Fiat Argo HGT 1.8 AT6

Já aceleramos o Fiat Argo 2018!

Levamos para a pista a versão topo de linha HGT, equipada com motor 1.8 EVO e câmbio automático de seis marchas

WM1 / 31/05/2017 às 03:00

A disputa entre Chevrolet Onix e Hyundai HB20 inspirou a Fiat. Isso mesmo! De olho nos dois best-sellers do mercado brasileiro da atualidade, a marca italiana lança no Brasil o Argo, modelo que mata imediatamente o Punto e, com o tempo, deverá enterrar de vez o experientíssimo Palio.

Os preços do Fiat Argo ainda não foram revelados, mas nós do WM1 já aceleramos o modelo na pista da Fazenda Capuava, em Campinas, interior de São Paulo. A única opção disponível era a topo de linha HGT, equipada com motor 1.8 16V EVO bicombustível e duas opções de transmissão: manual ou automático, ambos de seis marchas.

No entanto, antes de detalhar o desempenho do Argo, é importante destacar que outros dois motores estarão à disposição – 1.0 FireFly de três cilindros e 1.3 FireFly, de quatro ‘canecos’ – e outros dois câmbios – manual ou automatizada GSR (mesma presente no Mobi). Para estes propulsores e transmissões, a única configuração disponível é a Drive.

FIAT ARGO 2018 - VERSÕES
Fiat Argo Drive 1.0 FireFly Manual
Fiat Argo Drive 1.3 FireFly Manual
Fiat Argo Drive 1.3 FireFly GSR
Fiat Argo Precision 1.8 EVO Manual
Fiat Argo Precision 1.8 EVO AT6
Fiat Argo HGT 1.8 EVO Manual
Fiat Argo HGT 1.8 EVO AT6

OLHOS NOS OLHOS

Se a primeira impressão é a que fica, podemos dizer que o Fiat Argo, na versão HGT (repito: na versão HGT), está bonito na ‘fita’. Um pouco, devemos admitir, por romper de maneira brusca – graças aos deuses do design – o ar ‘simpático’ dos últimos modelos da marca italiana por aqui.  Muito por realmente incorporar traços arrojados, apostando em faróis e lanternas afiladas, muitos vincos no teto, capô e laterais, apliques aerodinâmicos (spoiler, aerofólio e saias) e rodas de liga leve com belo desenho.

O interior traz um acabamento sóbrio, utilizando bastante plástico texturizado – todos agradáveis ao toque. Destaque para os cromados utilizados sem exagero e o acertado investimento em tons escuros - preto, na grande maioria. No caso da versão HGT avaliada por nós, uma peça plástica vermelha cortando o painel central chamou bastante a atenção. Um leve exagero diante de uma certa discrição. Combinação que agradou.

Na maciota, para buscar uma simulação de cidade, o conjunto mecânico mostrou desenvoltura. As marchas passam suavemente, sem trancos ou momentos de indecisão

SÓ O PÉ DIREITO

Chave no bolso e botão pressionado para dar vida ao Argo. Ajustes de altura e profundidade da coluna de direção, além de regulagem de altura do banco, deixam o motorista na poltrona de casa. O volante é multifuncional e tem excelente pegada, além de base achatada – um toque visual para imprimir esportividade.

Manopla na posição ‘D’ e ganhamos o asfalto da Fazenda Capuava. Na maciota, para buscar uma simulação de cidade, o conjunto mecânico mostrou desenvoltura. As marchas passam suavemente, sem trancos ou momentos de indecisão. As acelerações não chegam a ser um assombro, mas as retomadas até que agradam e surpreendem pelo fato de o casamento ‘motor+câmbio’ ser o mesmo do insosso Renegade. Nada como ser mais leve para ganhar em desenvoltura.

A eficiência em relação ao Jeep é maior também, mas não muito. Os níveis de consumo, de acordo com o Programa Brasileiro de Etiquetagem do INMETRO, ficaram, na cidade, em 8 km/l (etanol)/11,5 km/l (gasolina), e na estrada em 9,6 km/l (e)/13,8 km/l (g). Lembrando: função start-stop é de série...

O quesito performance não empolga, mas diverte – especialmente em uma pista. Claro que seria muito melhor contar com uma variação turbo, remetendo aos Punto e Bravo T-Jet. Com uma tocada mais puxada, abusando do acelerador e deixando para frear um pouco mais dentro das curvas, a gente percebe que o câmbio está ajustado para preservar todo o conjunto de qualquer exagero ou irresponsabilidade. Ao buscar marchas para baixo, espetando a aleta esquerda atrás do volante, automaticamente o sistema apita e não executa a operação, obrigando abusar mais dos freios para não passar reto.

O quesito performance não empolga, mas diverte – especialmente em uma pista. Claro que seria muito melhor contar com uma variação turbo, remetendo aos Punto e Bravo T-Jet

Um ponto a exaltar é o equilíbrio do carro. Por ser tração dianteira, naturalmente arrasta um pouco mais a frente quando ‘damos pé’ na saída das curvas. Os controles de tração e estabilidade estão lá – são de série -, mas não atuam de maneira intrusiva, limando a diversão de quem busca esportividade. Claro que se der um coice no pedal da direita, o sistema vai impedir ‘besteiras’. Mas se for progressivo, deitando e dosando o pé, o Argo consegue ser interessante. Entendam: interessante para um carro que não é e nem tem pretensões de ser de pista.

A suspensão é firme e traz uma inclinação dentro dos limites. Como o asfalto da Fazenda Capuava é um tapete persa, não podemos cravar que consegue absorver bem ou mal as imperfeições de uma rua ou avenida.

A direção elétrico é progressiva e muito confortável para manobras. Nos boxes, para tirar um dos carros, foi possível sentir a leveza do sistema. Na pista, o volante ganha peso em uma medida equilibrada, sem limar completamente a comodidade.

E PARADO?

O Fiat Argo foca Chevrolet Onix e Hyundai HB20, mas aposta em medidas superiores. Tem 4 metros cravados de comprimento e 2,52 metros de distância entre os eixos. A grande sacada está na largura, com 1,75 metro. O porta-malas vai no padrão da massa: 300 litros. O espaço para quem viaja no banco traseiro não é fantástico, mas muito bom em comparação a Onix e HB20.

Em termos de equipamentos, a grande sacada da Fiat foi incorporar no Argo uma central multimídia com tela de 7 polegadas sensível ao toque e compatível com Apple CarPlay e Android Auto. Parece bobagem, mas este nível de conectividade que fez do Chevrolet Onix, com a central MyLink, um sucesso de vendas entre os hatches compactos.

Outros itens de série da versão HGT são: ar-condicionado, bancos e vidros elétricos (nas quatro portas), auxílio de partida em rampa, controlador e limitador de velocidade, faróis de neblina, rodas de liga leve de 16 polegadas, retrovisores elétricos, volante revestido em couro, quadro de instrumentos com tela de 7 polegadas, freios ABS (antitravamento) com EBD (distribuição eletrônica da força de frenagem) e airbag duplo frontal.

Os opcionais ficam por conta dos side bags, câmera de ré, sensor de estacionamento traseiro, ar-condicionado digital, sensores de chuva e crepuscular, bancos revestidos em couro e rodas de liga leve de 17 polegadas.

Em termos de equipamentos, a grande sacada da Fiat foi incorporar no Argo uma central multimídia com tela de 7 polegadas sensível ao toque e compatível com Apple CarPlay e Android Auto

CONCLUSÃO

Definir se vale a pena ou não, fica impossível sem saber os preços das versões. No entanto, é possível ver o Argo como um carro competitivo. Estrategicamente posicionado em um segmento que vende muito bem – algo que a Fiat errou um pouco com o Mobi, que começa somente agora a engrenar nas vendas. Não acredito, inicialmente, que o Argo se tornará em um curto espaço de tempo no carro mais vendido do Brasil, desbancando Onix e HB20. Vejo o Fiat mais em sintonia com o futuro Volkswagen Polo, que chega ainda este ano ao mercado. Vamos ver...

VIDEO

Jogador de futebol frustrado, resolveu ser jornalista para escrever sobre tudo que tivesse motor, fizesse (muito ou pouco) barulho e fosse possível de pilotar. Aficionado por superesportivos e clássicos, pensa agora acelerar também sobre duas rodas...

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