Primeiras Impressões: Audi RS4 Avant

Perua é equipada com motor 2.9 V6 biturbo de 450 cv de potência máxima

WM1 / 09/01/2018 às 17:45

A Audi tem um talento ímpar para criar peruas extremamente rápidas. Tudo começou há cerca de 25 anos com o tradicional RS2, desenvolvida em parceria com a Porsche, e continua  até hoje com a super sedutora RS6 Avant e com a quarta geração da RS4 Avant que, pelo menos no papel, é tida como mais uma vítima de downsizing. Isso mesmo, a nova RS4 Avant perde o glorioso V8 aspirado para ganhar um moderno V6 biturbo, que contribuiu para a criação da melhor perua RS desde a magnífica RS4 B7.

A Audi conquistou o Performance Car Gold em 2006, quando criou a RS4 B7. A fórmula era simples: acomodar o motor 4.2 V8 aspirado do super R8 dentro do capô da sétima geração do A4, nas versões sedã e station wagon, fazer combinar com um ágil câmbio manual e então presentear o Audi com um passeio suave e bem confortável, com a garantia de que a tração integral direcionasse a maior parte do seu torque para as rodas traseiras. Receita irresistível.

Trouxe consequência em 2008? Nem tanto. A RS4 B8 era um carro bom, mas só. Seu V8, por exemplo, manteve a diversão, e a transmissão de dupla embreagem extremamente rápida caiu como uma luva devido sua natureza frenética, mas, ao lado de um rival muito mais musculoso como a Mercedes-AMG C 63 S Estate, estas características foram simplesmente superadas.

O que chama a atenção é o fato de o menor e mais leve biturbo V6 ser compatível com a potência de pico de 450 cv do V8, e tamber produzir torque colossal de 61,2 kgf.m – 17,3 kgf.m a mais que o velho 4.2 V8 naturalmente aspirado

Para a quarta geração da RS4 Avant, a Audi Sport (anteriormente quattro Gmbh) tomou algumas decisões difíceis. A primeira delas foi aposentar o velho V8. Para substituí-lo, inicialmente foi considerado o poderoso V8 biturbo que alimenta a RS6 Avant, mas, no final de tudo, todas as suas características ‘sobrealimentadas’ poderiam não caber embaixo do nariz do B9. Sem fala no perigo de a pequena perua RS acelerar excessivamente próxima à emblemática RS6 Avant, o que não seria bom para os negócios.

A próxima melhor opção foi usar o 2.9 V6 biturbo, bem menor, e desenvolvido em parceria com a Porsche. Com um ciclo mais curto em relação ao V6 3.0 que alimenta o menor S4 e S5, a RS4 Avant por completo eleva seu biturbo dentro do "hot vee" (entre os cilindros em ‘V’) para respostas mais rápidas e eficientes.

O que chama a atenção é o fato de o menor e mais leve biturbo V6 ser compatível com a potência de pico de 450 cv do V8, e tamber produzir torque colossal de 61,2 kgf.m – 17,3 kgf.m a mais que o velho 4.2 V8 naturalmente aspirado.

O efeito transformador de todo esse poder de arrancar potência extra está refletido na performance entregue. Aplicando toda essa força, partindo de baixos 1.900 rpm, a tração integral da RS4 Avant agora atinge 100 km/h em apenas 4,1 segundos e bate a velocidade máxima, quando equipada com pacote opcional Audi Dynamic, de 280 km/h. Isso significa ser 0,6 segundo mais veloz e 30 km/h mais rápido em comparação à geração anterior.

Tudo se torna ainda mais impressionante pelo fato de a RS4 Avant não mais empregar a incrivelmente rápida transmissão automatizada de dupla embreagem, mas sim usar uma caixa automática com conversor de torque convencional de oito velocidades.

Como antes, a pequena e poderosa perua Audi vem com o sistema de tração integral “Quattro” que, em condições normais, envia 60% da sua potência para as rodas traseiras. Em condições mais extremas, quando se está buscando a esportividade pura, pode lançar até 85% para o eixo traseiro. Já em condições de passeio, as rodas da frente podem receber até 70% do torque.

Contribuindo para a maximização do desempenho, a Audi afirma ter reduzido 80 kg em relação ao último modelo, em parte porque é ‘moldado’ sobre a plataforma ‘MLB evo’, a mais recente e moderna da empresa. A maior parte da economia, no entanto, vem do pequeno V6 que, sozinho, tira 31 kg sobre o V8. Mais 15 kg foram eliminados pela utilização de uma carroceria mais leve; 3,4 kg pela utilização de um sistema de direção elétrica mais compacto; outros 12,5 kg graças a tração integral totalmente redesenhada; e um único quilo pelo novo diferencial traseiro.

Há ainda a economia de mais 8 kg proporcionada pelas rodas de 20 polegadas mais leves e mais outros 8 kg graças aos novos freios de carbono-cerâmica, que são opcionais.

As preocupações de que a Audi Sport pode ter mudado suas prioridades são aliviadas quando se observa esta atual RS4 Avant na estrada

Depois de tudo isso, pode-se esperar uma estrutura impressionante de massa mínima, mas, infelizmente, a RS4 ainda consegue pender a balança a 1.715 kg (peso seco), aproximadamente o mesmo de uma perua Mercedes-AMG C63 S Estate.

Sendo 7 mm mais baixa do que o S4, a RS4 Avant vem com a última geração do Dynamic Ride Control (DRC) da Audi, que promete uma maior variedade de qualidade na condução entre os modos Comfort, Auto e Dynamic. Na verdade, de forma confusa, ao descrever a RS4 Avant de 450 cv, a Audi parecia mais orgulhosa pelo fato de a B9 ser a "RS mais confortável de todas".

BOM OBSERVADOR

As preocupações de que a Audi Sport pode ter mudado suas prioridades são aliviadas quando se observa esta atual RS4 Avant na estrada. As imagens não fazem justiça à super-rápida perua porque, em carne e osso, ela é incrível. Do seu espantoso spoiler dianteiro às aberturas de ar dos para-lamas dianteiro e traseiro, não ficam dúvidas quanto às suas credenciais de um carro de alta performance.

O acabamento interior da cabine é adequado e de muita qualidade, mas o que importa é atrás do volante. No entanto, a partir da nossa mais recente experiência com o cupê RS5 que traz mecânica idêntica, será que a perua Audi RS condenada a um outro veredicto? "Veloz, mas não muito divertida"?

As primeiras impressões, em torno da cidade, são preocupantes. No modo comfort, a RS4 Avant é bastante silenciosa e muito confortável e bastante. Em outras palavras, ela desempenha perfeitamente o papel de carro executivo.

Como esperávamos, o V6 com toda sua potência não entrega a trilha sonora inspiradora do velho bent-eight, mas isto é “café pequeno” porque, atrás do volante, nunca se ignora um V8.

O mesmo vale para a caixa de dupla embreagem do veterano oito cilindros. A nova transmissão é muito mais suave, rápida, intuitiva e faz uso pleno do torque disponível e da tração nas quatro rodas que parece surpreendentemente capaz de distribuir todo aquele torque de 61,2 kgf.m com pouco chiado de pneu.

Fora dos limites da cidade, temos a chance de ‘esticar as pequenas pernas’ do Audi pelas longas estradas rurais. É aqui que o modo comfort perde completamente o sentido.

Nas estradas, que não são lisas como mesas de bilhar, o menor solavanco cria uma oscilação não controlada que piora gradualmente. Não é um desconforto absurdo, mas se você tem crianças e possui uma RS4 Avant, aguarde uma operação de limpeza minuciosa em um futuro não muito distante.

O sistema ‘Auto’ representa um compromisso muito melhor e ainda está perfeitamente confortável, pelo menos nas estradas espanholas que dirigimos.

O modo ‘Dynamic’’ é mais adequado para curvas estreitas e tortuosas, mas o peso que adiciona à direção é indesejado.  Além disso, os escapamentos esportivos começam a dar uma sensação ‘vuvuzela’ ligeiramente desconcertante. Felizmente, há uma configuração 'Individual' que permite customizar todos os mecanismos, transmissão e chassi – acalmando a algazarra produzida pelo escapamento.

Atrás do volante há um mundo de diversão. O pequeno biturbo 2.9 V6 é pura diversão, parece estar sempre motivado e nunca é pego de surpresa

NA ESTRADA

Atrás do volante há um mundo de diversão. O pequeno biturbo 2.9 V6 é pura diversão, parece estar sempre motivado e nunca é pego de surpresa. Por vezes, ao usar as “borboletas” (aletas atrás do volante para mudanças de marchas), a redução pode ser relutante em uma condução mais rígida, mas o motor e a combinação com a transmissão –  mais a eficiente tração integral — traduzem-se em um ritmo cross-country devastador.

Nas estradas estreitas e tortuosas em que dirigimos dos alpes, um piloto bem preparado conduzindo uma Mercedes-AMG C 63 S Estatde de tração traseira, não teria chances em manter a RS4 Avant à vista.

Contribuindo para torná-la uma máquina veloz, os altos níveis de aderência são obtidos graças aos pneus Hankook que conseguem resistir aos abusos — mesmo em velocidades indescritíveis em curvas relativamente lentas.

A grande verdade é que a RS4 Avant é uma perua de tamanho médio, prática, confortável para quatro pessoas, que oferece compartimento de bagagem adequado (505 litros), oferece consumo médio de11,3 km/l em ambiente misto (estrada/urbano) e por tudo isso torna-se um veículo fantástico.

Nas estradas estreitas e tortuosas em que dirigimos dos alpes, um piloto bem preparado conduzindo uma Mercedes-AMG C 63 S Estatde de tração traseira, não teria chances em manter a RS4 Avant à vista

Sem dúvida, a Mercedes-AMG, mais teatral, ofereceria maiores emoções com sua heroica trilha sonora, mas— entre a aceleração épica e os movimentos impertinentes — seria odiada pela sua família devido a um passeio mais assustador.

A RS4 Avant é verdadeiramente um retorno à formalidade para a pequena perua RS. As estradas servirão de testes para suas habilidades em condições muito mais severas, mas depois de dois dias atrás do volante, é difícil, para um entusiasta de desempenho, pensar em um carro familiar mais veloz com atrativos mais interessantes.

 

Motoring Autor

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