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Fiat Toro

Toro Flex surpreende no uso, mas abusa no consumo

Motor 1.8 com câmbio automático de seis marchas evolui na picape

WM1 / 18/05/2016 às 10:41atualizado 10/07/2016 às 14:42

Quando o Jeep Renegade foi lançado há cerca de um ano, um dos poucos questionamentos sobre o SUV foi com relação ao conjunto oferecido na versão com motor flex. A FCA (Fiat Chrysler Automobile) adotou o mesmo propulsor de quatro cilindros bicombustível de 1.8 litro do Fiat Bravo junto a um câmbio automático de seis marchas do Freemont e surgiu a dúvida: como os 132 cv do já ultrapassado bloco lidaria com um modelo mais refinado como o Jeep?

No caso do Renegade, o problema do motor limitado apareceu principalmente no consumo – 6,7 km/l com etanol em ciclo urbano, segundo o Inmetro -, já que o desempenho foi satisfatório. Com a Fiat Toro, a escolha do conjunto flex foi a mesma, pois a picape compartilha boa parte da sua estrutura com o utilitário esportivo da Jeep. Avaliamos a versão Opening Edition da Toro com motor 1.8 e câmbio automático de seis marchas para tirar a prova se houve – ou não – evolução na dupla.

É MANCA?

O desafio já não era mais fáceis: a picape, além de precisar de mais força pela necessidade de transportar mais carga, é quase 200 kg mais pesada que o SUV - 1.440 kg contra 1.619 kg. A Fiat então tratou de tirar mais potência do quatro cilindros e também mexer na relação de marchas da transmissão automática buscando mais vigor nas arrancadas.

Sem alterar nada internamente no bloco, somente com uma leve reprogramação da injeção eletrônica,a primeira tarefa foi cumprida. A Fiat consegui extrair até 7 cv a mais para a Toro. Com etanol, são 139 cv disponíveis à 5.750 rpm, contra 132 cv do Renegade. O toque cresceu apenas 0,2 kgf.m, chegando a 19,3 kgf.m a 3.750.

Para a transmissão, as alterações também foram bem sutis, mas fizeram ainda mais diferença. As relações de marchas são as mesmas, mas a relação final do diferencial foi levemente encurtada. De 4,103:1 ela foi reduzida para 4,067:1.

Os resultados dessas mudanças são um 0 a 100 km/h mais demorado e menor velocidade máxima da picape (175 km/h contra 182 km/h do Jeep), mas também muito mais praticidade no uso urbano, quando a demanda por agilidade e torque instantâneo são o foco.

No entanto, o tendão de aquiles do Renegade foi mantido na Toro. A maior disposição da picape fez com que o consumo fosse ainda pior. O Inmetro declara que com etanol em ciclo misto, a picape consome 6,6 km/l (5,4 km/l na cidade e 7,4 km/l na estrada) contra 7 km/l do Renegade. O desempenho melhorou, mas você vai sentir essa evolução no bolso.

MISTÃO

Há pouco mais de um mês passei um tempo com a versão Freedom da Toro equipada com motor 2.0 turbodiesel e câmbio manual de seis marchas. O conjunto aliado à tração somente nas rodas dianteiras se apresentou muito mais urbano por entregar agradável agilidade e robustez.

Com motor flex a vocação urbana é ainda mais chamativa. Não por menos, com este propulsor a capacidade de carga cai para 650 kg contra 1.000 kg da opção 2.0 diesel. Claro, na sua viagem de fim de semana, ela vai passar pelas trilhas que levam até a praia ou até o sítio que você adora com disposição óbvia de um carro desse porte – ele foi pensado para isso. Mas antes de tudo, para aproveitar seu descanso, você tem que pegar trânsito os outros cinco dias da semana para chegar no trabalho.

E aí essa versão da Toro vai te recompensar ainda mais. A suspensão lida muito bem com os buracos, ondulações e obstáculos urbanos. Confortável e prática, a Toro merece todos os elogios que vem recebendo desde seu lançamento.

Ninguém comprou o discurso de marketing da Fiat, a Toro é realmente o mais próximo que se pode ter entre refinamento de um SUV e a praticidade de uma picape. O espaço é elogiável tanto para o motorista quanto para os passageiros.

E embora o acabamento incomode na qualidade do plástico escolhido em algumas partes do interior – como na moldura da central multimídia, puxadores de porta e console central –, o carro é sólido na montagem e não apresenta barulhos chatos que podem ser resultado de encaixes mal feitos e que se soltam com vibrações no passar do tempo.

VALE O QUE PEDE?

Se no consumo a Toro vai direto no seu bolso, para comprar a picape é um pouco mais gentil. O conjunto flex é o de entrada da picape e parte de R$ 77.800. Mas a nossa versão recebe o pacote Opening Edition que adiciona R$ 6.850 em opcionais. Entre eles estão as rodas de liga leve de 16 polegadas, faróis de neblina, ar condicionado digital, camera de ré, central multimídia Uconnect com tela de 5 polegadas sensível ao toque, volante multifuncional revestido em couro, além dos adesivos específicos da versão e bancos revestidos em tecido também exclusivos da Opening Edition.

Para levar esse pacote, a Toro só é vendida junto com mais um pacote opcional chamado Pleasure 2. Por R$ 1.702 a Toro recebe sensores de chuva e crepuscular, grade com acabamento cromado, entrada USB, apoio de braço dianteiro e iluminação de caçamba. Adicione R$ 425 pelas barras longitudinais de teto e feche em R$ 86.777.

Por esse preço, não existe nenhum outro modelo no mercado que bata de frente com a Toro seja em praticidade, conforto e em nível de equipamentos. Talvez a Duster Oroch pudesse tentar derrubar sua concorrente, mas enquanto a Renault não oferecê-la com câmbio automático, vai ser bem difícil isso acontecer.

Para o estagiário, gostar de carro foi hereditário. Adora carros preparados, clássicos e customizados. Apaixonado pelos esportivos japoneses, prefere um Skyline a uma Ferrari. Mas não rejeita nada que faça barulho e ande rápido.

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