De cara nova, Chevrolet Cobalt fica mais caro

Sedã mantém excelente espaço interno, mas agora tem versão top a R$ 67.990

WM1 / Dezembro 2015
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São 7 horas da manhã e o espírito sequer está no corpo. Entro no carro, bato na chave e uma voz do além me alerta que o ‘possante’ está no rodízio e que é preciso prestar atenção aos horários de circulação no centro expandido de São Paulo. Paro por alguns segundos intrigado e tento me lembrar se havia vodka na xícara de café que tomei. Mais alguns segundos ali, inerte frente ao volante, e então a ficha cai. Trata-se do OnStar, tecnologia de concierge que passa a integrar o Chevrolet Cobalt 2016 – e que falarei mais para frente.

Queridinho dos taxistas, o sedã compacto fabricado em São Caetano do Sul (SP) deixou de ser feio, ganhou tecnologia e melhorias no acabamento, manteve o mesmo conjunto mecânico e excelente espaço interno, e ficou...mais caro! Isso mesmo: caro. Você precisa investir exatos R$ 67.990 para ter na sua garagem a versão topo de linha Elite, que volta aos modelos da Chevrolet após rápido desaparecimento com as aposentadorias de Vectra e Zafira.

Durante o lançamento, ocorrido no Rio de Janeiro, o Cobalt 2016 atendeu a uma expectativa de toda a torcida do Flamengo (também de Fluminense, Botafogo, Vasco, Santos, Corinthians, Palmeiras, São Paulo e até – acreditem – da simpática Lusinha): deixou de ser feio. Com linhas mais modernas, o sedã perdeu a cara de Montana e Ágile (e isso é uma excelente notícia). Ganhou novos faróis, parachoque e grade frontal. A lateral manteve praticamente a mesma e a traseira abandou os faróis verticais para assumir postura horizontal.

Na realidade, o Cobalt não ficou menos feio, mas mais discreto. Nas ruas, poucos eram os motoristas, motociclistas e pedestres que reparavam que se tratava de um carro novo. Os que notavam algo diferente, porém, esperavam eu passar para ver o nome na tampa do porta-malas.

Rodei por quase 1000 quilômetros com o ‘grandalhão de corpo’ e ‘compacto de segmento’ entre ruas e estradas, e o Cobalt 2016 foi exatamente o racional e extremamente sóbrio Cobalt de sempre. Com 108 cv, quando abastecido com etanol, o motor 1.8 8V bicombustível oferece 17,1 kgf.m de torque a 3.200 rpm. Números pouco imponentes e que tornam o carro moroso nas acelerações e, principalmente, retomadas. O câmbio automático de seis marchas vai bem. Tem engates suaves. Mas sozinho não consegue tornar o propulsor mais voluntarioso. É nítida a necessidade de a Chevrolet renovar o bloco – renovar entenda substituir por algo mais moderno...

Esta transmissão, aliás, não oferece trocas manuais pelas aletas atrás do volante ou manopla do câmbio – ações que sugerem uma esportividade que o Cobalt está longe de ter. No entanto, traz o recurso de mudanças por meio de um botão no topo da manopla. O recurso parece estranho, mas é extremamente útil para travar a transmissão em uma marcha segura na descida de uma serra, por exemplo.

A suspensão está firme e confortável – excelente para os passageiros transportados pelos taxistas...

VIRTUDE

A Chevrolet acertou na mosca em não mexer na principal qualidade do Cobalt: espaço interno! Incrível a sensação de amplitude que o sedã passa aos ocupantes. São 4,48 metros de comprimento com 2,62 metros de distância entre os eixos muito bem trabalhados. O mais altos, com mais de 1,80 metros, não enfrentam problemas para acomodar os joelhos ou a cabeça no banco traseiro. Mas o que espanta são os 563 litros do porta-malas – ponto negativo fica para os ‘braços’ da tampa (conhecidos como pescoço de ganso), que acabam impedindo que objetos maiores sema transportados. Importante ressaltar que o banco traseiro pode ser rebatido (40/60).

Se o grandalhão que é passageiro viaja com conforto, o mesmo não acontece com o que dirige. O Cobalt tem apenas ajuste de altura da coluna de direção, com uma amplitude baixa. Já o banco, que tem uma posição naturalmente elevada, tem a regulagem de altura que, na realidade, mexe mais com a inclinação do assento. Desta maneira, as pernas longas dos condutores com mais de 1,80 acabam que quase apoiando o volante no colo.

Outro ponto de atenção para o Cobalt é com relação à ausência de dois itens de segurança importantes e que não podem faltar em um carro de quase R$ 68 mil: encosto de cabeça para o ocupante do assento central do banco traseiro e cinto de segurança de três pontos para o mesmo indivíduo. Também falta controle de tração e estabilidade, como alguns veículos concorrentes têm – caso do Ford New Fiesta Sedan. Airbag duplo frontal e freios ABS (antitravamento) estão, como manda a lei, na lista de equipamentos de série.

Internamente o acabamento melhorou. As peças plásticas ganharam novos materiais – mais agradáveis ao toque – e estão com encaixes melhores. Na opção Elite, os bancos são revestidos em couro, assim como o painel das portas. Os detalhes cromados e em piano black são utilizados sem exagero.

ONSTAR

Além da direção hidráulica, vidros e travas elétricas, ar-condicionado, rodas de liga leve, entre outros itens de conforto, o que faz do Cobalt um modelo especial é a combinação OnStar e central multimídia MyLink de segunda geração.

Especificamente sobre o MyLink, agora o equipamento traz botões laterais para melhor acessar as funções, apesar de manter a tela de 7 polegadas sensível ao toque. O equipamento é compatível ao Car Play e Andoid Auto. É possível utilizar, por exemplo, o Google Maps como GPS, escutar músicas pelo Spotify e até receber e enviar mensagens (por comando de voz) pelo Whatsapp. Uma forma muito bem acertada de entregar comodidade, personificação e segurança.

O sistema está atrelado ao OnStar, que estreou este ano no Brasil com a linha 2016 do Cruze. Com celular pareado ao MyLink, o motorista, por meio de um botão localizado no espelho retrovisor interno, entra em contato com uma pessoa – não um robô/computador – em uma central. Ela é responsável por passar qualquer tipo de informação, desde a localização de uma concessionária a reservar uma mesa em um restaurante. Não tem outra maneira de definir: é um serviço de concierge.

Quando estava voltando do Rio de Janeiro, precisava de um mercado 24 horas na região onde moro. Em menos de um minuto, a Erika, responsável pelo meu atendimento, encontrou um estabelecimento. Uma diferença entre o OnStar do Cobalt e do Cruze é que, em um caso deste, a central encaminharia para o GPS do Cruze a rota. Este tipo de conectividade entre central e carro não existe no Cobalt, por enquanto.

O OnStar também tem um aplicativo que permite monitorar o carro, como alertas de velocidade e movimentação. Em caso de roubo ou furto do veículo, a central pode determinar a redução gradativa de velocidade do carro ou mesmo o bloqueio total do veículo. Também é possível monitorar a rota do Cobalt para saber se o condutor – proprietário ou não – chegou ao destino informado previamente à central. Resumindo, são recursos extremamente interessantes pensando em um País que, infelizmente, sofre muito com a violência.

CONCLUSÃO

‘Feiura’ não é mais argumento para deixar de comprar o Cobalt. A plástica do centro de design da Chevrolet foi muito boa – levando-se em conta que o sedã não era nada atraente. No entanto, um novo argumento nasce: preço. O Cobalt ficou mais caro. Pagar R$ 67.990 na versão topo de linha Elite pode fazer com que o comprador se questione sobre a possibilidade de ir de Cruze ou qualquer outro sedã médio: Nissan Versa, Renault Fluence, Volkswagen Jetta. Vamos ver o que vai ser do Cobalt daqui pra frente.

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Jogador de futebol frustrado, resolveu ser jornalista para escrever sobre tudo que tivesse motor, fizesse (muito ou pouco) barulho e fosse possível de pilotar. Aficionado por superesportivos e clássicos, pensa agora acelerar também sobre duas rodas...

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