HR-V é nova referência entre os SUVs compactos

WebMotors avaliou por mais de 1.000 km a versão intermediária EX do Honda

WM1 / Março 2015
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Reconheço. Sempre tive um pé atrás com os utilitários esportivos compactos. Desengonçados e pouco práticos, além de (muito) caros e extremamente insossos ao volante, sempre preferi os sedãs ou as station wagons para carregar minhas tralhas. No entanto, reconheço que preciso rever meus conceitos aparentemente inflexíveis. E o responsável por isso tem nome: Honda HR-V.

Com níveis altíssimos de refinamento e racionalidade, o modelo fabricado em Sumaré (SP) reúne qualidades para ser best-seller no mercado brasileiro. É bonito, moderno, espaçoso, confortável, tem desempenho em sintonia com sua proposta e carrega na grade frontal o símbolo de uma das marcas com maior nível de satisfação entre seus clientes. Nasce com a áurea dos carros confiáveis. Até mesmo os preços indigestos – vão de R$ 69.900 a R$ 88.700 – tornam-se palatáveis e competitivos quando analisamos as demais opções do mercado.

Para começar a mudar de opinião, rodei mais de 1.000 quilômetros com a versão intermediária EX (R$ 80.400) entre as cidades de Brasília (DF) e São Paulo (SP) em cerca de 10 horas de viagem. No caminho, a dirigibilidade foi o que mais me chamou a atenção. Em nenhum momento me senti dentro de um SUV compacto, mas sim, de um hatch. Aliás, o dinamismo do HR-V ao volante tem suaves repentes de Mercedes-Benz GLA 200 (guardadas as devidas proporções).

Nas entradas e saídas de curva, o HR-V sempre esteve absolutamente sob controle. Nos trechos que encarei forte chuva e pista molhada, o comportamento foi exatamente o mesmo. Os controles de estabilidade e tração, que são de série desde a versão de entrada, não atuaram em nenhum momento, entregando o elevado equilíbrio do Honda. Importante destacar o bom ajuste da suspensão, firme na medida certa para manter o Honda nos ‘trilhos’, limitar ao máximo oscilações incômodas da carroceria em curvas fechadas e frenagens bruscas, e entregar o que mais importa neste segmento: conforto!

O desempenho do conjunto mecânico ficou acima das minhas expectativas. Quando a Honda anunciou, no Salão do Automóvel de São Paulo no ano passado, que o HR-V teria o motor 1.8 16V Flex do Civic de entrada e a ‘sonolenta’ transmissão automática CVT, fechei a cara. O que levou os japoneses a colocar esta combinação, se o elogiado sedã médio deles roda com motor 2.0 16V e câmbio automático de cinco marchas? Bom, a resposta veio no asfalto...

Com um retrabalho da central eletrônica, que fez o HR-V ser mais potente com gasolina do que com etanol (140 cv/139 cv, respectivamente), a primeira boa conquista foi um casamento harmônico com a nova caixa CVT. E com 17,4 kgf.m de torque (álcool), a agilidade nas arrancadas e retomadas ficaram satisfatórias, especialmente para quem pesa 1.270 kg. Lógico (óbvio), que o HR-V não é um arrombo de performance – por isso, quem busca esportividade pode esquecer o Honda. Mas sua linearidade agrada ao volante e ao bolso. Rodando a uma média de 110 km/h na Rodovia Anhanguera e o computador de bordo cravou 14,5 km/l (gasolina). Na cidade, pegando alguns pontos de congestionamento, a média foi de 9,4 km/l (gasolina). Números de fazer inveja a quem tem na garagem um 1.0.

Um adendo: Apesar de a Honda ter desenvolvido uma caixa CVT que inibe a linearidade irritante de uma primeira marcha eterna, isso é praticamente imperceptível. Na versão topo de linha EXL, que vem com aletas atrás do volante (borboletas), permitindo a simulação da troca de marchas, a sensação é mais evidente. Mesmo assim, muito distante de uma caixa automática tradicional (conversor de torque) ou uma automatizada de dupla embreagem.

CONFORTO

Internamente, o novo trunfo da Honda também conquista os mais exigentes. O acabamento é irretocável, com materiais de qualidade e peças muito bem encaixadas. O painel das portas, por exemplo, é em tecido, e algumas partes do painel central é em material soft touch. A versão LX fica devendo, no entanto, bancos revestidos em couro (estamos falando de um carro acima dos R$ 80 mil).

Com ajuste de altura do banco do motorista, é possível assumir uma posição mais elevada ao volante, no melhor estilo SUV, ou mais baixa, buscando algo parecido com os sedãs, hatches e peruas. As regulagens da coluna de direção (altura e profundidade) complementam a boa ergonomia. Ponto positivo para o console central elevado com descansa braço deslizante. É o tipo de coisa que ninguém se interessa, mas basta um congestionamento para apoiar cotovelo direito lá para descansar.

O painel de instrumento é discreto. Apenas o grande velocímetro tem borda em cor diferente, que pode ser configurada (são 7 opções). Esta borda, aliás, fica verde quando o motorista está dirigindo de forma econômica. Trata-se de uma característica já comum nos carros da Honda. O computador de bordo também traz apenas informações necessárias, como consumo médio e autonomia. Apenas seu manuseio poderia ocorrer por intermédio do volante multifuncional, que tem os comandos do sistema de som (com tela de 5 polegadas) e do controlador/limitador de velocidade.

Para quem viaja no banco traseiro, muito espaço. Com 4,29 metros de comprimento, o SUV compacto tem 2,61 metros de distância entre os eixos. Três passageiros viajam tranquilamente no banco traseiro, todos com cinto de segurança de três pontos e encosto de cabeça – itens que serão obrigatórios a partir de 2018 para todos os assentos. O porta-malas tem capacidade para 431 litros, mas com a modularidade dos bancos bipartidos (60/40), o HR-V consegue levar de bicicleta a prancha de surfe. Esta modularidade é exatamente a mesma encontrada no Honda Fit.

A lista de itens de série da versão LX é boa: direção com assistência elétrica, ar-condicionado, câmera de ré (poderia ter também sensor de estacionamento dianteiro e traseiro), conexão bluetooth, auxílio de partida em rampa, travas e vidros elétricos (one touch nas quatro portas), airbag duplo frontal, freios a disco nas quatro rodas, EBD, ABS e três anos de garantia.

CONCLUSÃO

O Honda HR-V definitivamente eleva a disputa entre os utilitários esportivos compactos, tanto que não olha Ford EcoSport e Renault Duster como concorrentes diretos. Está mesmo é aguardando (ansiosamente) as chegadas de Jeep Renegade e Peugeot 2008. De cara, no entanto, cravo que o Honda irá roubar muitos proprietários de sedãs e hatches médios, minivans e peruas, tornando-se uma das referências do mercado. Eu, proprietário de um sedã e avesso aos SUVs compactos, gostaria de ter um para carregar minhas tralhas.

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Jogador de futebol frustrado, resolveu ser jornalista para escrever sobre tudo que tivesse motor, fizesse (muito ou pouco) barulho e fosse possível de pilotar. Aficionado por superesportivos e clássicos, pensa agora acelerar também sobre duas rodas...

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