Ford EcoSport Storm 4WD 2.0 automático

Teste: Ford EcoSport Storm 4WD

Com mesmo conjunto motor e câmbio, e lista de equipamentos de série da Titanium, nova versão aposta no visual off-road

WM1 / 31/01/2018 às 09:15

O Ford EcoSport 4WD está de volta. E ao contrário daquele de quase seis anos atrás, lançado em 2012, este vai além de um sistema diferenciado de tração. O ‘Four Wheel Drive’ de 2018 quer seduzir também pelo visual. Por isso ganhou nova roupagem, e agora passa a ser chamado de Ford EcoSport Storm – preço inicial de R$ 99.990. Somente a título de curiosidade, o primeiro Eco 4WD chegou em 2004, ainda na primeira geração do SUV, e que ganhou notoriedade também por vestir uma carroceria amarela de gosto duvidoso...

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Antes de falar da tração, acho melhor falar do visual, que, para o meu gosto, não agradou por completo. De acordo com Fábio Sandrin, chefe de Design da Ford América do Sul, a proposta é que a opção Storm faça parte da personalidade do EcoSport, por isso, além do recurso mecânico (4WD) ‘tatuado’ na tampa do porta-malas, o SUV compacto ganhou nova grade com um chamativo ‘Storm’ estampado no centro – algo que teve a Ford F-150 Raptor como ‘musa inspiradora’.

VÍDEO

Ainda na dianteira, o para-choque foi redesenhado, ganhando um aplique em prata e preto na parte inferior, maior e mais evidente que nas demais versões do EcoSport. Os faróis dianteiros – em xenon e com iluminação diurna em LEDs – passam a receber máscara negra.

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Nas laterais os plásticos avantajados das caixas de rodas chamam atenção – um recurso, digamos, padrão de qualquer veículo com uma proposta estética off-road. No entanto, o recurso que mais alta aos olhos, e que não me agradou, é o grande adesivo preto com o inscrito ‘Storm’ que corta as portas. Um pouco exagerado para o meu gosto. Os apliques também estão de maneira chamativa sobre o capô.

Em contrapartida, as rodas de liga leve de 17 polegadas me seduziram – e muito! Escurecidas - em um tom que a Ford chama da Dark London Gray -, elas têm um desenho que remete aos modelos ST. Não são iguais, mas trazem a mesma agressividade. Importante: os pneus que ‘calçam’ estas belas rodas são de uso urbano, e não de uso misto. De acordo com a engenharia da fabricante, esta foi uma escolha que privilegiou o conforto e não uma eventual performance fora-de-estrada superior.

Por dentro, a Ford manteve a boa qualidade de acabamento que chegou com a última atualização da segunda geração do EcoSport

A traseira, por fim, também ganhou novidades – mais discretas, devo admitir. Assim como o para-choque dianteiro, o traseiro ganhou um aplique inferior maior, e o estepe – que continua posicionado na tampa do porta-malas – agora tem uma capa exclusiva com uma barra estampando o nome da versão.

Por dentro, a Ford manteve a boa qualidade de acabamento que chegou com a última atualização da segunda geração do EcoSport. A maioria das peças são em plástico duro – todas muito bem encaixadas e sem rebarbas –, mas há alguns itens emborrachados, que elevam ligeiramente o requinte do SUV. No caso específico da versão Storm há de detalhes em uma espécie de laranja – alguns dirão cobre ou marrom – no console central, nas portas e nas costuras dos bancos e do volante, ambos com revestimento em couro. Estes detalhes são sempre desta cor, não importando o tom da carroceria, que pode ser branca, prata, marrom ou preta – esta última é a que mais me agradou, pois esconde um pouco os adesivos. Ah! O logo da configuração também está no encosto dos assentos dianteiros de maneira discreta, e toda forração – inclusive do teto – é em preto.

MUITO ASFALTO; POUCA TERRA

Avaliei o Ford EcoSport Storm por cinco dias e posso reunir mais pontos positivos do que negativos. O primeiro deles é o bom conjunto mecânico. Motor Duratec 2.0 Direct Flex (quatro cilindros, aspirado e com injeção direta de combustível) de até 176 cv de potência e 22,5 kgf.m de torque (etanol) forma dupla afinada com o câmbio automático de seis velocidades, com conversor de torque – aqui nada de filosofia de dupla embreagem ao estilo PowerShift. É uma dupla que entrega performance quando necessário e conforto ao rodar. Enquanto o propulsor trabalha ‘falando baixo’, a transmissão faz as mudanças de marcha de maneira quase imperceptíveis. E vamos levar em consideração que o Storm pesa 1.469 kg – lembrando que a versão 4x4 mais em conta do Jeep Renegade (Custom 2.0 Turbodiesel) marca 1.626 kg quando ‘sobe na balança’.

A tração é um diferencial sim, mas não chega a fazer uma diferença gritante no dia a dia, especialmente na cidade. Não faz do Eco Storm uma versão completamente diferente da Titanium

Apenas um rápido adendo: a primeira geração da versão 4WD utilizava câmbio manual, o que acabou interferindo negativamente nas vendas. Com a transmissão automática, a Ford acredita que a participação desta configuração no mix de vendas do EcoSport será maior e mais significativa.

No entanto, o motor e câmbio do Eco Storm – que é o mesmo da versão Titanium – não são perfeitos. Enquanto o bloco poderia ser um pouco mais econômico – não consegui passar de 9 km/l em um percurso misto (um sistema start/stop poderia ajudar a melhorar este índice) –, a caixa oferece opção de trocas manuais pelas aletas atrás do volante, recurso que para um SUV não é interessante, mas tem quem goste. Melhor, com certeza, que os botões na manopla, como no caso do New Fiesta.

De acordo com a Ford, o EcoSport Storm cravou na estrada 8,0 km/l (e) / 11.4 km/l (g), enquanto na cidade: 6.0 km/l (e) / 8.5 km/l (g). Números que não me surpreendem 

A tração é um diferencial sim, mas não chega a fazer uma diferença gritante no dia a dia, especialmente na cidade. Não faz do Eco Storm uma versão completamente diferente da Titanium. O sistema 4WD não é uma tração 4x4 típica dos jipes, com forte personalidade off-road. É uma tração que não deixa de ser nas quatro rodas, mas que funciona sob demanda – nada de alavanca ou seletor no console central para escolher 4x2, 4x4 ou reduzida. Uma central eletrônica instalada no diferencial dianteiro (chamada ITCC) faz a leitura de diversos parâmetros do carro – aderência do solo, por exemplo – e transfere automaticamente torque para as rodas da frente ou de trás de maneira optimizada, sempre buscando o que é melhor para aquela condição. Essa transferência de força é feita por meio de um eixo cardan acoplado ao diferencial traseiro.

Em velocidades constantes, o ITCC joga todo o torque (100%) para as rodas dianteiras. No entanto, todas as vezes que cravei o acelerador no assoalho do Eco, boa parte da tração foi para as rodas traseiras, deixando clara a intensão de oferecer mais agilidade. É possível acompanhar o trabalho da distribuição de força pela tela de 4,2 polegadas no centro do painel de instrumentos, entre o conta-giros e o velocímetro. Por esta tela, aliás, o motorista recebe todas as demais informações do carro (computador de bordo).

Entre as novidades mecânicas, a que mais me agradou está no ajuste da suspensão, que é diferente das demais versões do EcoSport. A principal delas está na filosofia da suspensão traseira, que no Storm é independente multilink, enquanto nas outras é eixo de torção. A dianteira, assim como nas demais configurações, é independente tipo McPherson, mas no caso da Storm os amortecedores têm 17 milímetros a mais de curso – aliás, todas as molas e amortecedores foram recalibrados. O resultado é um Eco muito confortável, especialmente em asfaltos mais acidentados. É perceptível uma maior estabilidade da carroceria, transmitindo uma melhor sensação de conforto.

Ponto negativo para o sistema de freios, que utiliza discos nas rodas dianteiras e tambor, nas traseiras

Um ponto que me agradou muito foi a posição de dirigir. Talvez pela experiência de anos no mercado, o Eco consegue entregar uma postura elevada ao volante. Além do assento ter ajuste de altura, a coluna de direção também oferece regulagens bem amplas de altura e profundidade. O Ford é um carro fácil de se vestir – ponto positivo para o design dos bancos, que permitem rodar longos trechos sem a necessidade de dar aquela esticada na coluna ou mesmo nas pernas.

Ponto negativo para o sistema de freio. Tem ABS (antitravamento) e sistema de distribuição eletrônica da força de frenagem – o que não é nada demais, convenhamos –, mas acaba pecando por usar tambor nas rodas dianteiras. Neste ponto não importa o que os demais estão oferecendo. Disco nas quatro rodas é algo que faz diferença e em um carro de R$ 100 mil deveria ser lei!

BOM PARA QUASE TODOS

O EcoSport Storm, assim como no caso da opção Titanium, é muito agradável para o motorista. A começar pela direção com assistência elétrica, que foi recalibrada e é extremamente leve em baixas velocidades – isso representa pouco desgaste físico no dia a dia. O ar-condicionado é de uma única zona e há sete airbags: dois frontais, dois laterais, dois tipo cortina e um de joelho para o condutor. ISOFIX para fixação de cadeirinhas para crianças também são itens de série, assim como auxilio de partida em rampa, sistema de som Sony com nove alto falantes, sensor de estacionamento traseiro, câmera de ré e teto solar.

O que acaba derrubando – e muito – o EcoSport, e não apenas na Storm, que fique claro, é o espaço interno. Quando se fala em SUV compacto, espaço é sim um fator determinante

O grande diferencial, porém, é a central multimídia com sistema Sync 3! Entre os disponíveis no Brasil é, na minha opinião, um dos melhores. Além de ter uma tela na medida – 8 polegadas sensível ao toque –, está posicionada a uma distância ideal do braço direito do motorista, que consegue opera-la sem a necessidade de exercícios de yoga. O Sync 3 também é muito rápido e de fácil interação quando utilizamos os comandos de voz. Sem falar que é compatível com Android Auto e Apple CarPlay – algo que deveria ser padrão para todas as central de infotaiment.

O que acaba derrubando – e muito – o EcoSport, e não apenas na Storm, que fique claro, é o espaço interno. Quando se fala em SUV compacto, espaço é sim um fator determinante. Em comparação com seus principais concorrentes, a diferença é significativa. O Ford tem 2,52 metros de distância entre os eixos, o Hyundai Creta tem 2,59 metros e o Honda HR-V, 2,51 metros. Já o porta-malas entrega, segundo dados oficiais da marca, 376 litros. Creta oferece 431 e o HR-V, 437.

Primeiro Eco 4WD chegou em 2004, ainda na primeira geração do SUV, e que ganhou notoriedade também por vestir uma carroceria amarela de gosto duvidoso

PREÇOS E VERSÕES DO FORD ECOSPORT

Ford EcoSport 1.5 SE MT

R$ 77.990

Ford EcoSport FreeStyle 1.5 MT

R$ 83.990

Ford EcoSport SE 1.5 AT

R$ 83.990

Ford EcoSport FreeStyle 1.5 AT

R$ 89.990

Ford EcoSport Titanium 2.0 AT

R$ 96.850

Ford EcoSport Storm 4WD 2.0 AT

R$ 99.990

CONCORRENTES

Na realidade, A Ford não aponta concorrentes diretos para o EcoSport Storm. por ser o único do segmento com uma tração nas quatro todas sob demanda e transmissão automática. No entanto, se abrirmos o leque de opções, entre os SUVs compactos, a Renault oferece um Dustar Dynamique com motor 2.0 também (146 cv e 20,9 kgf.m, apenas) e tração 4x4 com talento off-road por R$ 89.290 - completinha, com tudo o que tem direito, chega aos R$ 92.590. Nesta configuração, porém, o câmbio é manual de seis marchas.

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O outro concorrente que tem tração 4x4 e, que assim como o Duster, tem maior capacidade que o Storm para enfrentar uma estrada de terra mais acidentada, é o Renagade. No entanto, para ter este tipo de tração, o Jeep traz obrigatoriamente motor 2.0 turbodiesel (170 cv e 35,7 kgf.m) e transmissão automática de 9 marchas por R$ 110.290 - opção de entrada Custom. E recheada completamente, esta mesma configuração bate os R$ 123.966. Isso sem falar da versão topo de linha Trailhawk, que oferece o mesmo conjunto mecânico, mas com uma lista de equipamentos de série muito mais recheada que a Custom, e sai, completa, por R$ 143.090.

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CONCLUSÃO

Para o Ford EcoSport Storm acho que vale o dito popular: “mais vale um gosto do que um tostão no bolso”. Digo isso, pois esta nova versão, mais que uma tração 4WD – que na prática não entrega um diferencial absurdo (não o torna, por exemplo, um legítimo 4x4 com boas capacidades off-road) –, oferece na realidade um visual diferenciado. Lembrando que no quesito equipamentos de série – e também no ponto motor e câmbio –, a opção Storm entrega as mesmas coisas que a Titanium, porém custa R$ 3.140 a mais.

Não por conta desta diferença de valores, mas por uma questão de gosto, eu prefiro a discrição da Titanium ao ‘off-roadismo’ da Storm. Isso, porém, é uma questão de gosto, volto a escrever

PS: Independentemente da versão, acho que o Ford EcoSport passa pelo seu melhor momento. Tem bons conjuntos mecânicos, evoluiu demais com relação ao acabamento interno e traz um dos melhores pacotes de equipamentos de série e opcionais – tudo quando comparado à concorrência. No entanto, tudo isso acaba ficando um pouco ofuscado diante das dimensões mais acanhadas em relação às demais opções que o mercado oferece, com exceção do Jeep Renegade, que também não prima pelo espaço interno. Enquanto não ganhar uma nova geração com uma plataforma mais moderna que o torne maior fisicamente falando, o Eco poderá continuar perdendo espaço para os demais.

Jogador de futebol frustrado, resolveu ser jornalista para escrever sobre tudo que tivesse motor, fizesse (muito ou pouco) barulho e fosse possível de pilotar. Aficionado por superesportivos e clássicos, pensa agora acelerar também sobre duas rodas...

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