Volkswagen CrossFox 'atola' no preço

Agradável ao volante, versão avaliada, com câmbio manual, custa mais de R$ 75 mil

WM1 / Março 2016

“Me convença que você vale cada centavo”. Este foi o desafio que lancei ao Volkswagen CrossFox antes de avaliá-lo por duas semanas. A opção do hatch fantasiado de Indiana Jones que caiu nas minhas mãos foi a manual de seis marchas (motor 1.6 16V de até 120 cv de potência), que parte de R$ 66.850, mas que completinho, com todos os pacotes de opcionais, chega ao valor de R$ 75.741. A com transmissão automatizada, esta cifra chega a R$ 79.041 (ai!).

Não sei o que acha, mas este preço, para mim, logo de cara está fora da realidade. Entre seus iguais, o Volks é muito mais caro. O Hyundai HB20X, por exemplo, tem uma versão top com motor 1.6 16V Flex e câmbio automático de seis marchas por R$ 69.435. Referência entre os aventureiros de ‘boutique’, o Renault Sandero Stepway 1.6 16V e caixa automatizada Easy’R, também com tudo o que existe disponível, sai por menos de R$ 59.890.

Mas o preço do CrossFox se consolida como fora de órbita quando vejo que com um cheque deste nas mãos é possível comprar, por exemplo, um Jeep Renegade Sport 1.8 16V Flex manual (R$ 74.990) ou mesmo um Peugeot 2008 Allure 1.6 16V Flex automático (R$ 72.290), modelos que têm um ar off-road até maior que o CrossFox e são de um segmento muito superior (SUVs compactos).

Por este valor, resta o CrossFox ser um assombro em desempenho, acabamento, tecnologia, conforto, comodidade. Será?

TAMANHO P

Com 4,05 metros de comprimento, sendo apenas 2,47 de distância entre os eixos, espaço interno – apenas 1 centímetro a mais que o Gol -, definitivamente, não é o ponto forte deste hatch. Colocar uma pessoa de estatura mediana (1,70 metro) e uma cadeirinha no banco de trás faz todos ficarem exprimidos. Incômodo para todos. E apesar do visual off-road, sugerindo uma aventura light aos finais de semana, viajar não é das coisas mais simples. Com um porta-malas de apenas 280 litros, encaixar toda a bagagem – de três pessoas apenas (dois adultos e uma criança) – é quase como jogar Tetris.

 Para o motorista, a situação melhora um pouco. Isso por conta da boa posição ao volante. Com ajuste de altura do banco, é possível assumir uma postura mais elevada. O volante multifuncional tem excelente empunhadura. E os comandos, especialmente da central multimídia com tela sensível ao toque do ar-condicionado, estão à mão. Não é preciso fazer exercícios de ioga para escrever o endereço no GPS. Aliás, esta central traz tecnologia de espelhamento do smartphone e é compatível às tecnologias Android Auto, CarPlay e MirrorLink – ponto positivo para o hatch!

O acabamento é extremamente sóbrio. Todos os materiais são agradáveis ao toque (não denotam fragilidade) e as peças estão muito bem encaixadas. Segue fielmente a tradição racional, focada na qualidade, das marcas alemãs.

RODANDO

O CrossFox é equipado com motor 1.6 16V MSI bicombustível, que desenvolve 120 cv de potência máxima a 5.750 rpm, quando abastecido com etanol. O bom torque de 16,8 kgf.m aparece a medianas 4.000 rotações. No dia a dia das cidades, o propulsor mostrou-se mais esperto em rotações mais elevadas. No entanto, pelo bom escalonamento da transmissão manual de seis marchas, mesmo em rotações mais baixas – abaixo de 2.500 giros -, as reações do CrossFox foram satisfatórias. O câmbio, aliás, merece elogios. Herdou 100% da precisão da transmissão anterior de cinco velocidades.

Em termos de desempenho, de acordo com a fabricante, a aceleração de 0 a 100 km/h acontece em 10,2 segundos. Índice muito bom, levando-se em conta que o Sandero Stepway demora mais de 11 segundos – no entanto, fica um pouco atrás do HB20 X, que leva 9,8 segundos para chegar aos 100 km/h. A velocidade máxima é de 180 km/h. Com relação ao consumo, segundo dados do Programa de Etiquetagem do Inmetro, o consumo urbano e rodoviário, quando abastecido com etanol, é de 7,5 km/l e 8,3 km/l, respectivamente. Com gasolina, os números sobem para 10,6 km/l (urbano) e 11,7 km/l (rodoviário) – números que garantem ao Volks nota A.

A suspensão trabalha muito bem, também – McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira. É firme e garante, mesmo o CrossFox sendo um pouco mais altinho em relação à versão norma da ‘raposa’ (1,60 metro de altura contra 1,55 metro), uma dirigibilidade segura, sem inclinações acentuadas da carroceria em frenagens ou curvas. Os freios são a disco na frente e tambor, atrás. As rodas são de liga leve de 15 polegadas (pneus 205/60 R15).

A eletrônica se faz presente nos freios com ABS (antitravamento) com EBD (distribuição eletrônica da força de frenagem), e no controle de tração.

O estepe na traseira e a suspensão levemente mais elevada não fazem do CrossFox um cara adaptado à terra. Com tração dianteira, seu comportamento em um caminho com um pouco mais de lama é idêntico a de qualquer outro veículo sem as vestimentas do Indiana Jones. Pode atolar.

CONCLUSÃO

Caro. Muito caro. O Volkswagen CrossFox não entrega tudo pelo o que cobra. Mais de R$ 75 mil em um veículo com transmissão manual, com espaço interno acanhado e que oferece uma lista de equipamentos de série longe de ser fantástica, é muito. Tem um bom desempenho, trabalha bem a ideia de assumir um estilo aventureiro e tem boa posição ao volante. Nada além disso. Definitivamente, o CrossFox não me convenceu. Não vale cada centavo.

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Jogador de futebol frustrado, resolveu ser jornalista para escrever sobre tudo que tivesse motor, fizesse (muito ou pouco) barulho e fosse possível de pilotar. Aficionado por superesportivos e clássicos, pensa agora acelerar também sobre duas rodas...

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