Horários Alternativos Ilustração

Testado e comprovado: fugir do 'rush' é vida!

Horários alternativos geram qualidade de vida e economia de grana

WM1 / 25/08/2016 às 14:45

Topa economizar aproximadamente R$ 400 em combustível e ganhar 8 dias para fazer o que quiser? Não é nada milagroso. Trata-se de uma mudança de hábito, que, admito, não é tão simples. É possível conquistar tudo isso adotando apenas horários alternativos de segunda a sexta-feira. Isso mesmo. Durante duas semanas fui cobaia para mostrar – melhor escrevendo, provar – que deixando de ser mais um na famosa ‘hora do rush’ é uma triste maneira de ver a vida passar pelos olhos sentado dentro de um automóvel, preso a um cinto-de-segurança. E as coisas não precisam ser assim...

Realizei uma medição, a partir do computador de bordo do veículo utilizado – Hyundai HB20 1.0 Flex -, de itens como tempo de deslocamento, quilometragem percorrida, velocidade média e, claro, consumo de combustível entre segunda a sexta-feira. Em todos, os ganhos do horário alternativo impressionantemente significativos:

Diante destes dados, as conclusões são óbvias: a adoção de um horário alternativo encurta as distâncias, torna o caminho mais rápido e gera, principalmente, qualidade de vida, já que a redução de tempo parado (perdido, gasto ou jogado no lixo – escolha o termo) no trânsito permite fazer uma atividade esportiva, um curso (MBA, pós-graduação, mestrado) ou passar mais (bons) momentos com a família – que é o meu caso. Isso sem falar que passa a se gastar menos com combustível. O bolso agradece, especialmente em tempos crise, como os atuais. E a natureza também, pois também há uma queda acentuada das emissões de CO2.

No detalhe do tempo...

Para fechar estes dados foram necessárias duas semanas. Na primeira, mantive minha rotina de congestionamentos: saia às 7h da minha residência na Zona Norte de São Paulo, deixava minha filha na escola e seguia para o escritório da Webmotors, na Zona Sul. Na volta ‘batia o ponto’ às 17h30, buscava minha filha e seguia para o merecido descanso. No dia em que o veículo estava no rodízio, parti às 10h de casa e às 20h do escritório.

A adoção de um horário alternativo encurta as distâncias, torna o caminho mais rápido e gera, principalmente, qualidade de vida

Na segunda semana, assumindo o horário alternativo, saia sempre as 6h da minha residência e do escritório às 16h. Aqui o primeiro ponto positivo: não tive que me preocupar com o rodízio de veículos obrigatório, pois eu sempre estava fora dele, que acontece das 7h às 10h e das 17h às 20h.

Na primeira semana, no horário ‘normal’, demorei 590 minutos para ir e voltar na soma dos cinco dias úteis. No horário alternativo gastei apenas 450 minutos – redução significativa de 23,7%. A sexta-feira foi o pior dia. Para ir e voltar do escritório levei, na ‘hora do rush’, 2 horas e 37 minutos. Na semana seguinte, apenas 1 hora e 52minutos.

Pode parecer pouco, mas 45 minutos é muito. Multiplique este número pelos 254 dias úteis de 2016 e você terá um ganho de 11.430 minutos – ou 190 horas e 30 minutos ou aproximadamente 8 dias.

No detalhe do bolso...

Para aqueles que mudam de hábito apenas se houver vantagens financeiras, o horário alternativo também apresenta ganhos interessantes. Com o Hyundai HB20 equipado com motor 1.0 12V bicombustível de três cilindros – um propulsor reconhecidamente econômico e Nota A em sua categoria no Programa Brasileiro de Etiquetagem do INMETRO -, estabeleci na ‘hora do rush’ uma média de 9,7 km/l no etanol, combustível que no período em que fiz este teste era mais vantajoso que a gasolina. Na segunda semana, meu consumo foi de 11,4 km/l (também com álcool), ou 17,5% mais econômico.

Para transformar estes números em dinheiro, vamos imaginar que uma pessoa rode em média 40 km de segunda a sexta. Levando como base os 9,7 km/l estabelecidos durante o horário de pico da primeira semana e os 254 dias úteis deste ano, serão necessários 1.047,4 litros de combustível. Com o etanol a R$ 2,499 o litro (média Zona Norte), o investimento é de R$ 2.617,45. Na Zona Sul há postos cobrando R$ 2,899 o litro do derivado de cana, o que elevaria o montante para R$ 3.036,41. Em outros estados o valor do álcool passa facilmente da casa dos R$ 3, sendo muitas vezes mais vantajoso abastecer com gasolina.

No horário alternativo, os custos acabam sendo bem menores. Com 11,4 km/l – índice que chegou muito próximo ao anunciado pela própria Hyundai em ciclo urbano, que é de 11,8 km/l -, são necessários 891,22 litros para rodas 40 km diários, em média, os 254 dias úteis do ano. Adotando o preço médio do etanol na ZN (R$ 2,499 o litro), o custo será de R$ 2.227,15, economia de R$ 390,30 (prestação de um carro, por exemplo). Com o valor ZS, o custo pula para R$ 2.583,64 e a diferença para R$ 452,77.

E estes abismos de valores tendem a ser cada vez maiores com a elevação dos preços dos combustíveis, com o aumento dos quilômetros rodados por dia, com a compra de um carro menos econômico e, principalmente, com o passar do tempo.

Esclarecimento

No começo desta matéria, disse que ao adotar o horário alternativo eu rodei 2,4% menos. Isso se explica pelo fato de eu ter utilizado um aplicativo, tanto na primeira quanto na segunda semana, que sugere as rotas mais rápidas. Nos dias em que dirigi na ‘hora do rush’, o APP naturalmente, fugindo das rotas mais curtas, pois eram as mais congestionadas, me sugeriu caminhos alternativos que buscavam diminuir o tempo, mas me obrigava a andar mais. A utilização deste APP fez com que eu rodasse 206,3 km na primeira semana e 201,4 km, na segunda.

E exatamente pelo mesmo motivo, a velocidade média foi maior em 36%, com uma média de 20 km/h e 27,2 km/h nos dias de horários de pico e alternativo, respectivamente.

Conclusão

Adotar horários alternativos é realmente uma saída extremamente interessante em diversos sentidos, especialmente com relação à qualidade de vida e à economia de combustível. No entanto, tal decisão não depende apenas de uma mudança mental do motorista, mas da sociedade como um todo. A começar pelas empresas, que em muitos casos têm um horário extremamente rígido, obrigando o funcionário chegar exatamente às 8h e sair às 17h. Algumas escolas, e aqui eu estou me referindo diretamente a algumas creches e escolinhas de ensino base (do berçário ao prézinho), que só abrem às 7h e fecham às 18h30, obrigando os pais a encararem a ‘hora do rush’.

Agora que horários alternativos geram, comprovadamente, por A+B, qualidade de vida em diversos pontos – especialmente tempo e dinheiro -, que tal você testar por uma semana e me dizer se valeu a pena ou não?

Jogador de futebol frustrado, resolveu ser jornalista para escrever sobre tudo que tivesse motor, fizesse (muito ou pouco) barulho e fosse possível de pilotar. Aficionado por superesportivos e clássicos, pensa agora acelerar também sobre duas rodas...

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