Motor Milwaukee-Eight da Harley-Davidson

Por dentro do novo motor H-D Milwaukee-Eight

Confira algumas diferenças do novo motor Harley-Davidson para o Twin Cam 103

WM1 / 10/02/2017 às 09:15atualizado 29/06/2017 às 16:54

Em agosto de 2016 a Harley-Davidson apresentou para o mundo a maior mudança nos motores “Big Twin” da marca desde 1999. Com nome e sobrenome, o Milwaukee-Eight aterrizou no Brasil no final de novembro e desde então vem arrancando alguns elogios da crítica, sobretudo pela melhora na vibração.

Ainda não tive a oportunidade de pilotar a Street Glide Special, a Ultra Limited ou os modelos CVO da linha 2017 equipados com a nova motorização, mas duvido que o novo motor não proporcione mais alegria para o piloto depois do que vi no Centro de Treinamento Harley-Davidson, no SENAI, em São Paulo.

A marca convidou a imprensa para conhecer a fundo seu novo motor, peça a peça, em um curso de um dia inteiro com direito a sujar a mão de graxa. E, mais que isso, pudemos comparar o Milwaukee-Eight com o Twin Cam 103. Ambos desmontados na nossa frente, com um técnico explicando o porquê de cada alteração.

O Milwaukee-Eight é a nona geração na linhagem de motores da marca. Você deve estar se perguntando: Se ele é o nono, porque leva o nome “eight” (oito, em inglês)? A Harley explica que o oito refere-se ao número de válvulas – são quatro para cada cilindro – e também a oito grandes mudanças pela qual o motor passou.

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Com um design totalmente novo, o motor Milwaukee-Eight foi projetado visando entregar mais potência e uma melhor experiência de pilotagem, leia, menos vibração e menos calor nas pernas. Ele gera 10% a mais de torque e é 11% mais rápido em acelerações se comparado ao seu antecessor, diz a marca. Além disso, a premissa era não perder de maneira alguma o visual dos emblemáticos “Big Twin” da Harley-Davidson.

Antes de produzir a novidade, a Harley teve uma atitude simples, quase lógica, mas que poucos fabricantes adoram de fato. Parou e ouviu os usuários, ou se preferir, apaixonados por seus produtos. Aqueles caras que vestem a camisa da marca na alegria de um passeio ou na tristeza de um imprevisto. Em suma, o desafio era fazer um motor melhor, respeitando as características de um verdadeiro V-Twin da empresa.

Com um design totalmente novo, o motor Milwaukee-Eight foi projetado para entregar mais potência e uma melhor experiência de pilotagem, leia, menos vibração e menos calor nas pernas.

Twin Cam 103 x Milwaukee-Eight

À primeira vista esses dois motores são semelhantes, mas há poucas peças de intercâmbio entre eles. O O Twin Cam foi introduzido no modelo de 1999 como um motor de 88 polegadas cúbicas, com cilindro de 3,75” (95.25 mm) e um curso de 4.00” (101.6 mm) denominados Twin Cam A.

Ao longo dos anos, a capacidade volumétrica aumentou à medida em que cilindro e curso do motor foram alterados, chegando a 1966cc.

Em 2014, um circuito de resfriamento líquido (Twin Cooled) foi adicionado aos cabeçotes dos motores que equipam a família Touring e o projeto foi batizado como Rushmore. O novo Milwaukee-Eight só chegou para a família Touring em 2017, com versões refrigeradas a óleo e a líquido, de 1.750cc (107) e de 1.870 cc (114). Se você não está muito familiarizado com termos técnicos, prepare o glossário e veja algumas alterações importantes.

Árvore de manivelas

Embora elas sejam muito semelhantes entre os dois modelos, a do novo motor é feita de uma liga de aço mais resistente em ambos os eixos. Além disso, os dentes para o sensor de posição estão localizados do lado oposto ao volante e há diferença de espaçamento, pois o CKP (sensor de rotação) está na posição 5 horas, enquanto no motor mais antigo ele está na posição 2 horas.

Bielas

As bielas são no estilo “garfo e faca” em ambos, mas para o novo motor houve mudança de diâmetro no pino da árvore de manivelas, além da haste dianteira estar mais larga, com 5 mm.

Balanceiro

Já ouviu falar em balanceiro? Pense que dentro de um motor há diversas forças atuando ao mesmo tempo. Imagine o sobe e desce do pistão, a rotação do virabrequim, forças de pressão, atrito. Tudo isso causa vibração e desconforto para o piloto e a Harley-Davidson sabe muito bem disso. Como vibram! Para atenuar esse desconforto, que além de fazer você bater os dentes pode fadigar a estrutura da moto, é colocado um balanceiro que absorve parte dessa vibração mecânica. Essa peça, ligada ao virabrequim, gira em uma rotação contrária. Ufa!

O motor Twin Cam utiliza um sistema de balanceiros duplos que requer uma infinidade de peças para ser montado, inclusive uma corrente. Já o 107 (vou chamar o Milwalkee-Eight assim daqui pra frente, ok?) possui um balanceiro único que reduz o nível de vibração em 25%, segundo a montadora.

Lembre-se: menos peças, menores possibilidades de problemas.

O balanceador do 107 gira na mesma velocidade que o virabrequim e usa um acionamento de engrenagem. O único contrapeso passa entre as metades do volante na árvore de manivelas, reduzindo o tamanho total do cárter.

Bomba de óleo

Ambas bombas de óleo são de duas câmaras, mas a do 107 está mais sofisticada. Nela, o corpo da bomba separa os rotores de retorno dos lados da alimentação (o interno é o retorno e o externo a alimentação). Além disso, o pistão e a mola de alívio são montados no corpo da bomba, quando a pressão atingir o limite, é aberta uma passagem.

Capacidade volumétrica

No o Milwaukee-Eight, a capacidade volumétrica está maior.  Deslocamentos de cilindros maiores e a necessidade de saídas mais altas pedem uma maior área de válvula. Em vez de utilizar válvulas maiores e mais pesadas, a H-D optou por quatro válvulas por cilindro. Agora, cada cilindro possui duas velas para reduzir as distancias do caminho da chama e consequentemente melhorar a queima. Isso, mais uma câmara de combustão mais compacta, resulta em uma taxa de compressão mais alta e nós gostamos disso!

Milwaukee-Eight = 107 10:1

Twin Cam 103 = 9.2:1

Curiosidade 1

O motor 107 utiliza a vela 6R12, considerada uma vela quente. A vela quente serve para reter o calor e ser mais eficiente na queima, o que seria lindo para climas frios. Todavia, moramos em um país tropical, logo... A parte boa é que o técnico da Harley-Davidson garantiu que este tipo de vela adaptou-se muito bem ao nosso país. Uma vela deve durar 45 mil km, mas a cada 15 mil km deve-se fazer a limpeza.

Pistões e cilindros

Os cilindros têm diâmetros diferentes, alturas diferentes e são feitos de materiais diferentes. No Milwaukee-Eight eles têm somente um furo de retorno de óleo e vêm com uma identificação na superfície da junta superior, isso ajuda a saber qual o da frente e qual o de trás. Os pistões são fundidos em ambos, mas contam com diferentes revestimentos.

Cabeçotes dos cilindros

Os cabeçotes dos cilindros são muito diferentes entre os dois projetos. Obviamente porque o número de válvulas é diferente, mas os ângulos de válvulas também mudaram, assim como as formas de fechamento, método de montagem do balancim e as alturas gerais.

Os pistões são fundidos em ambos, mas contam com diferentes revestimentos. Além disso, os balancins têm novo desenho, o respiro está mais inteligente e as pressões mais equilibradas.

Curiosidade 2

- Os motores das H-D não recebem nenhum tipo de “tropicalização” antes de serem montados nas motos vendidas no Brasil, como, por exemplo, um tratamento anticorrosivo para nossa gasolina misturada a tanto álcool.

Quando o motor novo se pagar, ou seja, quando a Harley receber o que foi investido em seu desenvolvimento, ele deve equipar as demais motos da linha. E se você não quiser saber de graxa, mas ainda assim quiser pilotar uma Harley-Davidson, aguarde mais cinco anos até a elétrica H-D Livewire chegar por aqui.

Sempre preferiu carrinhos a bonecas. Seu primeiro brinquedo motorizado foi um Jeep Willys 1951, que dirige até hoje. É realizada escrevendo sobre veículos, seja ele qual for. Acorda cedo para assistir ao MotoGP.

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