Novo Chery Celer ainda tem um pé na China

Apesar da evolução visível, modelo ainda traz características de um carro chinês

WM1 / 14/04/2015 às 23:17atualizado 10/07/2016 às 14:57
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(Tuiutí - SP) Agora fabricado no Brasil, o novo Chery Celer ainda carrega diversas características de um típico automóvel chinês – e isso, infelizmente, não é um elogio. O WebMotors teve um primeiro contato com as versões sedã e hatch durante o lançamento do modelo, realizado em Tuiutí, interior de São Paulo, e chegou a conclusão que a evolução em relação à geração anterior é visível, mas um longo caminho é preciso ser percorrido para atingir o patamar de concorrentes como Hyundai HB20, Renault Sandero e Chevrolet Onix.

O preço é competitivo. Por R$ 38.990 é possível comprar um Celer hatch em uma das 72 concessionárias da marca espalhadas pelo País – objetivo é fechar 2015 com 77 lojas. Já na configuração de entrada, o ‘china de alma’ é equipado com ar-condicionado, direção-hidráulica, vidros elétricos nas quatro portas, travas e espelhos retrovisores externos elétricos, computador de bordo, airbag duplo frontal, freios ABS (antitravamento) com EBD (distribuição eletrônica da força de frenagem), e três anos de garantia – o Celer antigo tinha cinco anos.

Por mais R$ 2.000 é possível pular para a versão topo de linha ACT e agregar faróis de neblina, sistema de som com rádio CD Player e entrada USB, alarme e rodas de liga leve de 15 polegadas. Uma central multimídia chamada de Chery I-Connect com tela sensível ao toque, conexão Bluetooth e GPS está disponível como acessório por R$ 1.800.

De acordo com os executivos da marca, as revisões periódicas com preços fixos ocorrerão aos 10.000 (ou 12 meses), 20.000 (ou 24 meses) e 30.000 quilômetros (ou 36 meses). Os preços não foram definidos ainda (serão fechados na primeira semana de maio), mas não deverão fugir muito dos valores praticados com a geração passada do Celer, que eram de R$ 212,16, R$ 784,77 e R$ 468,27, respectivamente.

PONTOS A MELHORAR

A nova geração do Celer está mais ocidental – perdeu, felizmente, a cara chinesa -, porém não arrancará suspiros por onde passar. Aliás, dificilmente será notado. A discrição talvez seja sua principal característica visual, o que não é nenhum demérito.

O interior de Chery também não impressiona. Aliás, decepciona um pouco. Há plástico de qualidade mediana por todos os lados – transmite a sensação de que o incômodo barulho de peças batendo no interior será inevitável. Tecido mesmo somente no revestimento dos bancos e no teto. Os encaixes das peças são ‘ok’ e não apresentam aqueles espaços grotescos dos primeiros chineses importados para o mercado brasileiro – a primeira geração do Tiggo não nos deixa mentir...

A posição ao volante não é das melhores. A coluna de direção tem apenas ajuste de altura. O banco do motorista também oferece regulagem de altura, mas que, na realidade, trabalha com a inclinação do assento – sistema incômodo e que lembra o da família do Volkswagen Gol. Aproveitando o assunto banco, o encosto poderia ser mais amplo e as espumas utilizadas menos macias ao extremo.

Ponto negativo também para o volante, que poderia ter uma empunhadura mais receptiva às mãos do condutor.

O espaço interno, no entanto, salta aos olhos. Com 2,52 metros de distância entre os eixos, até os mais altos não encontram problemas com os joelhos no banco traseiro. O acesso também é fácil. O ponto alto do Celer hatch, entretanto, é a capacidade de carga. O porta-malas transporta até 380 litros – é o maior da categoria, levando 60 litros a mais que o Renault Sandero, referência de espaço no segmento.

ACELERANDO

Ao ‘bater’ na chave, o motor ACTECO 1.5 16V Flex ganha vida de maneira suave. No entanto, ao ‘espetarmos’ a primeira marcha, notamos uma típica característica de um carro chinês: o barulho acima da média dos engates, que realmente estão mais curtos e precisos, mas ainda está longe de ter a desenvoltura de um câmbio Volks, por exemplo.

Com novo mapeamento eletrônico, o propulsor está mais voluntarioso. Agora são até 113 cv de potência a 6.000 rpm e torque de 15,5 kgf.m a 4.000 rotações, quando abastecido com etanol. Na geração anterior, este mesmo bloco produzia 108 cv aos mesmos 6.000 giros e apenas 14 kgf.m a 3.000 rpm.

O câmbio é manual de cinco marchas – a Chery afirma ter uma transmissão automatizada pronta, mas que prefere não colocar no mercado pelo fato de este tipo de caixa não ter uma imagem muito boa no mercado brasileiro.

Como a maioria dos motores 16V aspirados, as saídas não empolgam. O ideal é trabalhar em rotações mais elevadas, especialmente nas retomadas. Rodando a 100 km/h, o conta-giros belisca os 3.000 rpm e o ruído dentro da cabine fica um pouco acima da média.

A suspensão (McPherson na dianteira e semi-independente na traseira) foca 100% no conforto. E o preço a se pagar por isso é uma carroceria que oscila acima da média nas curvas mais fechadas e frenagens bruscas, transmitindo desconforto ao motorista.

CONCLUSÃO

Apesar de feito no Brasil, o novo Celer ainda está com um pé na China. Talvez, quando o índice de nacionalização passar dos 35% atuais, o Chery se transforme realmente em um veículo de corpo, alma e coração brasileiros e passe a frequentar o gosto do consumidor ‘tupiniquim’. Tem condições de incomodar os rivais? Ainda não. Quem sabe acirre a disputa com o JAC J3 – e só.

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Jogador de futebol frustrado, resolveu ser jornalista para escrever sobre tudo que tivesse motor, fizesse (muito ou pouco) barulho e fosse possível de pilotar. Aficionado por superesportivos e clássicos, pensa agora acelerar também sobre duas rodas...

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