Vídeo: Fiat Toro Volcano 2017

Veja avaliação da versão topo de linha, que parte de R$ 116.500

WM1 / Fevereiro 2016
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A Fiat, definitivamente, entende como poucos o mercado brasileiro. É de tirar o chapéu! Enxergando um vácuo entre as picapes pequenas e médias, e consciente do crescimento sólido e constante dos utilitários esportivos compactos, a marca de origem italiana trabalhou rápido em uma (muito) ‘bem bolada’ mistura destes dois mundos. Resultado: eis a comentada Toro!

Com preços que partem de R$ 76.500 – motor 1.8 Flex, câmbio automático de 6 marchas e tração 4x2 -, eu tive a oportunidade de avaliar a versão topo de linha Volcano, que traz um conjunto mecânico bem diferente...e melhor: motor 2.0 turbodiesel, transmissão automática de 9 marchas e tração 4x4. Claro que o preço é bem diferente, também, partindo de R$ 116.500.

A expectativa da Fiat é comercializar 50.000 unidades da Toro em 12 meses. Deste total, 60% deve ser das configurações com motor diesel. Esta projeção é o resultado de um leve erro estratégico da Jeep, que ao lançar o Renegade apostou muitas fichas nas configurações Flex e acabou surpreendida com uma procura acima da média por opções diesel.

SUV DE CAÇAMBA

Sim, a Toro é uma picape. Capô, habitáculo e compartimento de carga muito bem definidos. No entanto, todas as suas principais características comportamentais são de um SUV compacto. A começar pelo design. A Fiat preferiu apostar na beleza em vez da robustez típica dos comerciais leves. A Toro conquista pelo olhar, uma característica dos utilitários esportivos.

A dianteira, por exemplo, traz lanternas afiladas que remetem ao Land Rover Range Rover Evoque. Já a parte dos faróis, em uma posição intermediária, trazem uma herança clara do novo Jeep Cherokee. A lateral tem linha de cintura elevada e área envidraçada reduzida. E a traseira, com um novo estilo de abertura de caçamba (portas de armário), as lanternas traseiras ganharam proporções quadriculadas – nada de desenho retangular na vertical, como ‘manda’ o manual da picape.

A concepção estrutural também elimina um pouco a característica da Toro de ser uma picape de ‘alma’. A Fiat é em monobloco – coisa de carro de passeio -, e não em chassi-cabine, como os comerciais leves. Apesar de não ser uma estrutura tão robusta, a fabricante garante que a Toro (com motor diesel) transporta até 1 tonelada. A caçamba tem capacidade para 820 litros – com extensor o valor sobe para 1.225 litros.

INTERIOR DE SUV

A Toro tem 4,91 metros de comprimento. Nada de surpreendente até ai. O pulo do gato, no entanto, está na distância entre os eixos: 2,99 metros. Tal característica faz com que a picape da Fiat tenha um espaço interno muito bom, especialmente para quem viaja no banco traseiro. Em relação à Oroch, por exemplo, o modelo fabricado em Goiana (PE) tem entre-eixos 16 centímetros maior. Muito.

A posição elevada ao volante agrada. É mais alta que a de uma picape pequena, mas um pouco mais baixa que em uma picape média. Na realidade, a altura é igual a de um...SUV compacto! Olha aí outra característica que aproxima a Toro de um veículo voltado mais para a família que para o trabalho.

A coluna de direção tem ajustes de altura e profundidade manuais. O banco do motorista, na versão de R$ 116.500, também traz regulagens manuais – além de serem revestidos em tecido. Mecanismo elétrico de regulagem do assento custa R$ 4.140, e faz parte do Kit Safe (airbag laterais, tipo cortina e de joelhos, e sensor de pressão dos pneus). Já para ter os bancos revestidos parcialmente em couro, o investimento é de R$ 2.070.

Aproveitando a carona dos opcionais, a versão Volcano ainda tem teto solar elétrico (R$ 3.630), o sensor de pressão dos pneus fora do Kit Safe (R$ 520) e Kit Techno 3, que traz capota marítima, sensores de chuva e crepuscular, retrovisor interno eletrocrômico, partida remota e aletas atrás do volante (R$ 3.000). Completinha, com um adicional de R$ 1.432 da cor metálica, a Toro sai por R$ 129.340 – R$ 2.350 mais cara que uma Ford Ranger XLS 2.2 Diesel 4x4 cabine dupla.

O acabamento interno não chega a ser puro requinte. Há peças em plástico duro na parte superior do painel de instrumentos e no painel das portas traseiras. Esta, sim, é uma característica típica das picapes. Os encaixes das peças estão ‘ok’.

RODANDO

A picape da Fiat tem desempenho bastante agradável. Com a caçamba vazia, o motor 2.0 turbodiesel mostrou-se sob medida. Muito por conta de o torque de 35,7 kgf.m aparecer já em 1.750 giros. Sempre que eu pisei mais fundo no acelerador, as respostas foram satisfatórias. A Toro ganha velocidade de maneira linear e gradativa, mas sem ser morosa. A transmissão automática (ZF) de 9 marchas também atende bem a demanda do propulsor. Aliás, quando em uma direção mais calma, as trocas acontecem de maneira bastante suave. Lembrando que é possível fazer as trocas pela alavanca, também.

Um ponto de atenção é o ruído interno. A unidade que eu avaliei deixava o barulho do motor diesel, que naturalmente é mais alto que um bicombustível ou à gasolina, invadiu um pouco acima da média a cabine. Com o ar-condicionado digital (duas zonas) ligado, o som ficava ainda mais intruso e a trepidação um pouco mais forte.

O conforto também está no ajuste da suspensão, que foge das características de uma picape e fica mais próxima à de um carro de passeio. Independente nas quatro rodas, utiliza McPherson na dianteira e Multi-link na traseira. A direção com assistência elétrica complementa este conforto.

Ponto negativo para a central multimídia. Apesar de oferecer inúmeras funções, entre elas navegação por GPS, por exemplo, e ser sensível ao toque e intuitiva, a tela tem apenas 5 polegadas. Muito pequena. Chega a ser difícil visualizar as orientações das rotas, por exemplo. A posição baixa da tela também atrapalha – poderia ser mais elevada, ficando à altura dos olhos do motorista.

CONCLUSÃO

Mais um tiro certeiro da Fiat. Apesar de alguns ‘poréns’ que precisam ser melhorados, a Toro reúne inúmeras características para ser um grande sucesso de vendas. A principal delas é ser uma picape que entrega a funcionalidade de um comercial leve – graças à caçamba – e o conforto de um utilitário esportivo compacto. Também é bonita. Conquista pelo olhar. A atual pequena fila de espera justifica esta minha leve convicção...

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Jogador de futebol frustrado, resolveu ser jornalista para escrever sobre tudo que tivesse motor, fizesse (muito ou pouco) barulho e fosse possível de pilotar. Aficionado por superesportivos e clássicos, pensa agora acelerar também sobre duas rodas...

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