Comparativo Chevrolet Onix LT x Hyundai HB20 Comfort Plus

Clássico das multidões: HB20 x Onix

Colocamos no 'gramado' as versões Comfort Plus do Hyundai e LT do Chevrolet para um 'jogo' de motores 1.0

WM1 / 28/02/2017 às 00:30atualizado 02/03/2017 às 11:06

Em um passado não muito distante, o principal derbi do ‘Campeonato Brasileiro de Automóveis’ era entre Volkswagen Gol e Fiat Uno. Estes dois sempre proporcionaram ‘jogos’ duríssimos, independentemente de ser um ‘clássico’ entre versões de entrada ou configurações esportivas, como GTI e 1.6 R. Hoje, estes dois ‘times’ (Gol e Uno) continuam no mercado, mas não são mais protagonistas. Este papel cabe agora aos ‘mais vendidos’ de 2016, Chevrolet Onix (1º) e Hyundai HB20 (2º). Por conta disso, resolvemos colocar frente a frente estes dois modelos em suas opções LT e Comfort Plus, respectivamente – ambos com motor 1.0 aspirado e câmbio manual.

Como a ‘partida’ envolve dois veículos de entrada, vamos direto ao ponto: custos. Afinal, cada centavo para o ‘torcedor’, ou melhor, consumidor destes modelos faz (muita) diferença. E o equilíbrio mostra que o detalhe vai decidir o duelo. Quem errar menos, vai vencer. O Hyundai parte de R$ 45.830, enquanto o Chevrolet não sai por menos de R$ 45.690 – uma diferença de R$ 140.

O HB20 apresenta revisões periódicas mais em conta. Nas manutenções até 60.000 km é preciso desembolsar R$ 2.635. No caso do Onix, o valor salta para R$ 2.948. Lembrando que a Hyundai dá cinco anos de garantia, sem limite de quilometragem, enquanto a Chevrolet fica nos ‘básicos’ três aninhos.

O Onix dá sinais de que está vivo no embate com preços de seguro mais competitivos. De acordo com cotação realizada junto ao Autocompara, o valor médio da apólice para um homem de 35 anos, casado e que utiliza o carro para ir e voltar do trabalho e em momentos de lazer, é de R$ 3.055 (franquia de 3.035). Para o Hyundai, o custo fica em R$ 3.860 (franquia de R$ 3.715).

CUSTO-BENEFÍCIO

O Hyundai HB20 apresenta suas credenciais em custo-benefício com uma lista de itens de série ‘ok’: direção hidráulica, ar-condicionado, travas elétricas, vidros elétricos nas portas dianteiras e traseiras, computador de bordo, ISOFIX para ancoragem da cadeirinha de criança no banco traseiro, volante multifuncional e rádio com conexão Bluetooth, streaming de áudio, MP3 player, entradas USB e auxiliar.

Importante ressaltar que o único opcional disponível é a pintura, que pode custar R$ 650 a mais. Caso, no entanto, queira algo a mais em termos de equipamentos, a única saída é partir para outra versão – Comfort Plus blueMedia (R$ 48.530).

O Chevrolet segue a mesma linha nos equipamentos: ar-condicionado, trava elétrica, vidros elétricos somente nas portas dianteiras, rádio com MP3/WMA player, Bluetooth, entradas auxiliar e USB. A direção, no entanto, é elétrica e há monitoramento da pressão dos pneus.

Um destaque é o pacote básico do OnStar (que custa R$ 50/mês) ser de série no Onix LT, que permite um diagnóstico técnico do modelo via App (Aplicativo) e possibilita a recuperação do veículo em caso de roubo ou furto – a partir de um contato com a central OnStar é possível, de maneira remota, bloquear o motor do Onix. Este recurso já tem conquistado o respeito das seguradoras, o que explica parte do seguro do Chevrolet ser mais em conta que do Hyundai.

O pênalti para o Chevrolet é a ausência do computador de bordo, item fundamental para que o motorista possa, por exemplo, monitorar o consumo médio do veículo todos os dias apenas olhando para o painel de instrumentos. Não há sequer um leitor para temperatura do motor. O ISOFIX também ficou de fora.

A pintura é opcional no caso do Onix, podendo variar de R$ 600 a R$ 1.350. No entanto, antes de mudar de versão, quem escolhe pelo Chevrolet LT pode desembolsar R$ 1.460 e receber volante multifuncional e central multimídia MyLink com tela de 7 polegadas sensível ao toque e compatível com Android Auto e Apple CarPlay – recurso que carros que custam muito, mas muito mais, não têm. Completinha, a versão LT fica em R$ R$ 48.500.

PERFORMANCE

Apesar dos motores 1.0 aspirados de até 80 cv de potência máxima (etanol) e transmissão manual, Chevrolet Onix e Hyundai HB20 adotam filosofias diferentes. Enquanto o modelo da marca norte-americana utiliza um propulsor de quatro cilindros (oito válvulas) e uma caixa de seis velocidades, o da fabricante sul-coreana vai com bloco de apenas três cilindros (12 válvulas) e câmbio de cinco marchas.

Rodando, o HB20 é mais voluntarioso no trânsito caótico das grandes cidades, com acelerações e retomadas em baixas para médias velocidades mais intensas. E isso se deve ao torque de 10,2 kgf.m entregue a 4.500 rpm. No Onix, o torque é ligeiramente menor (9,8 kgf.m) e surge em sua plenitude um pouco mais tarde (5.200 rpm). O peso acaba influenciando um pouco, já que o Onix é 41 kg mais ‘magro’.

É preciso ressaltar, no entanto, que a aspereza do ‘coração’ do Hyundai é mais latente. O nível de ruído e de vibração que atinge o interior quando se pisa fundo no acelerador é ligeiramente maior que no Chevrolet, que oferece uma suavidade que chama a atenção.

O funcionamento da transmissão de cinco marchas do HB20 agrada demais. Tem engates curtos e precisos, ideal até para uma tocada mais esportiva – apesar de a proposta não ser esta. O câmbio de seis velocidades do Onix também vai bem, mas os engates – curtos também – são um pouco mais duros.

E a opção de ter seis marchas se justifica no consumo de combustível. De acordo com o Programa Brasileiro de Etiquetagem do INMETRO, o Onix é mais econômico que o HB20 tanto na cidade quanto na rodovia e independente do tipo de combustível. Com etanol no tanque, o Chevrolet faz 8,8 km/l no perímetro urbano e 10,5 km/l nas estradas. Já o Hyundai crava 8,5 km/l e 9,9 km/l, respectivamente.

O ajuste da suspensão é bom nos dois modelos, absorvendo com eficiência – e em silêncio – as imperfeições do asfalto. Também é firme na medida para impedir inclinações exageradas da cabine em frenagens bruscas ou em curvas mais acentuadas, transmitindo segurança ao motorista. Os freios – em ambos os concorrentes – são a disco na dianteira e tambor na traseira. Sistema ABS (antitravamento) e EBD (distribuição eletrônica da força de frenagem) é de série em Onix e HB20. Nenhum dos dois tem controle de tração ou estabilidade.

COTIDIANO

A posição ao volante é muito parecida no Chevrolet e no Hyundai. Ambos não contam com qualquer tipo de regulagem da coluna de direção, um ‘inferno’ para os motoristas mais altos que acabam ficando com o volante praticamente no colo. Os dois oferecem, para amenizar esta falha, ajuste de altura do banco do condutor.

O acabamento também é bem parecido entre os concorrentes. Não há requinte de materiais – os plásticos duros estão em todas as partes –, mas salta aos olhos a inexistência de rebarbas nas peças e a qualidade dos encaixes, não permitindo espaços que atestam eventual falta de capricho.

Em relação às medidas, os dois carros são extremamente parecidos. O Chevrolet é 1 cm maior (3,93 m frente a 3,92 m) e tem distância entre os eixos 2 cm superior (2,52 m ante 2,50 m). No entanto, o porta-malas do Hyundai é 20 litros maior (300 l contra 280 l)

CONCLUSÃO

Não houve goleada. Aliás, o jogo foi bastante truncado. Seria fácil declarar um empate neste clássico, tamanho é o equilíbrio entre Onix LT 1.0 ECO e HB20 Comfort Plus 1.0. Os valores iniciais são praticamente os mesmos, os números de consumo são muito próximos e os espaços internos, idênticos. No entanto a vitória vai para o Hyundai por entregar um desempenho superior no perímetro urbano – é um carro muito esperto no dia a dia – e por trazer uma lista de equipamentos inicial mais completa, com itens como ISOFIX, espelho retrovisor externo elétrico, vidros elétricos também nas portas traseiras e computador de bordo que o Onix fica devendo.

Jogador de futebol frustrado, resolveu ser jornalista para escrever sobre tudo que tivesse motor, fizesse (muito ou pouco) barulho e fosse possível de pilotar. Aficionado por superesportivos e clássicos, pensa agora acelerar também sobre duas rodas...

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