Versão Effect encontra sua melhor forma no corpo

Tabela de R$ 53.390 é outro defeito frente aos novos rivais Fox Pepper e HB20 Spicy

WM1 / 08/04/2015 às 10:00atualizado 10/07/2016 às 14:58
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A insistente versão Effect da Chevrolet finalmente encontrou sua melhor forma no best seller Onix. Não que a customização (apenas estética) seja uma maravilha, porém, teve acerto bem superior em relação ao implementado em Agile, Sonic, Classic e Celta (os dois últimos, apenas em forma de conceito).

Mas, se mercadologicamente o Onix Effect é mais viável para a GM – a versão trata-se de uma configuração LT (intermediária) com alguns frusfrus -, os entusiastas da esportividade gostariam de ver outra personalização do Onix ganhar as ruas. Trata-se da versão Track Day, apresentada no último Salão do Automóvel (outubro de 2014) junto à versão Effect. Ela é composta pelo motor 1.8 Ecotec do Cruze, modificado para emanar 150 cv, mas não entrará na linha de produção.

Como nem tudo são flores, o jeito é contentar-se com o decente motor 1.4 de 98/106 cv, na ordem gasolina e etanol, vangloriado pela GM como o “aspirado flex 1.4 mais potente do mercado”. O problema é que este pico de potência é entregue somente com o propulsor girando a 6.000 rpm. Mais vale o torque de 13/13,9 kgf.m (que demora um pouco para agir, é verdade, aos 4.800 giros).

A força é distribuída pela famigerada caixa de câmbio de cinco velocidades, que é mais prazerosa de operar do que sentir. Isto é, a transmissão é justa e de bom encaixe, mas não tem tanta malemolência para gerenciar o bloco em retomadas e terrenos íngremes.

Até aqui, não há nada de novo em relação ao Onix convencional. As novidades são puramente estéticas. Para quem gosta, há adesivos no capô, porta-malas e nas laterais. Cai bem o acabamento preto brilhante implementado no teto, retrovisores e no aerofólio traseiro. Faz mais diferença, entretanto, o difusor traseiro que casa bem com as saias laterais. O arremate externo fica por conta dos faróis e lanternas com detalhes escurecidos, além da caixa de rodas de 15 polegadas na cor grafite.

Mas o que faz esta versão Effect melhor do que as anteriores está na parte interna. Enquanto no Agile os apetrechos são exagerados e no Sonic eles quase inexistem, no Onix a Chevrolet encontrou equilíbrio. O componente que mais faz diferença é o volante multifuncional com acabamento em couro, detalhes vermelhos e base achatada – a direção parece menor, portanto, mais esportiva.

A cor vermelha também enfeita as saídas de ar, bancos com tecido exclusivo e a base da manopla de câmbio. O painel de instrumento também ganhou uma leve reestilização. Mas o maior acerto está nos detalhes: no Onix Effect não há borrachas protetoras de porta-copos, que enfeiaram a já pouco atraente versão limitada Lollapalooza, lançada em 2014. Mal-acabadas e mal-ajustadas, denotaram falta de capricho na conta da GM. Melhor não tê-las.

O pacote de itens de série disponibiliza direção hidráulica, ar-condicionado, vidros, travas e retrovisores elétricos, banco do motorista com regulagem de altura, central multimídia com tela sensível ao toque, que gerencia rádio e CD Player.

Atualmente o Onix Effect está tabelado em R$ 51.350. Seu valor, entretanto pode ser negociado nas concessionárias e não é mais exposto no site da GM, que adotou a estratégia de mandar os interessados a suas revendas.

O hatch tem três anos de garantia e é ofertado somente nas cores branco Summit e vermelho Pepper.

Aliás, Pepper é o mesmo nome da versão do Fox que foi lançada em março passado para a disputa no nicho de hatches pseudoesportivos. A tabela do Volkswagen chega a R$ 53,5 mil. O modelo oferece o mesmo nível de equipamentos do Onix Effect, mas oferta motor 1.6 e câmbio manual de seis velocidades.

Outro concorrente novo é o Hyundai HB20 Spicy, também apresentado em março. A aposta da versão está em oferecer três versões que vão de R$ 44.450 a R$ 53.545. A configuração topo de linha tem transmissão automática, item que, por enquanto, não é ofertado na versão Effect.

O preço, portanto, é outro ponto negativo do Onix. Além de ser desvantajoso perante a concorrência, também não é atrativo dentro de sua própria linha. A conta é simples: em vez do Effect, o cliente pode levar uma versão LT com câmbio automático de seis marchas com apenas R$ 100 extras, totalizando R$ 53.490.

Quando deixa um pouco de lado a carreira brilhante como piloto de Gran Turismo e Fórmula 1 (no Playstation), faz cobertura diária do setor automobilístico. Muscles cars e clássicos dos anos 1990 são as máquinas prediletas.

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