Chevrolet Corvette Sting Ray 1964

Se liga neste Chevrolet Corvette Sting Ray 1964

Para muitos, o Chevrolet Corvette mais bonito de todos os tempos. Concorda?

WM1 / 24/05/2017 às 18:45

No começo dos anos 1950, os executivos da General Motors começaram a observar que os norte-americanos estavam comprando alguns esportivos importados da Europa para se divertir e passear nos finais de semana. Alguns exemplares como o MG TC e Jaguar XK-120 estavam sendo vendidos em grande quantidade para os EUA. Para poder combater os bólidos do velho continente, a GM resolveu projetar um esportivo, assim começou a história do Corvette.

A primeira geração do Corvette começou a ser desenvolvida em 1951 e foi apresentado ao mundo em janeiro de 1953. Visto de perfil, o esportivo era curto para os padrões dos EUA e extremamente baixo, com linhas fluidas no contexto da época. A GM não negava que a inspiração havia sido pensada em cima Jaguar XK 120. Em termos de design, os dois modelos eram bem diferentes, pois o Corvette carregava elementos tipicamente norte-americanos, como maior quantidade de cromados e pára-lamas traseiros que lembravam um pouco as barbatanas dos Cadillac.

Na parte mecânica da Corvette a GM também seguiu a fórmula do Jaguar XK 120 e adotou um motor seis cilindros em linha, 3.9 litros de 150 cv e câmbio automático. A carroceria era confeccionada em plástico reforçado com fibra de vidro, que rendeu o apelido de “Plástico Fantástico”, usado até hoje. Além de proporcionar mais leveza, o material facilitava a fabricação do esportivo.

Apresentado em clima de grande euforia, o Corvette não teve muito sucesso logo nos primeiros anos. O início foi atrapalhado pelo preço, que superou as expectativas do fabricante, e também pelo  desempenho, que não era ruim para os padrões da época, mas revelava-se inferior em relação aos rivais europeus. Em dezembro de 1953, a produção era transferida para a planta de Saint Louis, no Missouri.

No começo de 1963, quando a Corvette estava a véspera de completar 10 anos de mercado, a Chevrolet resolveu aplicar uma reformulação por completa no esportivo. Chamada de Sting Ray, a segunda geração chegava ao mercado com duas versões: conversível e fastback de teto rígido, este inédito no modelo. O novo design trazia um estilo cheio de novidades como: faróis duplos escamoteáveis, grelhas laterais, linha de cintura alta, pára-lamas elevado, pára-choques bipartidos e o vidro traseiro dividido ao meio (split window) da versão fechada. No interior, o painel voltava a apresentar simetria e um novo conforto era a opção de ar-condicionado.

Já a parte mecânica, o potente V8 327 fornecia opções de 250, 300 ou 340 cv com carburador e podia chegar a 360 cv com injeção mecânica no pacote Z06, que vinha também com câmbio manual de quatro marchas e suspensão mais firme. Com relação à dirigibilidade, a suspensão traseira foi alterada e passou a utilizar o sistema independente por braços sobrepostos (mesmo conceito da suspensão dianteira) que garantia mais controle e estabilidade ao esportivo, principalmente em curvas.

Desejado por muitos colecionadores e apreciadores da marca, o Corvette sem dúvida será sempre um símbolo único de esportividade. Este exemplar apresentando na reportagem, ano 1964, passou por uma minuciosa restauração. Foram mais de dois anos muito trabalho e dedicação para chegar aos mínimos detalhes de originalidade.  No Brasil existem pouquíssimos exemplares como este. A sua alta valorização no mercado nacional e internacional cresce a cada ano, tornando-se ainda mais exclusivo em coleções.

Hoje com 64 anos de produção, a Corvette é considerada a vida mais longa já alcançada por um automóvel de forma ininterrupta e depois de mais de 1,7 milhão de unidades, o Corvette revela as muitas formas como um produto pode enfrentar crises as mais diversas. Teve um começo conturbado, quase morreu antes de completar três anos. Passou pelas normas de emissões poluentes e de segurança, pela crise do petróleo, pelos períodos de baixa aceitação a carros esporte. Resistiu à extinção de dezenas de concorrentes, tanto norte-americanos quanto europeus e japoneses. Concorreu em iguais condições com inimigos poderosos como Porsches, Jaguares, Ferraris, Mercedes, Cobras, Vipers. Podemos dizer que o Corvette é um carro em que a modernidade, saudosismo e tradição se fundem em um só corpo.

Por Fernando A. De Gennaro