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Híbrido é o carro mais barato do Brasil

Toyota Prius

Marca/Modelo

R$ 126.600 / R$ 126.600

Versão Base / Versão Testada

Automático CVT

Câmbio

11 s

Aceleração 0 a 100 Km/h

8.9

Overview

Antes insólito, o Prius agora tem atitude e personalidade. Fora isso, é gostoso de guiar e faz você ficar um bom tempo sem visitar um posto de combustível.

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Toyota Prius não quer mais saber de bullying

Híbrido supera o passado e ganha personalidade para peitar até os sedãs médios

WM1 / 23/12/2016 às 15:00atualizado 26/12/2016 às 12:23

Brian Griffin é um sujeito culto. Gosta de ler, frequenta óperas e é fã de John Coltrane. Além do inglês nativo, fala francês fluente e arranha espanhol. É antenado e tem sagacidade para conversar sobre qualquer assunto com propriedade. O fato dele ser um cachorro não soa anormal, visto que ele é um personagem da série Family Guy. Aliás, ele se aproveita da simpatia que os caninos despertam aos humanos para vez ou outra conquistar belas mulheres.

Racional e atento ao aquecimento global, Brian escolheu um Toyota Prius para se locomover – sim, na série da Fox, um cão dirigir é totalmente plausível. A aquisição, aliás, fez com ele fosse ridicularizado pelos demais protagonistas da animação. Isso também não é nada anormal. Bem, digamos que o híbrido não é um tipo de carro que desperta desejo. Pelo contrário. Existem vários vídeos na internet com títulos como “5 razões para odiar o Prius” ou “Por que o mundo odeia o Prius?”.

Neles, o proprietário do híbrido japonês é visto como um salvador do meio-ambiente e que, por isso, acha que pode trocar de faixa sem dar seta ou ter prioridade fazer uma curva mesmo estando do lado oposto a ela. Obviamente, trata-se de um bullying. Mas são compreensíveis as críticas feitas ao desempenho e ao desenho do modelo. Mas isso porque estamos falando da geração antiga dele.

O novo Toyota Prius evoluiu sensivelmente e está mais adequado a perfis de compradores como o de Brian Griffin, que, sim, são antenados e preocupados com o nível de emissão de poluentes, mas que também desejam diversão ao dirigir dentro um carro com design que, se não é bonito, pelo menos não é insípido.

Ele tem atitude e personalidade ao ponto de chamar tanta atenção nas ruas quanto os superesportivos. Além de linhas musculosas, a carroceria abrange um conjunto ótico marcante, com acabamento em LED e linhas rasgadas semelhantes a dos últimos lançamentos da Lexus, como o NX 200t ou o RX 350.

Mas a traseira é que ilustra melhor a evolução estética. A identidade da geração antecessora continua presente por meio da parte superior em preto brilhante, mas o porte está mais moderno por conta do difusor e das lanternas em LED que acompanham as linhas laterais da carroceria.

CONDUÇÃO NERD

O habitáculo, no entanto, é o maior responsável pela agradável experiência de guiar o carro. O layout do console ainda causa estranhamento, principalmente pelo desenho bicolor do volante e pelo posicionamento central do painel de instrumentos de 4,2 polegadas. Mas a infinidade de informações disponíveis nele é igualmente inusitada.

O cluster pode ser identificado até como um gadget independente. Permite observar desde o funcionamento lúdico da propulsão híbrida até consultar a economia diária de combustível conquistada graças à operação do motor elétrico.

A central multimídia também é completa. Por meio de uma tela de 7 polegadas sensível ao toque, opera o sistema de som, tem conectividade bluetooth e USB, mostra ainda a câmera de ré (acompanhada de um alerta incômodo semelhante ao de caminhões), e dispõe de GPS.

Há até carregamento de celular por indução, localizado no console central. Ele tem funcionamento mais eficiente do que o do Chevrolet Cruze e deixa o smartphone com a tela sempre visível para o condutor.

A parte de entretenimento do Prius seria perfeita para os geeks se não falhasse pela ausência das tecnologias Android Auto e Apple CarPlay, as melhores já desenvolvidas para manter o motorista conectado ao smartphone em segurança.

COROLLA DO FUTURO

A diversão ao guiar o Prius, no entanto, não é restrita à seara nerd. Embora os números absolutos da cavalaria emanada pelo motor à combustão tenham diminuído, o powertrain está muito mais acertado e capaz de entregar um veículo linear em baixas velocidades e esperto em retomadas e subidas.

O propulsor 1.8 VVT-i a gasolina rende 98 cv a 5.200 rpm. A potência é 1 cv inferior em relação à geração anterior, mas os ganhos práticos são enfáticos. Uma das explicações para isso está na otimização dos sistemas de admissão e escape, além da refrigeração dos gases. Isso significa que todo o processo de combustão foi reajustado.

Já o propulsor elétrico tem 72 cv e 16,6 kgf.m de torque máximo. Somado ao bloco a gasolina, entrega total de 123 cv e 30,8 kgf.m. A operação da dupla continua sendo gerenciada por uma transmissão automática do tipo CVT (continuamente variável), que ganha pontos por dispor até da posição B, que deve ser acionada em descidas para utilizar-se do freio motor. O conjunto permite com que o Prius chegue aos 100 km/h em 11 segundos a partir da inércia.

O modelo é desenvolto mesmo quando é tracionado somente pelo motor elétrico, enquanto a transição para o funcionamento do outro, a combustão, é mais suave e ligeira em comparação ao Ford Fusion Hybrid.

PowerTrain
PowerTrain

PowerTrain

Desempenho
Desempenho

Desempenho

Dimensões
Dimensões

Dimensões

Dinâmica
Dinâmica

Dinâmica

Capacidades
Capacidades

Capacidades

Motor
1.8/ 16V/ HÍBRIDO
Câmbio
Automático CVT
Potência
98 (72 elétrico) cv (G)
Torque
14,2 (16,6 elétrico) Kgf.M (G)
Menos potência, mais desenvoltura
Mudanças estruturais no motor 1.8 VVT-i deixaram o Prius mais desenvolto, mesmo tendo potência inferior à geração passada. Antes, a cavalaria somada com o propulsor elétrico era de 134 cv. Agora são 123 cv.
Aceleração 0 a 100 Km/h
11 s
Velocidade máxima
Não disponível
Consumo Cidade
18,9 km/l (G)
Consumo Estrada
17 km/l (G)
Não disponível
O Prius tem desempenho linear e não deixa o motorista passar apuros. A transição da condução elétrica para a combinada é mais suave e ligeira do que no Ford Fusion Hybrid.
Melhor para a família
O carro está 60 mm mais longo e 15 mm mais largo. Já a diminuição de 20 mm na altura contribui para um melhor campo de visão.
Condução nerd
O híbrido é gostoso de dirigir, mas a infinidade de informações disponíveis no painel de instrumentos transformam o Prius em um vídeo game ambulante.
Porta Malas
412 Litros
Tanque de Combustível
43 Litros
Ocupantes
5
Carga útil
Não disponível
Suficiente
O bagageiro do Prius é menor do que a maioria dos sedãs médios, mas maior do que todos os hatches.

A suspensão, por sua vez, é macia e moderna aos moldes de um Toyota Corolla. Aliás, não é exagero dizer que o conceito do Prius é ser o Corolla do futuro. A bem da verdade, o híbrido que custa competitivos R$ 126.600 pode ser considerado uma ótima opção em relação a sedãs médios, cada vez mais caros.

Até o porte dele está muito mais afeito ao de três-volumes médios. Está 60 mm mais longo, com 4,54 metros de comprimento no total, e também 15 mm mais largo, com 1,76 de largura. Já a diminuição de 20 mm na altura (1,47 m) contribui para um melhor campo de visão.

Outra mudança estrutural foi o reposicionamento da bateria, que deixou o porta-malas para ocupar a parte inferior direita do banco traseiro. O chassi ficou mais leve e mais resistente, graças ao emprego de mais chapas de aço de alta resistência, e a rigidez torcional foi melhorada em 60%. Tudo isso chegou com a adoção à nova plataforma chamada de TNGA, que também está no SUV gringo C-HR e que deve basear o próximo Corolla.

Porém, não tem jeito. Todas as qualidades supracitadas nada seriam se o Prius não fosse um veículo extremamente econômico e de baixa emissão. Segundo o Inmetro, pode cumprir 18,9 km/l na cidade e 17 km/l na estrada. É um dos carros mais econômicos à venda no Brasil. E um dos menos poluentes também. Emite, por exemplo, 0,038 gramas de monóxido de carbono por quilômetro rodado. É quase um quarto do emitido pelo eficiente Volkswagen up! TSI, que emana 0,149 g/km.

INCENTIVOS INSIPIENTES

É bem provável o despertar de um dia em que esses dados serão tão famigerados nos automóveis do País ao ponto de os híbridos nem precisarem mais de incentivos como desconto no IPVA (vigente em alguns Estados) ou liberação do rodízio de veículos (como ocorre em São Paulo).

Enquanto isso não é realidade, o Prius acaba sendo um produto inviável até para algumas seguradoras, que preferem não aceitar apólices do modelo. Por isso, a Toyota fez parceria com quatro companhias que oferecem valores, digamos, aceitáveis para o híbrido. Os preços variam entre R$ 3.200 a R$ 4.400, considerando um condutor de 45 anos, casado, que roda 1.200 quilômetros no mês para lazer e trabalho.

O problema é que o programa é válido somente para 10 cidades e fora dele, uma apólice pode ser superior aos R$ 6.700.

Preço das revisões programadas

1ª revisão

R$ 219,88

2ª revisão

R$ 596,40

3ª revisão

R$ 406,80

4ª revisão

R$ 791,70

5ª revisão

R$ 380,85

6ª revisão

R$ 999,48

Os incentivos atuais ainda são insipientes, mas agregam valor a um carro confortável, moderno, de atitude e com um pacote de equipamentos atraente. Tudo o que já foi citado é de série. Mas há espaço ainda para componentes relevantes, como sete airbags, controle de estabilidade, faróis de neblina em LED, freios ABS com EBD (distribuição de força nas quatro rodas), ar-condicionado de duas zonas, head-up display, chave presencial, bancos revestidos em couro (com aquecimento nos dianteiros e com regulagens elétricas no do motorista), volante multifuncional e controle de cruzeiro.

Se Brian Griffin comprasse o novo Prius, certamente deixaria de ser motivo de chacota. Pelo menos em se tratando de carro. Já a gozação em relação à vida (nada) amorosa ou sobre a frustrada carreira de escritor é outra história...

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Quando deixa um pouco de lado a carreira brilhante como piloto de Gran Turismo e Fórmula 1 (no Playstation), faz cobertura diária do setor automobilístico. Muscles cars e clássicos dos anos 1990 são as máquinas prediletas.

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