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Ford EcoSport 2018

Primeiras impressões: Ford EcoSport Titanium 2.0

Renovado SUV ganha qualidades de produto global, mas o preço - ainda não divulgado - poderá assustar

WM1 / 25/06/2017 às 03:00

Com mais de 1 milhão de unidades produzidas, sendo 600 mil delas vendidas no Brasil, o EcoSport prepara seu voo mais ousado. Para conquistar mercados mais exigentes, como o europeu e o norte-americano, a Ford modernizou seu SUV. O WM1 acelerou a versão 2.0 Titanium e mostra para você tudo o que mudou. Mas fique sabendo, o preço desta configuração topo de linha pode ser uma novidade amarga, perto dos R$ 90 mil...

As mudanças mais profundas do EcoSport estão no interior do SUV, mas o design da carroceria não ficou de fora da renovação. E é na dianteira onde isso fica mais evidente. A Ford alinhou o modelo com seu DNA mundial de design para utilitários esportivos, afinal, este Eco será vendido em mais de 140 países. Inclusive o mais tradicional mercado da Ford, os Estados Unidos. Os faróis mantiveram a inclinação, mas as peças são maiores. Os faróis de neblina têm linhas afiadas. A grade manteve a forma trapezoidal, porém com desenho atualizado. Visto de lado, a mudança marcante são as rodas de 17 polegadas com acabamento metálico. O retrovisor foi redesenhado para melhorar os fluxos de ar. Na traseira há novo para-choque e foi mantido o estepe, algo que não acontece em outros mercados. Segundo a Ford, os consumidores brasileiros gostam desta característica do EcoSport e por isso ela foi preservada. Mudanças também na parte de cima do SUV, que ganhou teto-solar e teve a antena de rádio deslocada para a parte posterior.

Mas fique sabendo, o preço desta configuração topo de linha pode ser uma novidade amarga, perto dos R$ 90 mil...

É ao abrir a porta que o EcoSport 2018 mostra suas maiores novidades. Quase tudo que os olhos enxergam e as mãos tocam é novo. Começamos falando dos bancos, que tem nova estrutura e couro legítimo com inédito padrão de costuras. Essa cor clara é de série na versão Titanium, e também está presente no painel e nas portas. Toda a lógica da disposição dos equipamentos na cabine é para facilitar a operação do motorista, principalmente na tela de 8 polegadas. O sistema multimídia Sync 3, que já traz uma série de apps, é compatível tanto com smartphones com Android ou sistema IOS. A tela capacitiva reage como a de um tablet, bem mais rápida aos toques. A própria disposição e navegação lembram as de um smartphone, bem intuitivo.

O volante revestido em couro é novo. Nele, à direita, estão os comandos que conversam com a tela multimídia. Na parte esquerda, abaixo, está a interface do controle automático da velocidade de cruzeiro. Ainda na esquerda do volante estão os botões que selecionam as informações no cluster. Ele também é novo, com tela colorida de 4,2 polegadas. No console central há um apoio de braços elevado. Logo a frente, no painel, há novos comandos do ar-condicionado e duas entradas USB com bordas iluminadas, o que facilita encontrá-las à noite.

Outra mudança interessante na cabine está lá atrás, no porta-malas. O bagageiro ganhou um sistema inteligente, que cria uma espécie de camada no compartimento. Dessa maneira, é possível empilhar e até esconder itens. Colocada na posição mais alta, essa plataforma fica alinhada aos bancos traseiros rebatidos. Isso forma uma área quase plana para carregar objetos grandes. Aliás, o sistema de rebatimento dos bancos traseiros é fácil de operar e não exige que os encostos de cabeça sejam desmontados.

Os motores disponíveis para o EcoSport são outra novidade. Sai de cena o 1.6 e entra o motor 1.5. Neste primeiro momento a Ford só deu a imprensa detalhes da versão Titanium, que segue sendo 2.0, mas com muito mais força

Os olhos, no entanto, não percebem algumas atualizações no projeto do EcoSport. As portas ganharam mantas estruturais e reforços nas travas. Tudo para aumentar a robustez e dar ao cliente uma sensação de solidez ao fechar as portas. O capô tem manta acústica e outras peças do cofre agora tem material que absorve ruídos. Portanto, essas modificações são perceptíveis aos ouvidos.

Os motores disponíveis para o EcoSport são outra novidade. Sai de cena o 1.6 e entra o motor 1.5. Neste primeiro momento a Ford só deu a imprensa detalhes da versão Titanium, que segue sendo 2.0, mas com muito mais força. O quatro-cilindros agora tem injeção direta para gerar 176 cv quando abastecido com etanol. Este é o mesmo propulsor encontrado no Focus. Outra mudança importante está na transmissão. O câmbio de dupla embreagem Powershift vai para o banco de reservas, quem entra no lugar é o automático de seis marchas 6F.

Com novos câmbio, motor e carroceria, a engenharia da Ford precisou recalibrar o EcoSport. O projeto foi liderado pelo Brasil e envolveu mais de 700 engenheiros. Foram 1 milhão de horas de simulações virtuais de aerodinâmica, com mais 200 horas em túnel de vento para refinar o desenho do SUV. Uma curiosidade é a grade frontal com controle ativo. Nela há aletas que se abrem e fecham para otimizar a entrada de ar no compartimento do motor. Quando se liga o carro de manhã, por exemplo, elas permanecem fechadas para o 2.0 chegar à temperatura ideal o mais rápido possível. Se a temperatura ambiente estiver alta, estas aletas se abrem para permitir maior resfriamento do motor. O objetivo disso é melhorar o fluxo aerodinâmico do Ford, por isso há ainda novos defletores de ar sob o carro. Eles trabalham em conjunto com o spoiler dianteiro para diminuir o arrasto em altas velocidades. O novo modelo tem coeficiente aerodinâmico de 0,35, isso é 11% mais eficiente que o anterior segundo os engenheiros.

A tocada do EcoSport evoluiu com a nova geração, e a Ford refinou o SUV nesse pesado facelift. A suspensão dianteira tem 1,7 cm a mais de curso e buchas recalibradas. Isso, segundo a Ford, melhorou em 15% a absorção de impactos e em 40% a sensação de aspereza ao volante. A suspensão traseira foi enrijecida em 15% e a barras estabilizadores têm novas buchas. A carroceria melhorou em 5% sua rigidez torcional. A rolagem da carroceria, aquele deslocamento lateral do veículo durante as curvas, foi diminuída em 6%.

O WM1 teve um contato breve com o EcoSport Titanium 2.0 no campo de provas da Ford, em Tatuí (SP). Foram algumas voltas com unidades pré-série do SUV. Mesmo com essa experiência rápida foi possível perceber a evolução do modelo.

A eletrônica também foi atualizada para modernizar o EcoSport. A nova arquitetura, chamada de CGEA 3.1, está alinhada ao padrão global da Ford. Ela garante a melhor comunicação entre todos os módulos com o novo motor 2.0. E ainda integra os vários sistemas do SUV. Um deles é o Advance Trac com programa anti-capotamento. Ele usa as informações de vários sensores, que fazem 100 medições por segundo, para deixar o Ford em segurança. O EcoSport, se detectar risco, reduz a potência do motor e freia individualmente cada roda para que o motorista mantenha o controle do SUV. Ainda no campo da segurança, há controle de estabilidade, controle de tração, auxílio de frenagem (que aumenta a pressão no sistema de freio, caso o motorista não aplique o pé com força no pedal) e, se tudo isso não evitar a colisão, há 7 airbags sendo um deles para os joelhos do motorista.

O WM1 teve um contato breve com o EcoSport Titanium 2.0 no campo de provas da Ford, em Tatuí (SP). Foram algumas voltas com unidades pré-série do SUV. Mesmo com essa experiência rápida foi possível perceber a evolução do modelo. O EcoSport 2018 não é desajeitado ao volante como alguns outros utilitários. Ele tem a tocada quase de um hatch. Toda a atenção da engenharia com a cabine compensou. O motor 2.0 puxa bem e o câmbio automático é discreto, faz seu trabalho bem e sem alardes. Destaque também aos freios, que foram reforçados para aguentar o peso extra do motor e câmbio.

O Eco subiu de patamar, o interior é de carro premium. E talvez o problema esteja aí. A Ford não divulgou preços da versão Titanium, mas listou seus concorrentes. São todos SUVs com preços entre R$ 90 mil e R$ 103 mil. Portanto, é de se esperar que o EcoSport fique nessa faixa. Será um desafio convencer o cliente, apesar de todas as evoluções, a pagar cerca de R$ 90 mil no EcoSport. Certamente a maioria das versões vendidas terá o motor 1.5 e preços mais mundanos. Portanto, vale a pena ter paciência e experimentar o Eco 1.5.

VÍDEO

Por Carlos Cereijo

Com combustível de alta octanagem correndo pelas veias, a equipe de jornalistas do WM1 está sempre acelerando em busca das informações mais relevantes para quem está à procura do melhor negócio ou é apenas mais um aficionado por carros!

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