Off-Road Connected Convoy da Land Rover

Off-road sem motorista, por que não?

Land Rover mostra que trilha sem motorista é só questão de tempo

WM1 / 06/09/2016 às 15:45

O DNA da Land Rover é forte. Não importa se ele cruzou com SUV, com carro de luxo ou esportivo, os carros da marca sempre nascem com aquela herança de 4x4 imbatível, que começou em 1948 e foi espalhada mundo afora com a ajuda do Camel Trophy. Agora, eles querem dar um passo adiante e inserir tecnologias autônomas em veículos que rodam em pisos imprevisíveis, sem marcações, sem faixas e, algumas vezes, sem a própria estrada. E é aí que eles inovam de verdade.

Mas calma, carros da Land Rover totalmente autônomos ainda não existem, a marca está desenvolvendo tecnologias para que isso aconteça algum dia. O WM1 foi ao Reino Unido conhecer sistemas que identificam o terreno por onde o LR está passando, que são capazes de fazer os carros seguirem em comboio em uma trilha ou um safari, e que ajustam a velocidade no piloto automático para o carro transpor um rio, fazer uma curva ou passar em um atoleiro.  

Off-road Connected Convoy

De cara, fui convidada a conhecer um sistema no qual os veículos compartilham informações na trilha. Na demonstração, eles conectaram dois Range Rover Sport equipados com a tecnologia DSRC (Dedicated Short Range Comunication) para criar um comboio conectado. Segundo os engenheiros da marca, é possível conectar muitos carros ao comboio, mas não me deram um número exato.

O sistema wireless compartilha as informações do primeiro carro com os demais da fila, como localização, derrapagem das rodas, mudanças na altura da suspensão, ajustes do All-Terrain Progress Control (um tipo de piloto automático off-road que já existe nos carros da marca) e ajustes do Terrain Response, que são os modos de pilotagem que regulam os parâmetros dos carros da Land Rover para diversos tipos de piso.

Se o primeiro carro enfrenta dificuldades no off-road, os demais são avisados instantaneamente. Agora, isso ainda é mostrado na tela de um tablet, por um aplicativo, mas no futuro todos os carros do comboio devem ser ajustados automaticamente ou até podem se reprogramar para desviar daquela rota.

Segundo a Land Rover, o sistema é perfeito para Safaris –onde os carros têm que seguir um veículo líder- ou mesmo para motoristas inexperientes que se apavoram no off-road. Cá entre nós, o sistema também vai cair como uma luva para os percursos de dunas dos Emirados Árabes, onde a Land Rover vende muitos carros e certamente vai lucrar bastante com todos esses assistentes.

Eu, como jornalista, e pra piorar, uma jornalista que praticamente nasceu dentro de um jipe, fiz algumas provocações aos engenheiros, do tipo: "o cara gosta de off-road não vai usar isso, né? O iniciante nunca vai aprender a sair de uma enrascada, já que o carro vai fazer tudo por ele. E se o cara da frente fizer uma besteira nosso carro também vai fazer?". Eram muitas perguntas e nem tantas respostas assim, mas a melhor delas foi: o motorista sempre terá a opção de escolher. Na maioria dos casos, todos esses assistentes contribuem para a segurança. Mesmo assim, eu sempre digo, um pouco de noção nunca é demais.

Depois de dirigirmos um luxuoso Range Rover Sport 2016, a Land Rover utilizou uma interessante estratégia – e que poderia funcionar para os dois lados.

Nos deram a oportunidade de dirigir um WJP Série 3 ano 1979 com câmbio manual. Lembre-se que a direção fica do lado direito e o câmbio do lado esquerdo. Enquanto alguns jornalistas resmungaram pelo desconforto e falta de tecnologia do irmão mais velho do Defender, eu me diverti. Assista:


TBSA

A outra novidade apresentada foi o TBSA (Terrain Based Speed Adaption), que é uma evolução do já conhecido All Terrain Progress Control (aquele piloto automático off-road). Agora, o sistema consegue ler o terreno 30 metros à frente e regular a velocidade automaticamente para transpor o obstáculo. Avançados sensores fazem a varredura do terreno para entender quão “casca grossa” é o piso, identificar valas e barrancos. Neste modo, o motorista precisa apenas determinar a velocidade máxima e controlar o volante. Aí, com as informações do terreno, o carro reage rapidamente ao ambiente, encontrando uma velocidade segura e que mantenha o conforto dos ocupantes na buraqueira.

O interessante é que o próprio sistema toma decisões. Ele reduz a velocidade em curvas, quando a suspensão acusa que está tendo muito trabalho, ou para transpor uma erosão. Ele também acelera sozinho ao identificar uma situação que exija mais “motor”.

Surface ID

O Surface ID identifica o tipo de piso –se é asfalto, grama molhada, terra, cascalho, pedra, neve-, antes do carro chegar nele de fato. Este é um dos primeiros passos em direção à condução autônoma off-road, já que assim o carro pode ajustar a tração adequada para transpor aquele tipo de piso, seja ele gelo na pista ou um simples cascalho. Eles ainda estão trabalhando para identificar a maior quantidade de texturas possível e essa tecnologia ainda não tem data para chegar nos carros de produção. Além da Land Rover, a Ford já apresentou um modelo autônomo capaz de rodar na neve, piso de baixíssima aderência. 


O desenvolvimento dessas duas últimas tecnologias ainda está no início. Dentro do carro, dividimos espaço com telas, ao menos um computador, um monte de fios, além de sensores e câmeras instalados na parte externa do carro. Nem pense em desligar o veículo. Segundo a engenheira da marca presente em uma demonstração, se o veículo for desligado, eles têm que fazer toda a programação novamente.

Ainda falta muito, mas a marca está no caminho certo. Para a alegria de alguns e a tristeza de outros, o bom e velho 4x4 ficará mais inteligente do que nunca. Aos puristas, fica o recado: se você quer diversão, assuma o volante. E outra, ter que rebocar aquele seu amigo "bração" que só empaca a trilha está com os dias contados.

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