Renault Fluence GT Line sacia quem tem fome

Versão "enfeitada" do sedã vem equipada com motor 2.0 de 143 cv por R$ 80.990

WM1 / Dezembro 2015
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Há alguns anos, a Toyota estreou um comercial com a dupla Selton Mello e Wagner Moura para promover a versão esportiva do Corolla, a XRS. A Renault viu na ação um filão de compradores que precisavam de um sedã médio, mas não queriam deixar de lado a esportividade. Resolveu então trazer para o Brasil a variação GT do Fluence. O modelo preparado na França deu um tapa na cara dos japoneses. Motor 2.0L 16V turbo do Megane GT europeu, 180 cavalos e ótimos 30,6 kgf.m de torque máximo, câmbio manual de seis marchas, aceleração de 0 a 100 km/h em apenas 8 segundos (220 km/h de máxima) e uma boa personalização estética. Acontece que as vendas e a desvalorização do real frente ao euro não ajudaram e a marca teve que se adaptar à realidade do mercado.

Por isso, junto com o facelift do último ano a variação GT foi descontinuada e, para os amantes do sedã que ficaram saudosos do apelo esportivo, a marca apresentou a versão GT Line. Foi exatamente esta a que escolhemos para rodar por uma semana. A intenção foi clara, descobrir se valia a pena investir R$ 80.990 para ter um “pseudo” esportivo.

O primeiro aspecto, sem dúvida, é o visual. A Renault caprichou para deixar o sedã com um jeitão menos comportado e muito mais, digamos, vibrante. E o resultado foi bem satisfatório. O comprador vai poder fazer bonito na frente dos amigos.

A tarefa ficou por conta da equipe Renault Design América Latina (RDAL), único estúdio da marca nas américas. As rodas, por exemplo, têm desenho exclusivo, são de aro 17. A dianteira, que já havia sofrido uma reformulação no facelift, foi ainda mais mexida para o GT Line. O para-choque recebeu um exclusivo spoiler integrado, abaixo da entrada de ar. Já os faróis de neblina foram envoltos em uma moldura prateada. Na lateral, saias esportivas e as bonitas rodas deram o charme, enquanto que na traseira, um pequeno spoiler foi integrado à tampa do porta-malas. O para-choque traseiro recebeu pequenas saídas de ar nas extremidades, enquanto o escapamento foi envolto por um extrator de ar na cor preta.

Já que o negócio foi carregar na maquiagem, o interior do sedã não poderia ficar de fora da brincadeira. Basta abrir a porta do motorista para perceber as mudanças em relação as demais versões. O acabamento das portas, o descansa braço central, a forração dos bancos e até o volante são em couro preto com as costuras em vermelho. Os assentos trazem ainda a inscrição GT Line nos encostos de cabeça. Um filete vermelho percorre todo o painel dianteiro. E, para completar o pacote, os pedais são em alumínio. Sem dúvida a Renault soube como deixar o Fluence com aspecto esportivo. O ponto negativo é para o excesso de plástico ruidoso pela cabine. Já os assentos dianteiros contam com abas pronunciadas que seguram bem o corpo do condutor.

A marca também se preocupou com a lista de equipamentos, que garante além do visual, um bom custo-benefício para a versão. Entre os principais itens estão teto solar, sensor de aproximação para a abertura das portas, partida do motor por botão, ar-condicionado digital bizone com saída de ar para o banco traseiro, direção elétrica com regulagem de altura e distância, sistema multimídia de sete polegadas com GPS sensível ao toque, sensor de estacionamento e câmera de ré.

Depois de virar a chave, ou melhor, neste caso apertar o botão de partida, é que o jogo fica complicado para o GT Line. Sob o capô esqueça os 180 cavalos de potência máxima e os mais de 30 quilos de torque máximo do finado Fluence GT, o propulsor 2.0 16v Hi-Flex, que equipa esta versão, tem duplo comando de válvulas no cabeçote, mas nada de turbo e, por isso, entrega 140 cv de potência máxima quando abastecido com gasolina e 143 cv com etanol. O 2.0L do Ford Focus Fastback entrega até 178 cv e o 2.0L do Corolla chega aos 153 cv, só para citar dois dos concorrentes diretos do Renault. O torque máximo é de 20,3 kgf.m a altos 3.750 rpm (28,6 kgf.m para o VW Jetta TSI).

Na prática, o Fluence GT Line acelera e retoma velocidade menos do que o visual aparenta. Para piorar a situação, a versão deixou de lado a caixa manual de seis velocidades para adotar o câmbio CVT, que tem inúmeras possibilidades de troca de marcha. Não me entenda mal, o câmbio é bom, mas incompatível com a alma de um esportivo.

Tanto transmissão quanto propulsor foram feitos para um sedã médio que privilegia o conforto, até a suspensão segue este mesmo mantra. O conjunto não é molenga, mas também não apresenta a rigidez que se espera para uma versão apimentada.

Segundo a Renault, o Fluence GT Line acelera de 0 a 100 Km/h em 9,9 s (etanol) / 10,1 s (gasolina) e sua velocidade máxima é de 195 km/h. São números que comprovam a alma pacata do sedã.

O Fluence GT Line foi feito para o comprador que se importa com a aparência, mas que no dia a dia não faz questão de ter um esportivo. Com essa ideia em mente não há motivos para se enganar com a compra. Porém, se você deseja ir além de um traje interessante para a festa, fuja do GT Line.

Editor, amante dos carros desde criança e colecionador de revistas automotivas. Seu passatempo preferido é viajar de carro ouvindo um bom rock. No mundo automotivo, tem uma queda pelas peruas e pelos esportivos. Quando não está fuçando sobre carros tenta a sorte nas quadras de tênis

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