Nissan Sentra SL

Teste: Nissan Sentra 2.0 SL

Avaliamos a versão topo de linha daquele que se coloca como alternativa aos best-sellers Toyota Corolla e Honda Civic

WM1 / 28/12/2017 às 17:00

Em dezembro de 2007, iniciei a avaliação do meu primeiro carro como jornalista. Um Nissan Sentra S automático, que chegava ao Brasil com o slogan “Não tem cara de tiozão, mas acelerou meu coração” e se apresentava como uma alternativa ao Toyota Corolla, o queridinho dos, digamos, motoristas experientes/racionais. Hoje, dez anos depois, volto a avaliar um Sentra e olho em volta e vejo que tudo está praticamente...igual! O Toyota continua queridinho e o Nissan, a alternativa.

O interessante é ver, no entanto, que o Sentra evoluiu. Aprendeu com o tempo e se tornou uma opção mais interessante. Entendeu que no segmento dos sedãs médios, no Brasil, ser mais pragmático, sóbrio e sólido é vantajoso. Em outras palavras, ser parecido com o Corolla é, sim, bom. A velha história: “se não pode com eles, junte-se a eles”.

Não tem o mesmo espaço interno de uma minivan ou um SUV (utilitário esportivo compacto), mas o Nissan é um bom carro para a família

A opção avaliada foi a topo de linha SL 2.0 (câmbio automático CVT), que parte de R$ 103.900 – dependendo da cor, pode haver um acréscimo de R$ 1.250, deixando o preço para R$ 105.150. São três anos de garantia, sem limite de quilometragem.

Por este valor, o Sentra entrega um interessante pacote de equipamentos, valorizando o custo-benefício. São seis airbags (frontais, laterais e de cortina), direção com assistência elétrica variável, banco do motorista com ajustes elétricos, ar-condicionado de duas zonas, central multimídia com tela de 5,8 polegadas sensível ao toque (colorida), rodas de liga leve de 17 polegadas, alerta de colisão, painel de instrumentos com tela em TFT de 5 polegadas, sensor de estacionamento, câmera de ré, bancos revestidos em couro, faróis de neblina, chave presencial, controlador de velocidade, alerta de veículo no ponto cego, sistema de som Bose e até teto solar elétrico.

Resumindo: uma boa lista. Mas vamos colocar o Nissan para rodar...

O acabamento, como manda o manual do carro japonês, se preocupa com a qualidade e a sobriedade, deixando os exageros de fora

NO ASFALTO

O ‘caminhar’ do Sentra SL é suave. E muito se deve ao fato de ser um sedã que trata bem seus ocupantes. Com regulagens de altura e profundidade da coluna de direção, é fácil encontrar posição confortável ao volante, que, além de multifuncional, tem excelente empunhadura. Os bancos também são confortáveis, tanto por conta do formato quanto pelos materiais utilizados.

Me decepcionou a tela de 5,8 polegadas da central multimídia. Poderia ser maior, melhorando a visualização e até mesmo o manuseio por parte dos ocupantes

O acabamento, como manda o manual do carro japonês, se preocupa com a qualidade e a sobriedade, deixando os exageros de fora. E isso me agrada, particularmente. Há apenas alguns detalhes em cromado e black piano, com os tons escuros dominam o habitáculo. Os materiais também têm qualidade – há peças emborrachadas, por exemplo – e tudo está muito bem encaixado.

Me decepcionou a tela de 5,8 polegadas da central multimídia. Poderia ser maior, melhorando a visualização e até mesmo o manuseio por parte dos ocupantes. Não ser compatível com Android Auto e Apple CarPlay também coloca o sistema um passo atrás da concorrência – este recurso, hoje, está disponível em veículos que custam a metade do preço do Sentra.

ADENDO: FAMÍLIA

Não tem o mesmo espaço interno de uma minivan ou um SUV (utilitário esportivo compacto), mas o Nissan é um bom carro para a família. Com 4,63 metros de comprimento, são 2,70 metros de distância entre os eixos, que proporcionam bom espaço para quem viaja no banco traseiro. Mesmo crianças na cadeirinha não ficam apertadas ou obrigam o passageiro do banco dianteiro deslocar o assento para frente – lembrando que o modelo é equipado, em todas as versões, com ISOFIX. O porta-malas também é gigante: 503 litros!

VOLTANDO AO ASFALTO

O desempenho do Sentra é similar ao do Corolla. Seu motor 2.0 16V flex de quatro cilindros aspirado (injeção eletrônica multiponto sequencial e comando variável de abertura das válvulas) entrega 140 cv de potência a 5.100 rpm e torque de 20 kgf.m a 4.800 giros. Gosto da sintonia deste propulsor com a transmissão automática CVT (continuamente variável). É evidente a preocupação da Nissan em entregar um Sentra confortável em suas reações, deixando de lado a esportividade.

De segunda a sexta-feira na cidade, o Nissan é um carro extremamente agradável. Em velocidades constantes, o motor trabalha em rotações baixas e silenciosas – ponto positivo para bom trabalho de isolamento acústico. Ao pisar mais fundo no acelerador, rapidamente as rotações sobem e o Sentra consegue pegar embalo de maneira intensa suficiente para proporcionar, por exemplo, uma ultrapassagem com segurança.

Importante destacar que não há opção de trocas pela manopla do câmbio. O Sentra também não disponibiliza, nem mesmo como opcional ou acessório, as aletas atrás do volante, o que, na minha modesta opinião, é uma decisão acertada diante da proposta voltada para o conforto – sem falar que ajudar a reduzir custos...

Sentra conta também com controles eletrônicos de tração e estabilidade. No entanto, com um comportamento linear e extremamente equilibrado, raramente estes recursos entraram em ação

Me agradou também o ajuste da suspensão. Aliás, gosto do setup da suspensão dos carros da Nissan desde o primeiro Sentra que dirigi. Tem uma personalidade voltada para o rígido, mas consegue ser extremamente confortável no trabalho de absorver as imperfeições do asfalto. Am altas velocidades, quando a direção elétrica ganha peso e precisão, a carroceria inclina pouco nas curvas, transmitindo segurança ao motorista.

​Além de contar com freios ABS (antitravamento) e distribuição eletrônica da força de frenagem, o Sentra conta também com controles eletrônicos de tração e estabilidade. No entanto, com um comportamento linear e extremamente equilibrado, raramente estes recursos entraram em ação durante a avaliação – o que é um bom sinal.

Em termos de consumo, de acordo com o Programa Brasileiro de Etiquetagem do Inmetro, o Sentra cravou 6,7 km/l na cidade e 9,1 km/l na estrada, quando abastecido com etanol. Os números, confesso, me assustaram. Com gasolina, os dados oficiais são 9,9 km/l no perímetro urbano e 12,6 km/l no rodoviário. Talvez um sistema stop/start, que desliga e liga automaticamente o motor quando o veículo para, por exemplo, em um semáforo, já poderia ajudar a melhorar um pouco a melhorar estes índices, que garantem apenas nota ‘B’ em comparação aos veículos da mesma categoria e ‘C’ no geral.

CUSTOS

Falando em valores, as seis primeiras revisões (até 60.000 km) ficam em R$ 3.239. Já o preço médio do seguro, de acordo com cotação realizada junto ao Autocompara, ficou em R$ 3.040 – o custo médio da franquia ficou em R$ 6.535.

CONCLUSÃO

Como automóvel, o que eu posso dizer é que o Sentra não deve em nada ao Corolla. Ou seja: é um bom carro! São muito parecidos em performance, conforto, acabamento e até mesmo custo-benefício. O que o deixa em desvantagem diante do best-seller é que a Toyota atingiu um nível de qualidade de serviço pós-venda (manutenção e valor de recompra do veículo usado, principalmente) que atualmente é referência no Brasil, algo que a Nissan ainda está construindo. Assim como hoje os consumidores compram Corolla por ser Toyota, a Nissan precisa colocar na cabeça das pessoas que elas devem comprar um Sentra por ser um Nissan. E isso ainda pode levar um tempo...

Jogador de futebol frustrado, resolveu ser jornalista para escrever sobre tudo que tivesse motor, fizesse (muito ou pouco) barulho e fosse possível de pilotar. Aficionado por superesportivos e clássicos, pensa agora acelerar também sobre duas rodas...

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