Robocar, o carro de corrida da Roborace

Autônomos no automobilismo: conheça a Roborace

Competição de carros autônomos promete reinventar as corridas como conhecemos

WM1 / 16/05/2017 às 11:00

Uma tonelada, quatro motores e nenhum motorista. Este é o Robocar, carro que foi desenvolvido para a primeira competição de veículos autônomos do mundo, a Roborace.

As ambições são muitas, mas a Roborace ainda está dando os primeiros passos. A longo prazo, o plano é ter dez equipes competindo, cada uma com dois Robocars, em uma categoria que acompanhe o calendário da Fórmula E, corrida de veículos elétricos que está em sua terceira temporada.

O CARRO

Para movê-lo são usados quatro motores elétricos de 300 kW, um em cada roda, capazes de fazer o carro atingir os 320 km/h. Feito em fibra de carbono, ele pesa somente 975 kg, tem 2 metros de largura e cerca de 5 metros de comprimento (pouca coisa menor do que a média dos carros de Fórmula 1).

Um conjunto de sensores (5 LIDAR, 2 radares, 18 ultra-sonicos, 2 sensores de velocidade óticos e 6 câmeras), essenciais para qualquer carro que se dirija sozinho, enviam os dados para o cérebro do carro, o Nvidia Drive PX 2, processar. 

O software é a grande estrela, mas Daniel Simon, o designer do carro, não fica atrás. Aliás, para fazer a alegria do departamento de design, basta tirar os humanos de dentro do carro. Simon passou um tempo com a VW, Audi, Bentley e Bugatti, além também de ter projetado veículos para filmes como Prometheus, Capitão América, e claro, Tron: Legacy. O resultado está aí:

AS REGRAS

Sem pilotos, o foco será nas equipes de engenheiros que programam os carros.

Eventualmente, cada equipe que entra na Roborace receberá o mesmo hardware, mas irá ensiná-lo através de seu próprio software. Os carros utilizam a Inteligência Artificial através do Deep Learning, o que significa que eles são ensinados a lidar com a quantidade de dados que recebem durante a corrida, como fechadas, desvios e colisões. Ele deve ter instintos parecidos com os humanos e tomar decisões. O carro mais inteligente, ou seja, o que melhor souber lidar com as informações a sua volta, ganha.

As regras ainda não são claras e o desenvolvimento está sendo mais lento do que a Roborace planejou originalmente, logo, a ideia inicial de ter 20 carros disputando na temporada 2017 está cada vez mais distante.

COM OU SEM EMOÇÃO?

Os fãs tiveram um primeiro vislumbre do que poderia ser uma corrida autônoma quando a Roborace enviou dois carros para a pista em Buenos Aires, na etapa da Fórmula E que aconteceu em fevereiro.

Com espaço para um ser humano dentro, os protótipos não eram nada atraentes como os Robocars as fizeram sua estreia para o público. Ambos desviaram de um cão que invadiu a pista, mas um deles acabou batendo contra o muro.

Na verdade, o incidente do cachorro deu à equipe algumas idéias. As corridas poderiam ser mais como desafios, com objetos colocados na pista para que a competição ganhasse emoção, que não seria depositada apenas na velocidade com voltas em torno da pista.

Muitas das inovações na história automotiva vêm das pistas. Como a Fórmula 1 para os carros a combustão, a Roborace será um grande laboratório que vem acelerar o desenvolvimento do carro autônomo para o mercado.

OPINIÃO DA JORNALISTA

Não ter humanos ao volante oferece um nível de liberdade que as competições a motor não podem permitir, simplesmente por preservar a vida do piloto. E convenhamos que os humanos e suas habilidades sempre foram aquela pitada extra de emoção. Queremos ídolos de carne e ossos, não máquinas. Chegou a era em que vamos idolatrar computadores? #meodeos

Para Bryn Balcombe, chefe de tecnologia da Roborace, o desafio será preservar o amor das pessoas pelo carro mesmo com a Inteligência Artificial no comando. De fato, o tema gera muitas questões: Vai haver ética na corrida de autônomos? Quando os carros colidirem, alguém será punido? Podemos criar carros que repliquem habilidades e personalidades de grandes pilotos como Nikki Lauda, Alain Prost ou Ayrton Senna (leiam, com seus prós e contras)? O autobilismo como conhecemos vai morrer para que a vida dos pilotos seja preservada?  Não recebi uma resposta clara para essas questões durante o GTC 2017, conferencia de tecnologia que aconteceu de 8 a 11 de maio em San Jose, na Califórnia.

Ok, a Roborace é muito interessante. Contudo, adianto que vai ser difícil convencer uma conterrânea de Ayrton Senna e viciada em MotoGP, como eu, que tirar o motorista de seu posto vai tornar as corridas mais legais. Mais seguras, sem dúvida. Mais emocionantes, não sei. Talvez pelo fato de que os humanos não estão a bordo, e sequer estão no controle direto dos carros. E confesso que isso até me dá um pouco de medo.

Enfim, acompanharei os avanços da Roborace e os manterei informados. Só espero que a moda dos autônomos não chegue à motovelocidade.

Sempre preferiu carrinhos a bonecas. Seu primeiro brinquedo motorizado foi um Jeep Willys 1951, que dirige até hoje. É realizada escrevendo sobre veículos, seja ele qual for. Acorda cedo para assistir ao MotoGP.

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