Renault Kwid Intense

Primeiras Impressões: Renault Kwid Intense

Compacto entrega performance honesta e arroja naquilo que a maioria dos brasileiros mais se preocupa: preço!

WM1 / 05/08/2017 às 13:15atualizado 07/08/2017 às 08:57

Não é preciso impressionar ou surpreender para se destacar. Ser apenas simples e honesto é mais que o suficiente. E o Renault Kwid, pode acreditar, é exatamente isso: simples e honesto! Esta foi a impressão que o “SUV dos compactos” – apelido que recebeu dos marqueteiros com sotaque francês – me passou quando tive a oportunidade de rodar pelas ruas de São Paulo com a versão topo de linha Intense, que custa R$ 39.990.

Minhas expectativas, confesso, eram baixas. Aliás, inexistentes. Um compacto de entrada com preço inicial de R$ 29.990 (configuração de entrada Life) não pode e nem deve deixar alguém ansioso. E esta falta de interesse nasceu no Salão de São Paulo, em 2016, quando o classifiquei como um ‘cara’ comum. Somente mais um na multidão.

Os números de consumo são de 14,9 km/l (gasolina)/10,3 km/l (etanol) – nota A no Programa Brasileiro de Etiquetagem do Inmetro

O Kwid, porém, come pelas beiradas e convence na sutileza. Com 3,68 metros de comprimento (2,42 metros de entre-eixos), não tem porte de SUV (óbvio), mas consegue transmitir pelo design certa robustez. Altinho (1,47 metro), tem ângulo de ataque de 24° e 40°, de saída. A altura livre do solo é de 18 centímetro – apenas 1 centímetro a mais que o Fiat Mobi Way, portanto, nada impressionante. O desenho não arranca suspiros, mas agrada. É possível ver um pouco de Captur, por exemplo, nas lanternas traseiras. E chega até ser bonito frente ao Mobi, Chevrolet Onix Joy, Chery QQ...

Dentro, a simplicidade ecoa. O acabamento é básico, com bastante plástico rígido e alguns poucos – e extremamente pontuais – cromados (maçanetas e contornos dos comandos do ar-condicionado). Tudo encaixado corretamente, sem espaços exagerados entre as peças. Ao contrário dos ‘irmãos’ Duster e Captur, a qualidade do interior do Kwid é condizente com a proposta do veículo, e não inferior.

A coluna de direção não oferece nenhum tipo de regulagem (altura ou profundidade) e o banco do motorista não tem ajuste de altura. Eu, com meu ‘gigantesco’ 1,72 metro de altura, consegui vestir razoavelmente bem o Renault. Os grandalhões não vão se sentir completamente à vontade. O Renault é para motoristas tamanho P e M, não G ou GG. No banco traseiro, o espaço é programado para três ocupantes – tem até três encostos de cabeça. A realidade, entretanto, é outra. Apenas dois conseguem ficar ‘de boa’, com uma distância mínima entre os ombros. O Kwid é visivelmente estreito (1,57 metro – sem os espelhos retrovisores).

Durante o teste, utilizamos o sistema de navegação da central multimídia Media NAV, que equipa os demais veículos da Renault e traz câmera de ré, também

Chamou atenção o espaço do porta-malas: 290 litros – 1.100 litros com o banco traseiro rebaixado. O Mobi tem somente 215 litros.

AVENTUREIRO DO ASFALTO

O Renault Kwid é equipado com um único conjunto mecânico: motor 1.0 SCe (12V) de três cilindros (bicombustível) e câmbio manual de cinco marchas. Sem algumas tecnologias que o mesmo bloco oferece ao Logan e Sandero, como comando duplo de válvula variável, o ‘coração’ do compacto – ainda preciso ser convencido de que é um SUV – é um pouco mais fraco, gerando 9,8 kgf.m de torque a 4.250 rpm e 70 cv de potência a  5.500 giros, quando com etanol no tanque.

​Parece pouco, mas para o Kwid está na medida. E o motivo é simples: peso! Na versão topo de linha, o Renault ‘sobe na balança’ e o ponteiro marca 786 quilos, somente. O Mobi Way tem 940 quilos – 154 quilos ou 19,6% mais ‘gordo’. Sendo assim, as acelerações e retomadas são ‘ok’ no perímetro urbano. Falando nisso, os números de consumo são de 14,9 km/l (gasolina)/10,3 km/l (etanol) – nota A no Programa Brasileiro de Etiquetagem do Inmetro.

​Gostei bastante da transmissão. Além de ter um escalonamento equilibrado, bem casado com o motor e que evita constantes trocas de marcha, os engates são firmes, curtos e precisos. Apenas o pedal da embreagem poderia ser um pouco menos curto e mais firme. Já a suspensão tem um ajuste rígido, que poderia ser mais soft, focando o conforto. Em alguns buracos, a batida acabou sendo seca acima da média.

Já a direção elétrica é bastante confortável e, mesmo em baixas velocidades, não deixa o Kwid ‘bobo’. E à medida que a velocidade aumenta, acaba ganhando precisão.

O Renault Kwid é equipado com um único conjunto mecânico: motor 1.0 SCe (12V) de três cilindros (bicombustível) e câmbio manual de cinco marchas

Durante o teste, utilizamos o sistema de navegação da central multimídia Media NAV, que equipa os demais veículos da Renault e traz câmera de ré, também. De série na versão Intense, o recurso é interessante para o Kwid, mas os franceses estão perdendo a oportunidade de chegar com algo mais moderno, compatível como tecnologias como Android Auto e Apple CarPlay.

Entre os demais itens de série estão as rodas de aço de 15 polegadas e calota (correção: havíamos informado que as rodas eram de liga leve de 14 polegadas), travas e vidros elétricos, faróis de neblina, espelhos retrovisores externos com regulagem elétrica e abertura do porta-malas por comando interno.

Em termos de segurança, além dos equipamentos que são obrigatórios pela legislação – airbag duplo frontal em freios com ABS (antitravamento) -, a Renault incorporou airbags laterais, EBD (distribuição eletrônica da força de frenagem) atuando junto ao ABS e dois Isofix para fixação da cadeirinha infantil no banco traseiro. Uma evolução interessante em relação aos seus concorrentes diretos.

 

CONCLUSÃO

Simples e honesto. O Kwid se diferencia dos demais concorrentes por entregar o básico como todos, mas com um preço mais competitivo e atraente. E preço, aliás, foi algo que a Renault trabalhou muito bem por ter total consciência que o consumidor deste segmento, antes de tudo, valoriza cada centavo que investe em um carro. O que adianta ser extremamente conectado, com um desempenho fantástico e com uma longa lista de equipamentos de série e opcionais se a prestação não cabe no bolso?

Se bem trabalhado pela rede de concessionários, tem tudo para ser um sucesso de vendas. Desbancar o Chevrolet Onix em um curto espaço de tempo? Acho que não. Mas que se cuide Hyundai HB20...

Jogador de futebol frustrado, resolveu ser jornalista para escrever sobre tudo que tivesse motor, fizesse (muito ou pouco) barulho e fosse possível de pilotar. Aficionado por superesportivos e clássicos, pensa agora acelerar também sobre duas rodas...

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