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Carros usados

Dicas para não passar sufoco na compra de usados

Confira as orientações para não levar sustos nem ficar no prejuízo ao adquirir um veículo de segunda mão

WM1 / 19/07/2017 às 14:00

Em média, para cada carro novo vendido, seis são usados, e as vendas baixas de veículos zero-quilômetro têm feito os consumidores aquecerem o mercado de usados e seminovos. Se você está avaliando a compra de um automóvel de segunda mão, é preciso ter uma série de cuidados para que o seu sonho não se transforme em um pesadelo.

Sites de venda on-line, como a Webmotors, facilitam bastante o processo de pesquisa pelo usado ideal e também contribuem para quem está vendendo fechar o negócio mais rapidamente, fazendo seu anúncio chegar a um maior número de interessados. Mas chega uma hora que a negociação precisa ser presencial, olho no olho, inclusive para quem pretende comprar ter chance de avaliar pessoalmente as condições do automóvel que quer colocar na garagem.

O primeiro passo antes de fechar negócio, do ponto de vista do comprador, é verificar toda a documentação do veículo, em busca de multas, tributos e taxas pendentes, o que pode ser verificado facilmente consultando o Renavan. Também existem aplicativos como o Checkauto, pago, por meio do qual é possível consultar todo o histórico do veículo consultando a placa. Dá para saber, por exemplo, se o carro tem recall pendente, já foi acidentado, furtado ou roubado e se está alienado ou é procedente de leilão, por exemplo. Isso já é uma etapa essencial para prevenir dores de cabeça e evitar gastos adicionais e imprevistos para regularizar o automóvel. Voltando ao recall, se houver algum pendente, isso pode ser facilmente consultado no site da montadora, informando a numeração do chassi.

O passo seguinte é verificar as condições gerais do veículo. Existem empresas de vistoria veicular, cujo serviço é oferecido em concessionárias e lojas multimarcas de seminovos, que checam uma série de itens do carro e emitem um laudo, que fica disponível on-line para consulta do órgão de trânsito, que utiliza essas informações para liberar a transferência da documentação.

Fora isso, sempre vale a pena levar um mecânico de confiança ao dar aquela olhada no automóvel que você pretende adquirir, podendo verificar, por exemplo, itens que requerem manutenção (e depois vão pesar no bolso para deixar o veículo em dia), se o veículo já foi batido, se o motor está funcionando adequadamente. Também existem profissionais especializados em consultoria automotiva, que fazem essa avaliação por cerca de R$ 200.

Mesmo com ajuda profissional, é sempre bom fazer um checklist dos itens a serem verificados, para não deixar nenhum detalhe passar batido.  Algum problema sem grande gravidade pode, inclusive, servir de argumento para negociar um preço mais em conta. Confira abaixo algumas dicas de Francisco Satkunas, engenheiro e diretor da SAE Brasl, sociedade de engenheiros automotivos.

Consulte o manual do proprietário

O manual deve trazer todo o histórico de revisões, o que mostra se o veículo foi bem tratado e seguiu à risca o plano de manutenções recomendado pelo fabricante. Isso também é importante porque, se ele ainda estiver no período de garantia, esta pode ser anulada se alguma das revisões previstas deixou de ser feita dentro do prazo ou da quilometragem indicada.

Desconfie de motor limpo

O motor brilhando, sem a poeira característica que fica em sua superfície após alguns anos de uso, pode estar mascarando eventuais problemas, como vazamento de fluidos, como óleo escapando pelo cabeçote. Com o propulsor mais sujo, dá para verificar com mais facilidade eventuais problemas, lembrando que a limpeza incorreta do propulsor pode causar danos, especialmente em borrachas e plásticos, como também na parte elétrica.

Cor do óleo clarinha

Motor com o óleo novinho pode ser um sinal que o dono deu aquele trato no veículo para vende-lo mais facilmente, como também pode ser um artifício para mascarar algum problema mais grave, não perceptível ao dar aquela volta no quarteirão para fazer o test-drive. Óleo mais escuro é algo normal, por conta da queima natural do lubrificante, e demonstra que o carro está rodando regularmente – automóvel foi feito para rodar e, se ficar parado por longos períodos,  a vida útil de vários componentes pode ficar comprometida.

De olho na transmissão

Ao dar uma volta no carro, verifique, em modelos manuais, se os engates de todas as marchas estão entrando adequadamente e se o carro “patina” ao soltar a embreagem – o que pode sinalizar desgaste desse componente, cujo conjunto completo facilmente passa dos R$ 500 para ser substituído. Nos automáticos, verifique se o câmbio apresenta alguma trepidação em diferentes faixas de rotação do motor, além de eventuais trancos na passagem das marchas.

Suspensão sem ruídos

A suspensão do carro tem uma série de componentes e seu reparo pode sair caro, dependendo do problema. Observe primeiramente o carro estacionado em um terreno plano para ver se a carroceria não está inclinada para algum lado ou baixa demais, o que pode indicar problemas nas molas, por exemplo. Também verifique o estado dos amortecedores, especialmente se eles apresentam algum vazamento. Ao dirigir o automóvel, se ele inclinar demais nas curvas, por exemplo, pode ser um indicativo que um ou mais amortecedores devem ser substituídos. Verifique também se há ruídos, indicando borrachas desgastadas ou um ou mais componentes que necessitam de um reaperto.

Avalie o estado da carroceria

Dê uma boa volta em torno do carro para ver, primeiramente, as condições da pintura – variações na tonalidade e no acabamento podem revelar que aquele veículo foi batido e passou por funilaria, por exemplo. Veja se a carroceria está bem alinhada e se os vãos das portas, do capô e da tampa traseira mantêm medida constante – uma porta torta, por exemplo, é sinal de grandes chances de o veículo ter se envolvido em uma colisão. Pequenos amassados, especialmente aqueles de pequenas batidas nas portas, podem ser corrigidos sem muito custo em um “martelinho de ouro”.

Observe as rodas e os pneus

Um jogo de pneus novos pode pesar bastante no bolso, dependendo do modelo. Veja primeiramente as condições de desgaste da banda de rodagem – se o desgaste for irregular, indica que o carro precisa de alinhamento das rodas. Além disso, a profundidade dos sulcos não pode estar no mesmo nível da marcação TWI, que é uma faixa transversal às ranhuras. Também verifique se as rodas estão tortas ou amassadas. Lembre-se também que, mesmo se a banda de rodagem estiver em boas condições, os pneus têm prazo de validade e duram, em média, cerca de cinco anos. Depois disso seu material vai ficando ressecado, perdendo as propriedades de aderência.

Direção segura

Essa também está relacionada ao alinhamento. Ao testar o carro, posicione-o no meio da pista e, rodando a cerca de 30 km/h, solte o volante e/ou freie levemente. Se o veículo “puxar”  para um determinado lado, é sinal que falta alinhamento ou algum componente da suspensão ou da direção está avariado. Especialmente em automóveis com assistência hidráulica da direção, veja se as mangueiras e outros componentes apresentam algum tipo de vazamento do fluido.

Lâmpadas e elétrica

Ligue as lanternas e os faróis, além de acionar os piscas, para verificar se todas as luzes externas do carro estão funcionando corretamente. Algum mau funcionamento pode estar relacionado com lâmpada queimada, o que costuma ser bem barato para conservar, mas também pode acontecer algum curto-circuito, fusível queimado ou até falha em algum módulo eletrônico. Vire a chave e confira se todas as luzes de advertência acendem e depois desligam. Se a luz-espia do airbag seguir acesa ou não acender, pode indicar falha no equipamento de segurança ou até que uma ou mais bolsas infláveis foram acionadas em caso de colisão e depois não foram substituídas, por conta do alto custo. Também não deixe de verificar as luzes internas e o funcionamento das travas e dos vidros elétricos, se o automóvel trouxer esses equipamentos. Fique de olho.

Olhe por baixo

Se tiver a oportunidade, coloque o veículo em um elevador de oficina e observe as condições da parte de baixo. Veja a suspensão, se o modelo tem protetor de cárter e se o assoalho tem muitas marcas de batidas – o que indica mau uso e displicência do atual proprietário. Veja também o estado do catalisador e do escapamento, que pode estar enferrujado e até perfurado. Aproveite também para dar uma olhada mais detalhada nas rodas e nos pneus.

Blindados

Comprar um blindado de segunda mão pode ser um bom negócio, combinando segurança contra assaltos e vandalismos com preço muito mais em conta. Primeiramente, confira toda a documentação, que deve informar o grau de blindagem, e as condições da suspensão, que sofre mais por conta do peso extra da blindagem, que pode passar dos 150 km. Veja também se os vidros, que estão entre os itens mais caros da blindagem, apresentam delaminação (suas camadas internas começam a se desprender com o tempo) e se esses vidros, se não são fixos, têm o sistema de abertura e fechamento operando de forma adequada, dentro dos trilhos.

Ao fechar o negócio

Depois de definir a compra, vá com o vendedor a um cartório para reconhecer firma e já preencher o documento de compra e venda, exigindo que o proprietário imediatamente providencie a transferência. O vendedor também não deve se esquecer de comunicar a venda ao Detran para não correr o risco de arcar com multas e pendências do novo proprietário. Estados como São Paulo já registram a venda no seu sistema assim que é realizada a transferência, mas em outros ainda é necessário fazer a comunicação da venda.

Com combustível de alta octanagem correndo pelas veias, a equipe de jornalistas do WM1 está sempre acelerando em busca das informações mais relevantes para quem está à procura do melhor negócio ou é apenas mais um aficionado por carros!

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