Etanol vale a pena? Mais do que você pode pensar

Pesquisa do Instituto Mauá aponta que derivado da cana traz economia se preço for até 25% menor que o da gasolina

WM1 / 20/10/2017 às 14:30

Um estudo encomendado pela Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) e realizado pelo Instituto Mauá de Tecnologia aponta que atualmente, por conta do avanço tecnológico dos motores bicombustíveis, esses já conseguem proporcionar entre 70,7% e 75,4% de autonomia na comparação com a gasolina, com consumo cerca de 25% maior. Para se ter uma ideia, as medições feitas em laboratório pelo Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular do Inmetro, que avalia a eficiência energética de automóveis comercializados no Brasil, aferiu percentuais para os mesmos modelos testados de 66,7% a 72,1%.

A análise feita pelo Instituto Mauá, diferentemente dos testes de laboratório conduzidos pelo Inmetro, foi realizada em vias públicas, seguindo uma padronização de velocidade e de troca de marchas, com revezamento de motoristas. A ideia foi realizar a avaliação em condições reais de uso: foram 27 km de trecho urbano e 30 km de percurso rodoviário.

 Foram avaliados modelos de quatro diferentes categorias: popular 1.0 (Fiat Uno manual), sedã médio (Toyota Corolla 1.8 automático), SUV (Renault Duster 2.0 automático) e Popular 1.6 (Hyundai HB20 automático), com cinco unidades cada, totalizando 20 veículos. Todos os testes foram realizados com equipamentos específicos para medir o consumo de combustível tanto com etanol tanto com gasolina comum (com 27% de etanol).

A melhor relação de autonomia entre o derivado da cana e a gasolina foi obtida pelo HB20, com 75,4% no ciclo rodoviário e 73,20% no urbano, seguido por Corolla (73,3% e 72,8%, respectivamente), Uno (72,3% e 71,2%) e Duster (70,7% e 71,3%). Os resultados de consumo em km/l em cada ciclo, no entanto, não foram informados.

A diferença pode parecer pequena, mas resulta em economia com o abastecimento ao fim de cada mês. "Os números de autonomia, evidentemente, vão variar com o modelo de veículo, o estilo de condução e as condições do percurso. Porém, dá para dizer que, se o usuário fizer a conta com base nos 70%, estará perdendo dinheiro. Vale a pena colocar etanol com diferença de preço de pelo menos 25%", avalia Renato Romio, chefe da Divisão de de Motores e Veículos do Instituto Mauá, que coordenou a pesquisa.

Segundo Alfred Szwarc, consultor de emissões e tecnologia da Unica, a constatação de menor consumo para motores flex com etanol no tanque é resultado de avanços na tecnologia. "Muitos carros bicombustíveis trazem motores mais modernos e eficientes, elevando a relação de autonomia entre álcool combustível e gasolina para acima de 70%", avalia Szwarc. Os detalhes da pesquisa podem ser conferidos no site facasuaconta.com.br.

Romio lembra que, na década de 80, durante a vigência do programa governamental Proálcool, só havia automóveis a gasolina ou abastecidos com etanol - os últimos, que traziam maior taxa de compressão, por conta do maior poder calorífico do álcool combustível, traziam mais de 80% da autonomia na comparação com propulsores a gasolina. "Acredito que a geração atual de motores flex e as próximas, graças a tecnologias como turbo e injeção direta de combustível, poderão chegar ao mesmo percentual", diz o pesquisador.

Renato Romio (foto acima) está participando dos grupos temáticos que vão ajudar a definir as diretrizes, regras e metas do Rota 2030, novo regime automotivo do governo federal que entra em vigor em janeiro de 2018, em substituição ao Inovar-Auto, que deixa de vigorar no fim deste ano. Ele informa que entre as propostas em análise está a de oferecer benefícios fiscais para as fabricantes que melhorarem o consumo com etanol de seus motores flex, tornando-os mais eficientes. "A ideia é  incentivar a evolução tecnológica desses propulsores, premiando por avanços graduais. O Inovar-Auto já previa algo parecido, porém apenas para os motores que ultrapassassem o percentual de 75%, e a regra nunca entrou em vigor", diz Romio.

O especialista defende o etanol como alternativa viável para veículos menos poluentes e de maior rendimento, enquanto os veículos elétricos e híbridos não emplacam no país. "O setor produtivo precisa ser melhor remunerado para fazer o etanol ser autossustentável. O futuro é dos carros elétricos, mas nesse momento não considero uma solução para o Brasil, por se tratar de tecnologia cara e ainda importada. Até a consolidação dos elétricos, o carro híbrido com etanol é o caminho, especialmente com o uso de turbo, trazendo menor consumo e mais torque e potência em baixas rotações."

Colaborou Alessandro Reis

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