Honda WR-V 2018/WM1

Honda WR-V tem muito de Fit - e isso não é ruim!

Aceleramos a versão topo de linha EXL que parte de R$ 83.400 e é equipada com motor 1.5 16V Flex e câmbio automático CVT

WM1 / 15/03/2017 às 15:00

Inevitável: “estou dentro de um Fit!” Esta foi minha primeira sensação ao entrar no novo Honda WR-V, modelo que chega ao mercado brasileiro no final deste mês com preço inicial de R$ 79.400. No entanto, assim que giro a chave e rodo os primeiros quilômetros pela região da Riviera de São Lourenço, litoral de São Paulo, a impressão inicial muda aos poucos. O WR-V tem, sim, certa personalidade...

A nova aposta da Honda realmente tem muito de Fit. Não tudo, mas muito. E, convenhamos, não é algo ruim. Afinal, o hatch da marca japonesa é reconhecidamente um veículo agradável ao volante – conheço muita gente que troca um Fit por outro. Para se ter uma ideia, o WR-V é apenas 2 centímetros maior que o Fit tanto em comprimento (tem 4 metros) quanto em distância entre os eixos (2,55 metros). Se destaca mesmo em relação ao ‘irmão menor’ na largura, com 4 centímetros a mais (1,73 metro), e na altura, com 6 centímetros (1,59 metro) – chega a ser mais alto que o próprio HR-V. Até a capacidade do porta-malas é igual: 363 litros!

Tais medidas, para quem está ao volante, como eu, nada muda. No entanto, para aqueles que viajam no banco traseiro, a diferença em relação ao Fit é sentida. Ombros, cabeça e especialmente as pernas são bem acomodados. Há espaço suficiente.

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Mas é rodando que o WR-V se distancia um pouco mais do Fit, apesar de o conjunto mecânico ser o mesmo – e exatamente por isso, não espere um azougue de performance. O motor é o ideal 1.5 16V Flex de até 116 cv de potência máxima a 15,3 kgf.m de torque, e a transmissão é automática tipo CVT (continuamente variável), ligeiramente recalibrada.

Na realidade, a diferença está no conjunto de suspensões, que traz amortecedores, molas, barra estabilizadora e buchas desenvolvidos para o modelo e que deixam novo Honda 5 centímetros mais elevado em comparação ao ‘irmão’.

Independente na dianteira tipo McPherson e eixo de torção na traseira, o WR-V é firme e absorve bem as imperfeições do asfalto. Pouco inclina a carroceria em curvas, mesmo quando abusamos um pouco mais do acelerador. No entanto, sua principal qualidade é superar com mais facilidades os buracos maiores, valetas e lombadas.

A direção é elétrica e conta com evoluções técnicas em relação à caixa adotada pelo Fit. No WR-V a condução é mais leve, precisa e rápida. Aliás, neste ponto, o Honda remete mais ao novo Civic. Os freios são a disco na dianteira e tambor, na traseira. E apesar de ser um carro com um ‘bom chão’ – é estável e nem um pouco arisco -, o ponto negativo fica por conta da ausência total de controles de tração estabilidade.

Antes de acelerar, facilmente encontrei a melhor posição ao volante. O banco do motorista tem ajuste de altura, assim como a coluna de direção tem regulagens de altura e profundidade – recurso que utilitários esportivos maiores, como o recém-lançado Renault Captur, não têm. O volante é multifuncional e tem excelente empunhadura. O acabamento é sóbrio como um típico carro japonês, mesclando plástico rígido (texturizado) e tecido. Todas as peças estão muito bem encaixas e não apresentam rebarbas ou folgas. Os bancos são revestidos em tecido e couro não existe nem como opcional...

E assim como no Fit e no HR-V, o WR-V conta com uma modularidade dos bancos invejável, permitindo transportar objetos grandes, como bicicleta ou prancha de surfe. É estranho falar isso, mas para determinados objetos, esta modularidade ajuda mais que a caçamba de uma picape média cabine dupla.

A versão avaliada era a EXL, topo de linha que custa R$ 83.400. Esta configuração traz de série todas os itens da opção EX - ar-condicionado analógico, airbagas duplo e laterais, rodas de liga leve de 16 polegadas, câmera de ré, faróis de neblina, travas, vidros e retrovisores elétricos, controlador e limitador de velocidade -, mais central multimídia com tela de 7 polegadas sensível ao toque e função GPS, e mais o airbag de cortina. É um pacote ‘ok’, mas longe de proporcionar um custo-benefício de saltar aos olhos do consumidor ou colocá-lo em uma posição de destaque diante dos concorrentes.

VÍDEO

CONCLUSÃO

O WR-V se encaixa perfeitamente entre Fit e HR-V. É a opção natural do ‘Hondista’ que já teve três Fit por conta de nunca ter tido ‘bala na agulha’ para colocar um HR-V na garagem. O preço é elevado? Sim! Com certeza. Isso, entretanto, parece não preocupar a Honda, que tradicionalmente é mais cara que as concorrentes, mas continua vendendo (bem) tudo o que produz. Como ‘carro’, o WR-V é um produto ‘ok’. Tem um conjunto mecânico sóbrio, agradável espaço interno e uma lista de equipamentos razoável. Duvido que vá encalhar nas concessionárias...

Jogador de futebol frustrado, resolveu ser jornalista para escrever sobre tudo que tivesse motor, fizesse (muito ou pouco) barulho e fosse possível de pilotar. Aficionado por superesportivos e clássicos, pensa agora acelerar também sobre duas rodas...

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