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Fiat Mobi Drive

Mobi Drive: motor surpreende, central decepciona

Ele é o Mobi que mais faz sentido no line up, com motor 1.0 três cilindros e direção elétrica; parte de R$ 40.670

WM1 / 23/01/2017 às 12:30

A Fiat, quando lançou o Mobi, se precipitou. Ele foi apresentado com o velho conhecido motor quatro cilindros do Palio Fire, com direção hidráulica e a promessa de uma central multimídia diferente, a Live On. Mas essa central só chegou em novembro de 2016, sete meses após o lançamento do carro. O reflexo disso, além da decepção da clientela, foi que as vendas nunca decolaram como a Fiat previa. De fato, o Mobi parecia não fazer sentido.

No Salão do Automóvel, a Fiat lançou a versão Drive, equipada com um moderno e econômico motor três cilindros 1.0 Firefly flex, com direção elétrica e finalmente com o tal sistema de som Live On. Mas e as outras seis versões equipadas com motor de quatro cilindros? Ainda estão lá. A Drive é a única equipada com a motorização e parte de R$ 40.670.

De série, ele vem com ar-condicionado, chave canivete com controle, vidros elétricos dianteiros, travas elétricas, lavador e desembaçador traseiro, abertura interna do tanque e do porta-malas, volante e cintos com ajuste de altura, banco traseiro bipartido, entre outros itens.

A versão testada pelo WM1, todavia, traz o sistema Live On, que vem no pacote de equipamentos Kit Tech Live On, vendido separadamente a R$ 4.731. Ou seja, para ter a central, você paga R$ 45.401 pelo carro. No pacote vem também faróis de neblina, alarme, retrovisores elétricos com tilt down e luzes de direção, banco do motorista com ajuste de altura, apoia-pé para o motorista, porta-revista, porta-óculos, sistema de som com bluetooth e USB e sensor de estacionamento traseiro, além de volante multifuncional, rodas de liga-leve aro 14 e console de teto com espelho auxiliar, para ficar de olho nas crianças no banco de trás.

Como já conhecemos bem o Mobi, vou direto às principais novidades: o motor e a central Live On. 

PowerTrain
PowerTrain

PowerTrain

Desempenho
Desempenho

Desempenho

Dimensões
Dimensões

Dimensões

Dinâmica
Dinâmica

Dinâmica

Capacidades
Capacidades

Capacidades

Powertrain
Agora sim, com o motor 1.0 Firefly de três cilindros, o Mobi faz sentido no line up da Fiat. Ótima disposição em baixos giros, pouco ruído e vibração, além de números de consumo invejáveis: superamos os 16 km/l em nosso teste.
Consumo Cidade
13,7 km/l (G)
Consumo Cidade
9,6 km/l (E)
Consumo Estrada
16,1 km/l (G)
Consumo Estrada
11,3 km/l (E)
Desempenho
Em baixos giros, faixa mais usada em trajetos urbanos, o carro mostra ótima disposição. Ele não é um ás da velocidade, e nem é essa a proposta, mas é na economia de combustível que ele ganha nossa admiração.
Dimensões
Embora bem compacto, seus 2,30 m de entre-eixos são otimizados com bancos estreitos (e ainda assim bem confortáveis) e para ajudar no embarque dos passageiros, o ângulo de abertura da porta traseira bem amplo.
Dinâmica
O acerto da suspensão do Mobi é perfeito para a cidade. Embora ela esteja um pouquinho mais rígida, o que é bom, encara com muito conforto a buraqueira da cidade, sem transferir para os ocupantes.
Porta Malas
215 Litros
Tanque de Combustível
47 Litros
Ocupantes
5
Carga útil
400 kg
Capacidade
O porta-malas tem capacidade para apenas 215 litros, mas ele tem um fundo "falso" que transforma-se em uma caixa para transportar, ou mesmo proteger alguns objetos.

Como anda?

O 1.0 6V Firefly é um grande aliado a seu favor. Bicombustível, ele gera 77 cv no etanol e 72 cv na gasolina, e tem torque máximo de 10,9 kgfm a 3.250 rpm. Com geometria otimizada, ele tem arquitetura de duas válvulas por cilindro, que melhora o rendimento do motor em giros reduzidos. De fato, ele tem muita disposição em baixos giros e as retomadas são bem ágeis. Ao volante, podemos sentir a vibração característica dos motores de três cilindros, mas não chega a ser um incômodo para o motorista já que o comportamento espertinho do motor compensa. Outro ponto extremamente positivo são os números de consumo marcados no computador de bordo. No nosso teste, com gasolina, tivemos uma média de 14,2 km/l e situações que superavam os 16 km/l!. Entre os 1.0 aspirados ele é considerado o motor mais econômico do país.

Outro benefício é a direção com assistência elétrica, bem levinha. E, como se não bastasse, ela ainda traz o recurso City, um botão no painel, que alivia ainda mais o peso do volante para facilitar as balizas.

Também ganharam minha admiração as suspensões, McPherson na dianeira e eixo de torção na traseira,  que foram recalibradas. Embora priorizem o conforto, o conjunto está um pouco mais firme e filtra muito bem a buraqueira da cidade. A altura em relação ao solo também é respeitável para um urbaninho, o que nos faz evitar contorcionismos quando passamos em valetas e lombadas. Agora sim, Fiat, o Mobi Drive é um urbano de verdade: econômico, ligeiro e com ótimo  acerto de suspensão para enfrentar o asfalto mal cuidado das metrópoles brasileiras. 

A bordo

A cabine surpreende pelo silêncio, mesmo quando estamos com o Mobi na estrada e o motor está trabalhando na casa dos 3.500 giros. Todavia, ficamos envoltos naquela abundância de plásticos que já estamos acostumados desde o Uno. A diferença é que a Fiat cria diversas texturas para dar um ar menos pobre a plásticos duros. Funciona. 

Os bancos são confortáveis e estreitinhos para otimizar o espaço interno, e não posso deixar de mencioonar o ar-condicionado extremamente rápido ao gelar a cabine. Mas vamos ao que interessa, afinal, o Mobi você já conhece. Se não, relembre aqui neste vídeo:

Central Live On 

Finalmente, vamos experimentar a central Live On. Como mencionei anteriormente, ela só é vendida no pacote de opcionais Kit Tech. Mas, ao entrar no carro, o que vemos é um suporte para o celular, bem sofisticado eu diria. Para que você entenda, a Fiat tentou baratear os custos de uma central multimídia convencional eliminando a tela touch, que seria substituída pela tela do celular do usuário. Para isso, foi desenvolvido um aplicativo de celular, onde o pareamento acontece via bluetooh. Calma, vou explicar. 

Vamos ao passo a passo. Primeiro a gente baixa o app Live On. Até aí, ok. Depois, tentamos fazer a conexão do nosso celular com a central do carro via bluetooth. Basta segurar o botão do telefone no volante, do lado esquerdo, e aguardar o aviso sonoro. Bem, o aviso veio na hora que ele bem entendeu, depois de umas quatro tentativas. Antes disso, nada de conectividade.

Enquanto eu não conseguia interagir com o aplicativo, tentei me entender com o rádio. As estações ficam visíveis no visor digital que fica no meio do velocímetro e é possível mudar a sintonia pelos botões no volante, ou seja, só o motorista controla o som. O problema é não haver um botão para desligá-lo. De qualquer forma, dá para resolver este "problema" apertando o botão “mudo”, também no volante.

Consegui parear meu aparelho. Ufa! Encaixei meu telefone no suporte sofisticado no painel, onde ele fica bem preso. O iPhone ficou posicionado corretamente, já um Motorola que testei ficava com um dos botões laterais pressionado, desabilitando outras funções. Ou eu assumia que ele ficasse torto no suporte, ou desistia do uso. Insisti.

http://picasion.com/

Vale mencionar que, como utilizamos a tela do nosso celular como central, nossa bateria, bem como nossa conexão de internet, é consumida quando controlamos algumas funções. Uma entrada USB no suporte no painel ajuda no caso da bateria, mas vamos combinar que o acesso não é dos mais práticos. A portinha (que tem uma mola para manter-se fechada) fica pressionando seu dedo até você conseguir encaixar o USB. Não curti.

Por meio do app, é possível controlar as funções do rádio, músicas do celular, streaming, acessar apps de navegação ou seu app de música favorito, além de receber dicas do EcoDrive para condução mais econômica. Novamente, me deparei com algumas questões. Por exemplo, quando a gente abre o Spotify e depois quer voltar para o Waze, ele não volta para a tela do aplicativo e sim para a tela do celular. O que deveria minimizar o desvio de atenção do motorista, no meu caso, aumentou.

Há a interessante função "Onde Parei?", que informa o último local em que o veículo foi estacionado, facilitando sua localização. Na hora que a gente desliga o carro, aparece uma mensagem no visor do celular perguntando se queremos ou não deixar o rádio ligado. Uma pena que isso não aconteceu em todas as vezes. Houve uma situação em que eu desliguei o carro, tranquei o carro e o rádio não desligou. Com o rádio funcionando, a mensagem no painel era: áudio desligado. Quanta incoerência...

Fiz mandinga, reza 'braba' e nada. Deixel o Mobi lá no estacionamento, com o hit do momento tocando para ninguém no habitáculo e confiando que uma hora o som desligaria sozinho. Desci meia hora depois e o rádio ainda estava ligado. Imagine passar por isso depois de investir R$ 4.731 pelo pacote com a central? Nada agradável.

Mas, na minha opinião, o pior de tudo é lidar com a insegurança das grandes cidades com o smartphone que a gente nem terminou de pagar exposto no painel do carro. Uma vitrine para pessoas mal intencionadas.

Conclusão 

Eu adorei o Mobi Drive e acho que agora sim, ele tem propósito. Pelo motor moderno, direção levinha, economia de combustível exemplar e suspensão preparada para enfrentar a buraqueira sem ser molenga demais, e é exatamente isso que esperamos de um carro urbano. Agora, quanto à central Live On, minha sugestão é que você economize R$153 e escolha o pacote Kit Tech, que vem com o rádio Connect, que possui bluetooh, USB e entrada auxiliar e não expõe seu celular nem te faz passar nervoso.

Valores de revisão

10.000 km

R$ 236,00

20.000 km

R$ 444,00

30.000 km

R$ 404,00

40.000 km

R$ 708,00

Sempre preferiu carrinhos a bonecas. Seu primeiro brinquedo motorizado foi um Jeep Willys 1951, que dirige até hoje. É realizada escrevendo sobre veículos, seja ele qual for. Acorda cedo para assistir ao MotoGP.

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