Novo Land Rover Discovery

Novo Land Rover Discovery: sem limites

Quinta geração do SUV está mais capaz e luxuoso do que nunca; chega às lojas em julho de 2017

WM1 / 03/03/2017 às 19:15atualizado 07/03/2017 às 17:21

Permita-me iniciar este texto com uma pergunta: para você, quanto vale rodar por aí sem fronteiras, topando qualquer desafio que apareça pelo caminho, e, quando não houver mais caminho, poder trilhar o seu próprio e não desistir de chegar aonde quer? A resposta a esta questão, que soa como um jargão de livro motivacional de empreendedorismo, me diz se você é o tipo que desejaria ter na garagem a quinta geração do Land Rover Discovery. E, caso você ache que não possui tal aspiração desbravadora, cuidado. Ao final deste texto há grandes chances de que mude de ideia.

A Land Rover valoriza a liberdade de seus clientes desde que o primeiro modelo da marca foi oficialmente lançado, em abril de 1948. Entretanto, o primeiro Discovery demorou para chegar, nasceu em 1989, já com sete lugares e uma proposta versátil e familiar. Versatilidade é, sem dúvidas, o sobrenome do Discovery, e a nova geração aprimorou pontos cruciais de um produto de histórico invejável, com mais de 1,2 milhão de exemplares vendidos no mundo. Em 27 anos de evolução, eu não esperava menos da marca britânica.

Para conhecer o novo produto, fomos convidados a uma programação digna da Land Rover. Como já tive algumas experiências em lançamentos da marca, falo com propriedade. Eles não têm dó dos carros, que estão ali para serem testados em diversas condições, incluindo as mais severas. Desta vez não foi diferente.

Começamos nossa jornada nas montanhas rochosas de Utah, estado que fica no oeste dos Estados Unidos. A geografia e o clima da região são muito variados, ideal para conhecermos o SUV. É possível fazer trilha nas erosões, aproveitar a neve de suas montanhas geladas ou se perder em um passeio no deserto. Tudo no mesmo dia. Imagine, então, o que fizemos em dois dias.

 

As cinco gerações do Land Rover Discovery juntas. Qual deles você gosta mais?

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“A box cannot flow through the air”

Ouvi essa frase do PR Global da marca, Richard Agnew. E ela justifica perfeitamente a principal mudança do Discovery, o visual.  A frase traduzida para o português, quer dizer que uma caixa não pode fluir pelo ar. A caixa, em questão, é a quarta geração do Discovery, cheia de personalidade e vazia em aerodinâmica. Obviamente, há questões comerciais envolvidas na mudança. O visual “ame ou odeie” deixou de existir porque a Land Rover gostou de ser bonita e principalmente desejada, adjetivos que vieram com a era Evoque e que a marca soube muito bem trabalhar no Range Rover Sport, no irmão menor Discovery Sport e, como nunca, no Range Rover Velar, que acabou de ser revelado ao mundo.

A traseira, alta demais, causa certo estranhamento ao primeiro olhar, mas não posso negar que o utilitário esportivo está bem mais bonito. As linhas arredondadas contribuem com a economia de combustível, diminuem o ruído na cabine e, de quebra, atraem os olhares de quem nunca considerou comprar um Discovery antes, por achá-lo “quadradão” demais. Detalhes que remetem à antiga versão são o teto mais alto na terceira fileira e a placa traseira deslocada, apenas. 

As linhas arredondadas contribuem com a economia de combustível, diminuem o ruído na cabine e, de quebra, atraem os olhares de quem nunca considerou comprar um Discovery antes, por achá-lo “quadradão” demais.

Antes de embarcar na nossa aventura, saiba que a Land Rover não confirmou as versões nem os preços do novo Discovery, que chega em julho deste ano ao país. Para termos uma ideia, o Discovery 4 é vendido hoje no Brasil equipado com motor a diesel - versões a gasolina vêm apenas sob encomenda - com preços que vão de R$ 328.920 a R$ 405.626. Para o novo Discovery, podemos esperar um aumento nesses valores.

Pé na estrada

Ao chegarmos ao aeroporto de St. George, em Utah, nos deparamos com dezenas de exemplares enfileirados nos esperando, em versões 3.0 V6 a diesel e a gasolina. Em alguns países, o Discovery receberá também o motor de 4 cilindros Ingenium 2.0 a diesel, descartada para o Brasil.

Comecei o teste a bordo da versão 3.0 Si6 a gasolina, que entrega 340 cv de potência aos 6.500 giros e 45,89 kgf.m de torque entre 3.500 rpm e 5.000 rpm, um motor que equipa diversos carros da Jaguar Land Rover, como o F-Pace, o esportivo F-Type e o próprio Discovery 4. Todas as unidades, independentemente da motorização, são equipadas com câmbio automático ZF de oito velocidades.

A repaginada no visual veio acompanhada de uma dieta das boas. A carroceria monobloco leva 85% de alumínio em sua composição, do qual 43% é reciclado, enquanto subframes na dianteira e na traseira são feitos de compostos de aços rígidos e magnésio. A nova arquitetura, aliás, fez o SUV emagrecer até 480 kg e a distribuição de peso, de 50% na dianteira e 50% na traseira, deixou o SUV grandalhão de 2.298 kg com uma dinâmica invejável. Facilmente nos esquecemos que estamos guiando um carro de 2,97 metros de comprimento (15 cm a mais que o Disco 4) e 1,84 m de altura.

Obviamente, há muito mais no Disco 5 que ajuda na dirigibilidade, a direção com assistência elétrica e, principalmente, a suspensão são exemplos. Na dianteira, o SUV utiliza braços sobrepostos, que possibilitam o controle da posição da roda por todo o curso da suspensão compensando os efeitos de rolagem e, na traseira, a suspensão é multibraços com integral link, que ajuda a manter um equilíbrio entre conforto e rigidez.  

A versão que testamos estava equipada ainda com suspensão pneumática, que pode ser ajustada por um botão no console do carro. Ao estacionar, ela baixa automaticamente 40 mm para facilitar a descida dos ocupantes, mas mesmo assim senti falta de um estribo o tempo todo.

Seguimos viagem. Eu, cada vez mais impressionada com a paisagem do lugar e com o comportamento do câmbio, cujas trocas são imperceptíveis. Na versão a gasolina, o câmbio trabalha o tempo inteiro a fim de manter o giro baixo. Mesmo assim, eu via o ponteiro do combustível despencar em queda livre durante o percurso.  

Ao começar a subir a montanha, a paisagem em tons terracota deu lugar a um branco sem fim. Muita neve e um piso extremamente escorregadio. Caso nós não tivéssemos notado, um aviso no painel acusava a condição do terreno. O responsável por isso é o Terrain Response 2, um sistema que monitora as quatro rodas de maneira independente e faz a leitura das condições de pilotagem para assegurar que o veículo entregue a melhor tração, independentemente do terreno. Podemos escolher entre o modo automático, grama e neve, lama, areia e rochas.

No primeiro dia, rodamos por aproximadamente 300 quilômetros, por paisagens que mudavam o tempo inteiro. Já no final da tarde, paramos para um café no meio do nada. Um Discovery com uma carretinha acoplada repleta de café quente e brownies nos recebeu. Falando nisso, o reboque fica embutido na traseira e só aparece ao darmos o comando, ele é elétrico. Pensando em quem tem barco, trailer, ou uma carretinha como a do café, a Land Rover desenvolveu um sistema absolutamente interessante e que facilitará a vida de quem utiliza o engate. Acabou o drama para manobrar o carro com uma carreta engatada (quem já fez isso algum dia, sabe que às vezes dá nó na cabeça). Na central de infotainment você seleciona qual a carga que está puxando, a direção para onde quer ir, e o carro faz as manobras para você. O motorista só precisa acelerar e frear o carro. Um sonho.

O Discovery para a era digital

Quando achei que já tinha acabado o dia, surgiu um trecho de rochas. Para melhorar, a chuva apertou. Alguns viam uma tenebrosa combinação de rochas molhadas e um carro de mais de duas toneladas. Eu via um parque de diversões ao ar livre. Obviamente, é bom você saber o que está fazendo para que a situação não vire filme de terror. 

Ao lado do seletor Terrain Response, o botão “Lo” indica o acionamento da reduzida. O Discovery tem tração nas quatro rodas e uma caixa de transferência. Para trechos difíceis, melhor utilizar uma relação de marchas bem mais curta e travar o diferencial traseiro. Assim, o torque é entregue às rodas com o máximo de grip e os eixos giram bem mais lentamente, nos ajudando a transpor os obstáculos facilmente.

Enquanto alguns jornalistas sofriam de palpitação, eu e meu parceiro de viagem aproveitávamos o luxo e conforto do SUV em nossa trilha na primeira classe. Na cabine, o acabamento é impecável e dentro do SUV é o conforto que impera. A versão testada, top de linha, estava equipada com a central Incontrol Touch Pro, com tela de alta resolução de 10 polegadas. Um sistema intuitivo, com GPS, bússola, inclinação, rádio, DVD, MP3 e uma infinidade de funções, inclusive, acesso a aplicativos.

http://picasion.com/

Ninguém fica entediado dentro do Discovery. Telas nos encostos de cabeça distraem os ocupantes da segunda fileira e o passageiro que vai na frente pode assistir a um filme enquanto o motorista confere o GPS. No sistema batizado de dual view (que não é novidade)motorista e passageiro compartilham a mesma tela, cada lado do carro enxerga uma coisa. Todas as telas são independentes, o que quer dizer que cada um vê o que quiser, sem brigas.

Além da Activity Key, uma pulseira de borracha à prova d’água que abre e fecha o carro sem o auxílio da chave, diversas funções do veículo podem ser acionadas pelo Apple Watch ou Android Wear. Há seis pontos de carga 12V, 9 entradas USB e uma infinidade de porta objetos. Além da geladeirinha no console, pode-se armazenar até quatro ipads em um esconderijo central. O destaque, porém, vai para um espaço escondido atrás dos comandos do ar condicionado e um gancho para pendurar a bolsa próximo ao pé do passageiro (mulheres entenderão). Como ninguém tinha pensado nisso antes?  

Um dos destaques do Disco 5 são os sete assentos, onde adultos se acomodam com muito conforto em qualquer um deles. Todos são aquecidos e possuem acionamento elétrico pela central multimídia, por um botão no porta-malas, ou por um app no smartphone. Você escolhe. Os assentos são inteligentes, o que quer dizer que eles têm sensores de peso e também no cinto de segurança, para não esmagar objetos que estejam nos bancos.

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Para rebater a segunda e a terceira fileira são necessários apenas 14 segundos. Deste modo, o espaço para bagagem é ampliado para 2.500 litros – são 1.231 l atrás da segunda fileira. Bom, aí é só estacionar o SUV em um local com vista privilegiada, pegar o edredom e deitar em sua “cama king size” em qualquer lugar do planeta. Se quiser ver as estrelas, o teto solar é dividido em duas partes. Fica a dica.
 
 

Nesta noite, porém, teríamos lugar melhor para pernoitar. Entre as montanhas varridas pelo vento, onde cânions se formam por toda a parte, uma arquitetura moderna se camufla na paisagem selvagem. O Amangiri é um excêntrico hotel que se encaixou na beleza de Utah, de tirar o fôlego e encher os olhos. Refúgio de astros de Hollywood, é um lugar onde o silêncio é quem fala mais alto e os olhos parecem não dar conta de captar a beleza daquilo ali. Embora eu não quisesse nem dormir, amanhã sempre é outro dia.

 

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Motor a diesel renovado

Despertei às 5h e a chuva não dava trégua. Obviamente reclamei com São Pedro, mas felizmente seria hora de botar as mãos na versão equipada com motor a diesel. O motor TDV6 anterior, de 256 cv, foi remapeado e ganhou 2 cv. Por isso, eles dizem que é um novo motor. O “novo” 3.0 V6 Turbodiesel reduziu as emissões em 7% e os números de 0 a 100 km/h mostram que a performance melhorou. Agora são necessários 8,1 segundos ante os 9,3 s do Disco 4.

Depois de dirigí-lo, ficou claro porque não há demanda para a versão a gasolina no Brasil. O motor a diesel cai como uma luva ao SUV, as respostas são muito rápidas, a potência máxima já está disponível aos 3.750 giros e o torque de 61,18 kgf.m aparece cedo, a partir de 1.750 giros. Tudo muda, inclusive o consumo, bem mais comedido.

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Entramos no estado do Arizona, onde fizemos nossa primeira parada. Ao sairmos do hotel, a LR colocou uma cesta de café da manhã no porta-malas do SUV. A parada para o café seria no alto de uma montanha a 2.000 metros de altitude. Nesta geração, a porta traseira do SUV é inteiriça, mas ao abrí-la, há uma peça retrátil que impede que a bagagem caia para fora do carro, caso ele esteja parado em um terreno acidentado. A peça pode servir como um apoio para sentarmos – ela suporta até 300 kg –, e foi exatamente o que fizemos para saborear o café quentinho.

 

Cadê a lama?

Já estávamos no meio do segundo dia e nada muito radical havia acontecido até então. Estranhei. Foi quando a paisagem começou a mudar novamente. A neve se misturava a uma areia em tom coral, rastros de areia marcados por pneus off-road e alguns UTVs deram a dica de que algo bom estaria por vir. De volta à Utah, entramos no Coral Pink Sand Dunes, um parque com dunas imensas. Os instrutores da Land Rover colocaram bandeirinhas nos carros, que foram divididos em comboios e a pressão dos pneus – sempre originais -  foi reduzida a 20 PSI. No seletor do Terrain Response, escolhemos o modo areia e aumentamos a altura da suspensão.

O teste em pirambeiras de areia serviu para constatarmos que os ângulos de entrada e saída (34° e 30°, respectivamente) estão realmente melhores. Lembrando que o novo Discovery está maior do que nunca, com um entre-eixos de 2,92 m (4 cm maior que o antecessor).

Como a melhor parte fica sempre para o final, o ápice estaria por vir. Por conta da chuva, da qual reclamei tanto, o trecho de terra virou uma estrada de pura lama. Percorremos alguns quilômetros onde o novo Discovery deslizava em um "sabão marrom", que cobria o para-brisa e até o teto do carro. Mais uma vez, alteramos o seletor do Terrain Response e acionamos a reduzida. Neste trecho eu estava sozinha no carro, com as mãos atentas ao volante, porém deixando os pneus tatearem o melhor caminho e, claro, sabendo dosar o pé, o SUV engolia aquela lama com gosto. Por fim, a pintura Namib Orange foi coberta por um marrom literalmente vivo, que escorria pelas laterais e preenchia as rodas - que podem ir de 19 a 22 polegadas.

Fiz trilha sem sujar os pés, um fato inédito para quem nunca sai limpa de passeios 4x4. Devolvi o carro com a cobertura mais bonita que o SUV poderia receber e que não está na paleta das 18 cores de pintura oferecidas para o SUV. Na versão testada, há itens que chegarão ao Brasil apenas como opcional, elevando o preço do carro ainda mais - e, olha que ele deve beirar os R$ 500 mil. E entreguei o carro, após 600 quilômetros de teste, naquele estado de sujeira... Tudo bem, o novo Discovery aguenta, afinal, ele é o carro mais capaz da Land Rover. Bom, por enquanto. 

Uma dica para futuros proprietários: conheçam bem o seu carro, descubram do que ele é capaz e divirtam-se sem limites! 

Aguardem informações sobre pacotes e preços a partir de 20 de março no WM1.