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bmw m2 coupe

Teste: BMW M2 Coupé 2017

Esportivo impressiona pela condução divertida e previsível, mesmo com motor 3.0 turbo de seis cilindros de 370 cv

WM1 / 24/10/2016 às 12:00

Nas aulas de biologia aprendemos que as glândulas suprarrenais, localizadas acima dos rins, são responsáveis pela produção da adrenalina. Nas pistas aprendemos que um dos maiores estimulantes deste hormônio responsável por acelerar o coração, dilatar as artérias e tornar instantânea as reações de cada músculo atende pelo nome de BMW M2 Coupé (R$ 379.950, com 24 meses de garantia), simplesmente o ‘M’ mais divertido produzido nos últimos tempos .

A personalidade desta criatura é marcante. Única. Suas reações a qualquer provocação, seja pelos pedais, câmbio, volante, são vorazes e viciantes. Elevam o conceito de ‘intensidade’ a outro patamar. Visceral é a melhor forma para descrever o contragolpe do M2 ao esmagar o acelerador no assoalho e ter despejado nas rodas traseiras 100% do torque de 50,9 kgf.m. O urro dos seis cilindros em linha do motor 3.0 turbo (injeção direta de combustível) de 370 cv hipnotizam. As mãos colam no volante.

O BMW de apenas 1.495 kg ganha velocidade de maneira impressionante. De acordo com a fabricante, a aceleração de 0 a 100 km/h acontece em apenas 4,3 segundos e a velocidade máxima, limitada eletronicamente, é de 250 km/h (270 km/h com o Pacote M Driver).

A adrenalina parece lubrificar também a transmissão automatizada de dupla embreagem e 7 marchas, que trabalha freneticamente. Chamar as trocas para as aletas atrás do volante, ou mesmo para a manopla, deixa o M2 ainda mais na mão. Jogar o giro para lá dos 5.500 rpm nas retomadas e ‘espetar’ marcha para baixo nas reduções, fazendo o motor berrar e o escapamento estalar. Nota de pesar: a opção de câmbio manual de seis marchas que existe em outros mercados, não está nos planos da BMW para o Brasil.

É em sequência de curvas e retas curtas, porém, que o BMW provoca overdose. Com distribuição de peso praticamente com 50% na dianteira e 50% na traseira, entre-eixos curto (2,69 metros) e eixo dianteiro rígido, extremamente bem concebido pelos engenheiros da Motorsport, o M2 revela uma agilidade impressionante nas mudanças de direção. A frente não arrasta – dificilmente escuto o cantar dos pneus. E a traseira se comporta de maneira exemplar, sem ‘rabiadas’ indesejadas, tornando-o arisco. A direção, apesar da assistência elétrica, é pesada, o que ajuda a ser mais precisa na condução.

Modelo custa R$ 379.950. A garantia é de apenas 24 meses, sem limite de quilometragem

Aliás, pode até parecer contraditório, mas diante de um comportamento explosivo, o M2 Coupé é um carro de fácil condução. Toda sua intensidade é estancada por uma ‘sinceridade’ que não me recordo ter encontrado em uma outra fera como esta. Sem os ‘anjos da guarda’ da eletrônica atuando – estou falando dos controles de tração e estabilidade -, as saídas de traseira estão sempre sob controle. Aliás, o BMW ‘avisa’ quando começa a escapar e permite que você brinque, se divirta ao volante com um leve drift. Para quem gosta do cheiro de borracha queimada, o M2 parece ter até a função burnout...

Os freios atuam muito bem. Com ABS (antitravamento) e EBD (distribuição eletrônica da força de frenagem), o desafio é frear cada vez mais dentro da curva. Aos poucos passar do ‘Deus me livre’. Apesar da enorme capacidade de frenagem – os discos nas quatro rodas com pinças ‘M’ –, o BMW parece desacelerar sobre trilhos tamanho é seu equilíbrio.

Aceleração de 0 a 100 km/h acontece em 4,3 segundos e a velocidade máxima, caso esteja com o pacote M Driver, é de 270 km/h

Em alumínio, a suspensão dianteira independente tipo McPherson e a traseira Multilink tem comportamento exemplar para um esportivo. A oscilação da carroceria é zero em curvas e frenagens. O efeito ‘banheira’ simplesmente não existe neste M2. Não procure conforto para rodar no dia a dia, mesmo no modo Comfort de condução. O setup rígido provoca dores de cabeça se rodar de segunda a sexta-feira para o trabalho no asfalto vergonhoso das vias paulistanas. O M2 foi concebido para ‘degustar’ o asfalto liso das Autobahns ou das pistas de track day.

Esculpido para pista

Não apenas o conjunto mecânico do BMW M2 Coupé foi desenvolvido para acelerar. Designs interno e externo sugerem uma esportividade à altura da performance. A ‘cara’ de poucos amigos está no para-choque dianteiro com entradas de ar generosas e com vincos marcantes para canalizar a entrada de ar. Nas laterais, o efeito visual fica por conta da linha de cintura alta e das belíssimas rodas de 19 polegadas, calçadas com pneus Michelin 245/35 R19 na frente e 265/35 R19, atrás.

O volante multifuncional é grande, mas tem excelente empunhadura. Os ajustes do banco são elétricos, algo que eu abriria mão (poderia ser manual, como os da coluna de direção) por conta da proposta de ser de pista. Os bancos são esportivos – não concha, como ‘bólidos’ de competição – e tem abas laterais do encosto reguláveis que permitem ‘prender’ motoristas magrelos e gordinhos, evitando que escorreguem em curvas. É muito fácil vestir o ‘M2’ em motoristas tamanho ‘P’ e ‘G’ – os de manequim ‘GG’ ficarão um pouco desconfortáveis.

O acabamento é muito bom. Mistura couro, peças emborrachadas e partes em fibra de carbono. Tudo na medida, sem exageros, e perfeitamente encaixadas. A central multimídia entrega inúmeras funções, desde serviço de concièrge, passando por sistema de navegação GPS com informação de trânsito em tempo real, chegando a todos os recursos do ConnectedDrive que permite o motorista ler e-mails e mensagens do próprio smartphone pareado ao sistema. Não é compatível a Android Auto ou Apple CarPlay, nem a tela é sensível ao toque.

Entre os itens de comodidade e segurança, destaque para o ar-condicionado digital, câmera de ré e sensor de estacionamento traseiro, indicador de intervalos de manutenções periódicas, sistema Start-Stop, airbags frontais, laterais e de cortina, teto solar elétrico e controlador e limitador de velocidade.

 

Conclusão

Viciados por adrenalina precisam dirigir, pelo menos uma vez na vida, o M2 Coupé. Intenso e sincero na condução, entregando alta performance e dirigibilidade extremamente prazerosa, o BMW é – pensando nas características do mercado brasileiro – um ‘brinquedaço’ para ‘abonados’ curtir um track day ou uma estradinha sinuosa e desafiadora. É, na minha modesta opinião, o melhor ‘M’ dos últimos tempos não por seus números, mas por sua personalidade. Não ficarei surpreso se substituir o idolatrado (merecidamente) M3!

Jogador de futebol frustrado, resolveu ser jornalista para escrever sobre tudo que tivesse motor, fizesse (muito ou pouco) barulho e fosse possível de pilotar. Aficionado por superesportivos e clássicos, pensa agora acelerar também sobre duas rodas...

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