Porsche Panamera Turbo Sport Turismo

Teste: Porsche Panamera Turbo Sport Turismo

SW com passaporte carimbado para o Brasil é mais uma genialidade em estilo da 'Casa de Stuttgart'

WM1 / 26/09/2017 às 17:45atualizado 29/09/2017 às 14:46

Me recuso a dizer que é o Porsche mais bonito de todos os tempos, apesar de ser um aficionado por station wagons. Estaria blasfemando perante a existência e a história do mito 911. Porém, com toda a convicção, me sinto à vontade de definir a Panamera Sport Turismo como a grande genialidade em estilo da ‘Casa de Stuttgart’ dos últimos anos. Cravo tal excesso aqui neste texto, pois tive a oportunidade de acelerar este novo primor no Canadá.

O despertador em forma de smartphone me acorda ao som de Eruption (solo demoníaco do guitarrista endiabrado Eddie Van Halen) às seis da ‘matina’, hora local da belíssima cidade de Victoria, próxima a Vancouver. Desperto com rara disposição, consciente de que o trabalho do dia é avaliar a nova Panamera Sport Turismo. ‘Vestindo’ um discreto Night Blue Metallic, estacionada próxima ao café da manhã, descansa a versão Turbo destinada ao WM1.

O design é incrível. Seduz. É sua marca registrada. Os mais tradicionalistas, provavelmente os mesmos que no início criticaram o Cayenne, poderão achar a Sport Turismo esquisita. Não os critico, pois é realmente uma nova ruptura. Porém, a Porsche tem se especializado em questionar sua própria história com maestria. Impressiona a maneira como em poucos traços sobre o Panamera sedan, os designers conseguiram recriar algo com tamanha personalidade. Me agrada. E garanto: é muito mais bonita pessoalmente do que nas fotos.

Esta opção Turbo é 'cabeçuda' e está com passaporte carimbado para o Brasil - custará facilmente mais de R$ 1 milhão. Estou falando de um 'petardo' que traz novo motor 4.0 V8 biturbo a gasolina de 550 cv de potência máxima entre 5.750 e 6.000 rpm e 78,5 kgf.m de torque entre 1.960 e 4.500 giros. Apenas para se ter uma ideia, a velocidade máxima é de 304 km/h e acelera de 0 a 100 km/h em apenas 3,8 km/h – utilizando o Launch Control do pacote Sport Chrono, o tempo cai para 3,6 segundos, apenas. A transmissão é a já consagrada automatizada PDK de 8 marchas e a tração, integral.

Quis apresentar os números logo de cara para dizer que, apesar de toda esta pujança que se esconde sobre a carenagem, a Sport Turismo pode ser dócil. Não se trata de um superesportivo ‘ferida aberta’, daqueles que basta tocar no acelerador para ter uma ‘besta’ semi-indomável nas mãos. É possível apreciar este Porsche de mais de 5 metros de comprimento aos finais de semana em um passeio com a família. Temperamento bem diferente da Audi RS6 Avant, que também idolatramos...

Dirigindo como ator Morgan Freeman em ‘Conduzindo Miss Daisy’, a Panamera Turbo Sport Turismo é silenciosa e suave. Isso por conta de diversas tecnologias, como no comando dos cilindros, que permite o V8 trabalhar com apenas quatro cilindros (dois, três, cinco e oito são desligados) – isso sem falar do sistema Start-Stop e a função ‘Velejar’, que desacopla o câmbio quando o motorista retira o pé do acelerador em um aclive de rodovia, por exemplo, permitindo que o Porsche ‘veleje’ (deslize suave). Aliás, as trocas de marchas são imperceptíveis. De acordo com números oferecidos pela fabricante, o ‘canhão’ faz 7,7 km/l na cidade e interessantes 10,6 km/l na rodovia.

Não se trata de um superesportivo ‘ferida aberta’, daqueles que basta tocar no acelerador para ter uma ‘besta’ semi-indomável nas mãos

Estamos, no entanto, em um Porsche, e o estilo ‘passeio’ do teste logo é deixado de lado. No volante multifuncional abandono o modelo ‘Normal’ de condução, pulo a ‘Sport’ e seleciono a ‘Sport Plus’, que deixa os controles de tração e estabilidade mais permissivos, porém atuantes. A personalidade Morgan Freeman é jogada no acostamento para assumir lampejos de Robert De Niro em Ronin – claro que com um extinto muito menos destruidor...

Instantaneamente, a Panamera Turbo Sport Turismo aguça os sentidos. Tudo fica mais sensível. As respostas do acelerador são imediatas, as rotações passam a trabalhar acima dos 4.000 giros – o limite é de 6.800 rpm. O silêncio se transforma em ronco de oito canecos alucinados. A direção elétrica, antes leve e confortável, mostra uma face mais rígida e precisa, transfigurando o Porsche em um ‘torpedo’ extremamente preciso e equilibrado em suas mudanças de direção. A tração integral prega o ‘bólido’ no asfalto por conta de uma tecnologia que distribui, de acordo com a necessidade, o torque entre os eixos dianteiro e traseiro. A Panamera Turbo Sport Turismo não arrasta de frente e se recusa a escapar de traseira. As belas rodas de 20 polegadas (pneus 275/40 ZR20 na frente e 315/35 ZR20 atrás) cumprem seu papel, também.

O Porsche conquista sua confiança com naturalidade. Quando percebo, estou rabiscando as curvas e buscando o pedal da direita antes de sair completamente da curva

O Porsche conquista sua confiança com naturalidade. Quando percebo, estou rabiscando as curvas e buscando o pedal da direita antes de sair completamente da curva. Carcar o acelerador no assoalho tem como consequência uma retomada bruta – e não poderia ser diferente. É o resultado de um sistema com turbocompressores Twin Scroll que proporcionam taxas de torque em uma ampla faixa de rotação. O motor está sempre preparado para ser exigido.

A esta altura da adrenalina, já estou chamando as trocas de marchas pelas aletas atrás do volante. A capacidade de frenagem também começa a impressionar. Além de toda a eletrônica, os freios a disco na dianteira (420 milímetros com seis pistões) e traseira (380 milímetros e quatro pistões) garantem o equilíbrio do Porsche nas aproximações das curvas. A transferência de peso – estamos falando de um cara que pesa 2. 035 quilos – é quase imperceptível. E isso muito por conta da suspensão extremamente firme (independente na frente com braço transversal duplo e independente na traseira com multibraços).

Porsche tem se especializado em questionar sua própria história com maestria

Hora de relaxar e voltar a passear. A Panamera Turbo Sport Turismo é multifacetado. Além de esportivo – um superesportivo, na real – é um carro de luxo para executivos. Espaço tem de sobra, com 2,95 metros de distância entre os eixos é possível cruzar as pernas no banco de trás, que tem ainda saída de ar-condicionado e controle de temperatura. O acabamento é primoroso. Couro e peças emborrachadas, além de arremates em materiais de qualidade superior, entregam o requinte que o comprador deste Porsche exige.

E somente para acabar com a sua curiosidade, a Panamera Sport Turismo tem capacidades de station wagon, com capacidade do porta-malas para 520 litros!

Importante destacar que o design interno não entrega uma personalidade exclusiva ao modelo. Estar dentro de uma Sport Turismo é como estar dentro de um Panamera sedan, ou até mesmo de um Cayenne. O banco tem design esportivo (ajustes elétricos), assim como a empunhadura do volante (regulagens elétricas de altura e profundidade); o duto central é elevado e recheado de comandos; e o painel de instrumentos, como manda a tradição, apresenta o conta-giros central e em destaque, com o velocímetro à esquerda. A novidade é que à direita o visor ganha uma tela configurável, que permite, por exemplo, projetar o GPS.

Me agrada – e não poderia ser diferente – a tela da central multimídia de 12,3 polegadas. Sensível ao toque, e com ‘manuseio’ igual a de um smartphone, por ela é possível ter acesso a todas as configurações do carro e aos recursos de infotainment. Esta central, aliás, é compatível com serviços Apple CarPlay com comando de voz Siri, o Car Connect Services, o Connect App Services e o app Porsche Track Precision. Já o sistema de som, na unidade Turbo testada, o sistema de som era Bose com 710 watts de potência, mas existe a possibilidade de equipar o Porsche com 3D High End Surround da Burmester com potência de 1.455 watts.

Após algumas paradas e chegando à Baía de Victoria para embarcar em um hidroavião rumo a Vancouver, a sensação era a de ter testado aquele que promete ser uma das grandes referências da Porsche no mundo. Excluindo o incontestável 911, a Panamera Sport Turismo chega para marcar época como o Cayenne, depois de muita dúvida, fez, e para ir além do atual patamar do Panamera. É a grande criatura da ‘Casa de Stuttgart’ dos últimos tempos, sem dúvida.

Jornalista viajou à convite da Porsche do Brasil