Toyota Prius 1.8 CVT

Afinal, o que é um carro híbrido? Saiba tudo aqui

Tecnologia que combina motor a combustão com elétrico foi um dos assuntos automotivos mais pesquisados no Google em 2017

WM1 / 11/01/2018 às 08:30

Em 2017, a pergunta campeã de buscas no Google no que se refere ao setor automotivo foi "o que é um carro híbrido?". Não é de surpreender, porque o assunto nunca esteve com tanta evidência quando se trata de automóveis - no fim do ano passado, inclusive, a Toyota anunciou que já tem um protótipo pronto para testes do Prius (foto acima) com tecologia flex, ainda sem data de lançamento, que poderá se tornar o primeiro híbrido bicombustível do mundo a ser comercializado.

Para acabar com essa dúvida, nós do WM1 vamos explicar o que caracteriza um híbrido. Basicamente, é um veículo que utiliza motor a combustão interna associado com um ou mais motores elétricos para impulsionar o veículo, com o objetivo de reduzir o consumo de combustível, aumentar a autonomia e, de quebra, reduzir as emissões de poluentes.

Trata-se de uma estratégia das montadoras para se adequarem às exigências de emissões e de eficiência energética cada vez mais rígidas, especialmente na Europa, e de uma transição rumo a um caminho sem volta: o da eletrificação total  dos automóveis, que se encaminha para acontecer nos próximos 20 anos na Europa, onde países como o Reino Unido já estabeleceram data para proibir a venda de carros com motor a combustão - no caso, a partir de 2040.

Enquanto os carros elétricos ainda oferecem autonomia limitada e, especialmente em países como o Brasil, não contam com infraestrutura para recarga das suas baterias, os híbridos aparecem como um meio-termo, oferecendo os benefícios da eletrificação, como zero emissões de poluentes no modo totalmente elétrico, com a comodidade dos modelos a combustão, que dispõem de uma rede estruturada e consolidada para reabastecimento e manutenção, (ainda) a custos mais baixos.

Basicamente, um carro híbrido é composto pelos seguintes componentes principais: motor a combustão, seu respectivo tanque de combustível, um ou mais motores elétricos, baterias para armazenar e fornecer energia a esses motores, transmissão e uma central eletrônica que gerencia a interação entre os propulsores. Geralmente, os híbridos também funcionam com duas voltagens diferentes: a tradicional de 12 volts, responsável por abastecer os sistemas elétricos convencionais, e de alta voltagem, para as baterias da propulsão elétrica.

Híbridos como o Prius, por exemplo, usam o motor elétrico para tirar o carro da imobilidade, posto que esse tipo de propulsor tem 100% de torque a 1 rpm, enquanto unidades a combustão precisam girar a mais de mil rotações para atingir o torque máximo. Em determinadas situações, com velocidade constante e com quilometragem limitada, o Prius é capaz de rodar somente no modo elétrico, mas basta pisar mais fundo no pedal do acelerador que o propulsor a gasolina volta a funcionar automaticamente, para dar uma força extra. Com o Ford Fusion Hybrid, outro dos poucos híbridos vendidos hoje no Brasil, o funcionamento é semelhante.

Lançado originalmente em 1997 como o primeiro híbrido do mundo produzido em larga escala, o Prius é considerado um híbrido convencional do tipo paralelo, que usa os motores elétrico e a gasolina alternadamente para tracionar o veículo, no caso sempre priorizando a economia de combustível. Carros como o Prius vendido no Brasil usam a desaceleração e as frenagens para aproveitar a energia que seria desperdiçada na forma de calor para convertê-la em eletricidade - nessas condições, o motor elétrico funciona como um gerador que envia carga para as baterias, que também podem ser reabastecidas pelo propulsor convencional.

Sistemas adicionais, como o start-stop que desliga automaticamente o motor a gasolina em paradas rápidas no trânsito, às vezes com o carro ainda desacelerando, ajudam a economizar ainda mais combustível.

Recentemente, têm se popularizado os híbridos do tipo plug-in, que além das estratégias citadas acima para recarregar as baterias, podem reabastecê-las como um veículo elétrico, plugando o carro em uma tomada de energia. Esses híbridos trazem baterias de maior capacidade e, portanto, podem rodar mais quilômetros e em velocidades mais altas no modo 100% elétrico. O próprio Prius ganhou recentemente no exterior uma versão plug-in.

MILD HYBRIDS

Os híbridos paralelos também contam com um tipo de tecnologia mais acessível e que tem ganhado popularidade, inclusive com protótipos já rodando em testes no Brasil (os modelos são mantidos em segredo), com lançamento local ainda a ser definido: trata-se do mild hybrid ou híbrido leve, tecnologia já presente em modelos como Q7 e A4, da Audi, e lá fora também em carros mais em conta, como Citroën C3 e Smart Fortwo.

O sistema mild hybrid é uma espécie de evolução do start-stop e consiste em substituir essa função, mais o motor de arranque e o alternador (gerador de energia) em uma peça só, chamada de BSG pela Valeo, uma das sistemistas que atualmente oferece a tecnologia às montadoras. BSG é a sigla para belt starter generator, o que significa na tradução para o português algo como gerador e motor de arranque por correia.

Além de assumir as tarefas de ligar o motor a combustão, recarregar as baterias e desligar o motor em determinadas situações para poupar combustível, o BSG pode ser revertido como um pequeno propulsor elétrico, auxiliando o convencional em determinadas situações, seja para reduzir o consumo, seja para dar um ganho de desempenho em determinadas condições, ajudando a tracionar as rodas - como uma função de "boost" - ganho temporário de performance.

De acordo com a Valeo, já existem no Brasil "protótipos em teste na intenção de avaliar os ganhos das novas tecnologias (mild hybrid)". J"á existem estudos para aplicações flex", informa a empresa.

O mild hybrid exige uma bateria adicional para operar, seja de 12 volts ou de 48 volts - a de maior voltagem é utilizada em carros de maior desempenho,  a exemplo dos já citados Q7 e A4. De acordo com Sandro Soares, gerente de engenharia de aerodinâmica e eficiência energética da FCA (Fiat-Chrysler Automóveis), essa tecnologia significa custos entre 40% e 50% maiores com 12 volts na comparação com o sistema start-stop, enquanto sobe para cerca de 80% com bateria de 48 volts.

HÍBRIDOS EM SÉRIE

Por fim, também existe a modalidade dos chamados carros híbridos em série, nos quais o motor a combustão é ligado a um gerador para recarregar as baterias e fornecer energia para um ou mais motores elétricos. Nesse caso, a unidade a combustão não traciona as rodas, só serve mesmo para gerar energia elétrica. Um exemplo dessa tecnologia está no BMW i3 Rex, que traz um compacto motor de scooter a gasolina responsável por ajudar a recarregar as baterias e, com isso, elevar a autonomia do veículo.

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