Rafael Paschoalin

Diário do Paschoalin: preparação da MT-07

Piloto comenta as 'alteras' que deixaram sua Yamaha pronta para subir a montanha

WM1 / 06/06/2017 às 17:30

Olá pessoal, no último texto contei a vocês um pouco sobre as burocracias e trâmites para correr nas principais provas de road racing ao redor do mundo. Chegou a hora de dissecar a minha Yamaha MT-07 e explicar sobre todas as alterações feitas até agora.

Nota do autor: não importa se é a minha MT ou a M1 do Valentino Rossi, uma máquina de corrida nunca está pronta, sempre existe margem para melhorar (e ás vezes piorar)!

Lá atrás, quando decidi que seria uma boa participar de Pikes Peak, nos EUA, eu tinha algumas categorias para me inscrever. As principais escolhas eram: Lightweight para motos até 450cc; Middleweight para motos entre 500 e 750cc (onde estamos) e Heavyweight para motos de 800 a 1200cc. A escolha da Yamaha MT-07 era óbvia, já que com uma Yamaha MT-09 teríamos que enfrentar motos com muito mais cilindrada. Eu, particularmente, também tenho uma quedinha pela 07, e afirmo sem sombra de dúvidas que a minha moto é mais rápida que qualquer 09 original, entenda como:

Se você busca mais velocidade, aceleração, frenagem e equilíbrio para curvas comece com a dica do mestre Colin Chapman e “adicione leveza”. Motos de corrida não precisam de placa, luzes, cavaletes, espelhos e muitas outras coisas. Só na retirada de peças como farol, pedaleiras e suporte de placa economizamos pouco mais de 4 kg e isso também vale para o piloto, de nada adianta aquela depenada na motoca para depois você, pimpão, exagerar no carboidrato como se não houvesse amanhã.

Eu, particularmente, também tenho uma quedinha pela 07, e afirmo sem sombra de dúvidas que a minha moto é mais rápida que qualquer 09 original

Outros 3 kg se foram com a troca do escape original pelo modelo full da Jeskap. Aliás, foi lá mesmo que desenvolvemos algumas das receitas, com tamanhos e diâmetros de tubos diferentes. Foram cerca de 200 passagens de dinamômetro e o resultado foi o ganho de mais de 3 cv e quase 0,4 kg de torque.

Esqueça o termo “minha moto bebe muito”. Sua moto na verdade respira muito, pois a mistura correta do que ela ingere é de mais ou menos 13 partes de ar para uma de combustível (motores a gasolina). Dessa forma, se estamos na luta atrás de mais potência e torque, temos que fazer, a grosso modo, que mais ar seja sugado para dentro do motor, colocando assim mais combustível e melhorando o resultado a cada ciclo de explosão. Você deve estar pensando na substituição do elemento do filtro de ar e também em velas de iridium certo?

Fui um pouco mais longe parceiro, e do filtro de ar restaram apenas as cornetas. Também trabalhamos com base nos dados do banco de fluxo, e percebemos que o cabeçote da MT é muito bom, o que estrangula a passagem de ar é na verdade o corpo de borboleta. Retrabalho nos dutos do cabeçote, 6 décimos para aumentar a taxa de compressão, ângulo de válvulas e muito mais. Esta foi a primeira parte do projeto. O passo seguinte foi a fabricação de novos comandos de válvula com mais duração e um pouco mais de levante. Testamos dois tipos de enquadramento até chegar na melhor opção para Pikes Peak. A cereja do bolo veio com o remapeamento da ECU, usando sempre um datalogger, acertamos a mistura, colocamos ponto onde deveria e até o freio motor foi minimizado.

Desculpe pelo excesso de termos técnicos mas esse parágrafo acima pode ser resumido em 90cv e mais de 8 kgf.m de torque, algo surpreendente ante os 75cv e 6,9 kgfm de torque originais da MT-07.

Melhorar o desempenho de aceleração foi divertido, mas a melhor parte sem dúvida foi colocar a MT nos trilhos, e para isso substituímos os pneus originais por grudentos Metzeler Racetec RR composto K1. As suspensões, sem dúvida o ponto fraco de qualquer MT original, ganharam válvulas emuladoras e novo fluído na dianteira e um amortecedor Mupo AB 1 EVO na traseira. Mudou da água para o vinho e na sequência tivemos que dar um upgrade nos freios com pastilhas AP Racing e linhas HEL. Para terminar, a posição de pilotagem ficou mais esportiva com pedaleiras reguláveis Bullet. Sliders de chassi e eixo, as tampas de motor são da marca R&G e a relação secundária, dois dentes maior na coroa, agora tem passo 520.

Se você já pilotou uma Yamaha MT-07 original sabe que é completamente digna a sigla MT de Master of Torque. Essa moto sai do semáforo em 2ª marcha como se estivesse em primeira e 15 metros depois você pode engatar a 4ª marcha a 50 km/h que ela segue sem qualquer tropeço. Tudo isso é muito bom para Pikes Peak, uma subida vertiginosa com incontáveis curvas tipo cotovelo que contorno de 2ª marcha. Por isso mesmo, na escolha do nosso target de preparação, optamos por elevar ao máximo a potência e elevar para para rotações mais altas os picos de potência e torque. Hoje a minha moto está mais elástica, o torque em baixa não foi afetado, porém, de 7000 rpm em diante ela se transforma como se houvesse um comando variável.

Por enquanto é isso pessoal. Como não trouxe a minha moto do Brasil para os EUA, tenho muito trabalho a fazer e remapear de forma completamente nova a ECU devido ao combustível e altitude aqui do Colorado.

Não poderia terminar sem agradecer pessoas especiais que estão sempre dispostas a me ajudar e contribuíram muuuuito para a minha Yamaha MT chegar onde chegou: Roberto Cascão, Marcelo Peixoto, Jorge Sobe, Fabio Guerrero, Lucas Albuquerque, Pitico, Alan e Mario da Jeskap, e claro, toda minha família e patrocinadores!

It´s we e logo eu volto contando um pouco mais!

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