Mercedes-Benz Classe X

Saiba como anda a Mercedes-Benz Classe X

Primeira picape feita por uma marca premium chega ao Brasil 2019. Testamos a versão completa com motor 2.3 turbodiesel

WM1 / 01/11/2017 às 11:00

Quem diria que viveríamos para ver uma marca premium lançar uma picape. Sinal dos tempos em que este tipo de veículo deixou de ser um peão voltado somente para o trabalho e passou a agregar conforto e tecnologias a ponto de ser uma demostração de status por parte do consumidor. E ninguém melhor do que a Mercedes-Benz para entrar nesta empreitada. A montadora que criou o carro e concebeu ainda o ônibus e o caminhão tem experiência de sobra para oferecer um comercial leve diferenciado.

Mas a Classe X não terá vida fácil. Como dissemos, o nível do mercado já evoluiu bastante e quase não temos mais picapes espartanas que carregavam comportamento de mini-caminhão. Então, o que o modelo que chega ao Brasil em 2019 tem de tão diferente para fazer com que o consumidor gaste uma grana a mais para bancar o comercial leve da marca da estrela?

Bem, além dos fatores óbvios como ostentação e do acabamento de alto nível, o teste de mais de 500 quilômetros realizado em Santiago, no Chile, nos mostrou que um dos principais diferenciais do modelo mora nas tecnologias de segurança. A Classe X traz alerta pré-colisão, que pode atuar automaticamente no freio, caso o motorista não pise no pedal quando estiver prestes a bater. Outro item diferencial é o alerta de transição de faixa que vibra o volante caso o condutor pise em outra faixa sem acionar a seta (o que pode demonstrar cansaço).

A picape, fabricada atualmente em Barcelona, na Espanha, também consegue monitorar o trânsito e placas de sinalização. Fora estes itens focados na estrada, ainda possui diversos botões que ativam tecnologias de atuação fora de estrada. Estamos falando de câmera 360°, que guia o motorista em obstáculos bastante íngremes, assistente de descida, que freia o veículo sozinho em velocidade de até 8 km/h, além de diversos ajustes de tração, incluindo a 4x4 reduzida – no ano que vem, chega ao mercado ainda uma opção 4x4 permanente.

Também em 2018 chega o maior diferencial da Classe X em termos de motor. É a opção V6 turbodiesel de 258 cv e 56,1 kgf.m, que será a mais potente da categoria de picapes médias. Ela será pareada a uma transmissão automática de sete velocidades com borboletas e também poderá ter comportamento alterado de acordo com cinco modos de direção, do mais econômico ao mais afeito a condições offroad.

FRONTIER GOURMET?

No entanto, nosso teste pelas belíssimas e, às vezes, desafiadoras estradas chilenas foi feito com o auxílio do motor 2.3 turbodiesel de 190 cv e 45,8 kgf.m de torque máximo. Este é o mesmo propulsor que equipa a Nissan Frontier vendida no Brasil. O modelo de origem japonesa, aliás, serviu de plataforma para a Classe X, o que gerou muita desconfiança e até apelidos pejorativos dando conta de que a picape da Mercedes seria apenas uma “Frontier Gourmet”.

A marca alemã garantiu que todos os itens da Classe X foram revistos e que a escolha pela parceria com a Nissan tem muito a ver com custos de produção, o que consequentemente afeta o preço final do veículo.

A verdade é que se não soubéssemos desta parceria, nem lembraríamos da Frontier a bordo da Classe X. A experiência de guiar os dois carros é totalmente diferente. E mesmo que a relação entre os modelos fosse mais íntima, é preciso lembrar que a picape da Nissan tem uma história de respeito, o que não desabonaria a novata da Mercedes.

Mas é claro que o consumidor vai querer algo a mais em se tratando de um modelo que nasceu com a proposta de ser premium. Além das tecnologias citadas acima, o que ajuda a transmitir esta experiência diferenciada ao motorista é um acabamento de muita qualidade e com a possibilidade de escolher diversos materiais diferentes. O console, por exemplo, pode ser preenchido com alumínio, couro ou madeira. Também dá para selecionar cores diferentes para os bancos.

O que causa estranhamento é a antiga e imortal entrada para CD, posicionada logo abaixo das saídas centrais do ar-condicionado. Também já passou da hora de mudar a central multimídia. Em relação a design, ela ainda é atual por ter uma tela que lembra um pequeno tablet. Mas o funcionamento está longe do ideal. Ela não é nada intuitiva e a falta da sensibilidade ao toque mata a experiência do usuário.

PÉ NA ESTRADA

“Mas e a rodagem com o motor diesel?”, você deve estar se perguntando. Bem, ela é bastante satisfatória. O ajuste com a transmissão automática de sete velocidades fez muito bem ao bloco de 190 cv. As transições ocorrem exatamente no momento que você identifica que precisa de mais força do motor.

Em cenário offroad, as respostas também são ótimas. Não há escalonamentos indesejáveis, como naquelas ocasiões em que você dá pé no acelerador, mas precisa se manter em uma segunda marcha, porém o câmbio entende que já pode mudar para a terceira, o que faz com que a picape perca disposição.

Também merece elogios o acerto de suspensão. A dupla feita com braços sobrepostos na dianteira e multilink na traseira segura bem a carroceria em curvas de alta velocidade e faz você esquecer repentinamente de que está guiando um trambolho de que 2.133 quilos.

Falando em peso, a Classe X é capaz de carregar até 1.067 quilos e pode carregar ainda até 3.500 quilos. Já em relação a tamanho, ela tem 5,34 metros de comprimento, sendo que 3,15 m são dedicados ao entre-eixos. A altura é de 1,92 m, enquanto a largura é de 1,81 m.

Já a caçamba tem 1,56 m de comprimento e acaba sendo o destaque por conta da possibilidade de customização. Ela pode ter desde santantonios básicos, passando por uma capota de material rígido e até uma cobertura que faz com que o modelo ganhe uma cara de SUV.

VERSÕES E ITENS DE SÉRIE

E já que estamos falando sobre equipamento é bom destrinchar as versões da Classe X. O modelo tem três versões: Pure, voltada ao trabalho, Progressive, que agrega mais conforto, e Power, com mais itens de tecnologia e focada em lifestyle e estilo urbano.

A primeira vem com para-choques preto com acabamento plástico, rodas de aço de 17 polegadas, faróis halógenos, ar-condicionado, estofamento em tecido, ar-condicionado, retrovisores elétricos, sistema de entretenimento e motor de quatro cilindros a gasolina de 165 cv e câmbio manual de seis marchas ou motor diesel de 165 cv e câmbio automático de sete marchas.

Já a versão Progressive vem com para-choque na cor do veículo, rodas de liga leve de 17 polegadas, faróis halógenos, para-brisa com isolamento térmico, sensor de chuva, bancos, volante e manopla do câmbio revestidos em couro, ar-condicionado, bússola no retrovisor, sistema de entretenimento e as mesmas opções de motor e câmbio da versão anterior.

Já a configuração topo de linha Power traz rodas de liga leve de aro 18”, faróis de LED, para-choque traseiro cromado, bancos com ajustes elétricos, frisos de alumínio na soleira das portas e assoalho iluminado na frente, ar-condicionado digital multizonas, chave presencial, retrovisores antiofuscamento e sistema de som com oito alto-falantes. Além das opções de motor e câmbio citadas nas outras versões, há o motor de 190 cv que testamos.

Ainda não há certeza sobre quais versões e motores serão vendidos no Brasil. Mas é muito provável que o motor a gasolina seja descartado, enquanto os motores de 190 cv e V6 de 258 cv estão praticamente garantidos.

Como a Classe X só chega ao Brasil em 2019 (porque será feita na fábrica de Córdoba, na Argentina, que ainda não está pronta), não podemos falar muito sobre preços. Na Alemanha, onde o modelo será lançado este mês, o preço de partida será de 37.294 euros, o equivalente a quase R$ 142 mil.

Desta forma, não é possível ter uma conclusão completa sobre o produto, mas a expectativa é que ele cause bastante furor quando chegar. Isso porque o interesse por picapes no nosso País cresceu vertiginosamente nos últimos anos, o que fez com que uma nova categoria fosse criada, dando origem a modelos como Fiat Toro e Renault Duster Oroch.

O que podemos perceber é que a Mercedes-Benz Classe X faz total sentido para o mercado porque atende a uma variedade extensa de clientes, desde aqueles que precisam de uma picape para o trabalho, mas também a utilizam para o lazer, até os que querem muita tecnologia e não dispensam o status e a tecnologia que a marca da estrela pode proporcionar. E que venham mais picapes de marcas premium! Fica a dica, Volvo!

Quando deixa um pouco de lado a carreira brilhante como piloto de Gran Turismo e Fórmula 1 (no Playstation), faz cobertura diária do setor automobilístico. Muscles cars e clássicos dos anos 1990 são as máquinas prediletas.

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