Porsche muito bem distribuídos. O ajuste rígido da suspensão – independente nas quatro rodas – ajuda à carroceria não sofrer oscilações bruscas. Nas frenagens bruscas, curvas acentuadas e acelerações mais vigorosas, o Panamera não transmite a transferência de peso.

E por falar em baterias, no caso deste executivo, elas têm vida útil de aproximadamente 15 anos. A recargas podem ser efetuadas na própria residência do proprietário em tomada de 220 volts – mesma de um secador de cabelos –, e o tempo pode variar de 4 a 8 horas.

HORA DE RELAXAR

Depois de cinco voltas em ritmo alucinante, hora de curtir o conforto do Panamera. Com as baterias ainda ligeiramente carregadas, volto para o modo E (Elétrico). De acordo com a Porsche, somente com o propulsor elétrico funcionando, a autonomia é de 50 km com picos de velocidade de até 140 km/h.

Enquanto o silêncio reina no habitáculo novamente – estamos agora rumo à baía de Victória – é possível deixar a adrenalina baixar nos confortáveis bancos esportivos do Turbo S e-Hybrid. Revestidos em couro, os ajustes são elétricos e têm sistemas de aquecimento e refrigeração. Além de um acabamento irretocável, com materiais de altíssima qualidade e todas as peças perfeitamente encaixadas, uma tela de 12,3 polegadas sensível ao toque e altíssima resolução entrega muita tecnologia, deixando motorista e passageiros conectados com o carro. Destaque para o sistema de navegação que utiliza informações de trânsito em tempo real, sempre buscando o caminho mais rápido.

O ar condicionado é de quatro zonas. Além das duas dianteiras, os dois passageiros que viajam no banco de trás podem controlar por meio de uma moderna plataforma posicionada no console central. Atrás do encosto dos bancos dianteiros também estão instaladas telas com funcionamentos independentes, mas que podem transmitir informações técnicas do próprio veículo - algumas exatamente iguais às que são repassadas ao motorista.

Inevitavelmente, devido a distância a ser percorrida, o modo híbrido entra em ação mesmo eu não selecionando a função junto ao seletor do volante. Pela tela central seleciono o modo E-Charge em que as baterias passam a ganhar atenção especial para serem completamente recarregadas. De acordo com a Porsche, os índices de consumo são de 16 km/l na cidade e 22 km/l na estrada, números que colocam o Porsche Panamera Turbo S e-Hybrid como um dos carros mais econômicos do Brasil!

CONCLUSÃO

​Gostou de rodar no Panamera Turbo S e-Hybrid? Definitivamente este Porsche é um dos carros que melhor soube sintonizar três pontos que até pouco tempo não se misturavam: esportividade com altíssima performance, requinte e eficiência energética. E tudo graças à adoção de uma bem aplicada tecnologia híbrida. Trata-se de um carro incrível em todos os aspectos - inclusive de design. Impossível não imaginar como será o Mission E, superesportivo 100% elétrico que a Porsche começará a produzir a partir do final desta década.

Ah, já estava me esquecendo. Existe um preço para ter um deste em casa. Vale a compra? Isso, com certeza, não está em discussão. Afinal, um Porsche Panamera Turbo S e-Hybrid custa R$ 1,23 milhão – um cara que pode pagar isso está dependendo muito mais de um “gostei, vou levar” do que um “será que as prestações cabem no meu bolso?”.

 

Jogador de futebol frustrado, resolveu ser jornalista para escrever sobre tudo que tivesse motor, fizesse (muito ou pouco) barulho e fosse possível de pilotar. Aficionado por superesportivos e clássicos, pensa agora acelerar também sobre duas rodas...

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