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Fiat Toro 2.4 TigerShark Flex

Fiat Toro

Marca/Modelo

R$ 98.730 / R$ 114.278

Versão Base / Versão Testada

2.4 / 16V / Dianteiro/ 4 Cilindros

Motor

Automático de 9 marchas

Câmbio

8.8

Overview

Conjunto mecânico tem excelente performance, especialmente pelo funcionamento frenético da transmissão automática de 9 marchas que tira o máximo a todo momento do motor 2.4 TigerShark, mas o elevado consumo de combustível, especialmente com etanol no tanque, e o espaço interno acanhado para quem viaja atrás deixa um pouco a desejar. Preço inicial elevado e lista de equipamentos apenas 'ok' também faz a Toro Freedom 'patinar' no custo-benefício

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Caímos na rotina com a Fiat Toro 2.4 Flex

Apesar da boa performance do conjunto mecânico, preço, consumo de combustível e espaço interno deixam a desejar

WM1 / 31/01/2017 às 08:30atualizado 01/02/2017 às 16:06

Nem sempre a primeira impressão é a que fica. Muitas vezes, um segundo encontro – mais longo, íntimo e intenso – desmistifica todas as conclusões, positivas ou negativas, daquela conversa inicial, superficial e sem expectativas. Foi mais ou menos o que aconteceu entre a Fiat Toro Freedom com motor 2.4 TigerShark Flex automática (R$ 98.730) e eu. Quando nos vimos pela primeira vez, em novembro passado, a picape deixou uma sensação positiva. Me seduziu. No entanto, quando voltamos a nos encontrar agora em janeiro, o encanto não foi o mesmo...

Minha satisfação com relação à performance deste conjunto mecânico permanece, é fato. Este motor fabricado no México tem um casamento muito ‘sólido’ com o câmbio automático de 9 velocidades. Nas marchas mais baixas há voluntariedade na medida certa para boas saídas e retomadas intensas. De acordo com a Fiat, o torque máximo de 24,9 kgf.m (etanol) aparece pleno aos 4.000 rpm, mas cerca de 90% desta força já está disponível a partir da casa dos 2.000 giros. A potência máxima é de 186 cv (etanol, também)

Na estrada, por onde rodei cerca de 600 quilômetros, a Toro TigerShark é desenvolta. ‘Tocando’ na ‘maciota’, na casa dos 120 km/h, o ponteiro do conta-giros repousa na casa dos 2.000 rpm (9ª marcha). E o silêncio reina no interior – excelente o trabalho de isolamento acústico. Basta, no entanto, ‘socar’ o pé direito no acelerador para a transmissão reduzir uma série de marchas, o giro cutucar as 6.000 rotações e o motor entregar a força necessária para realizar uma ultrapassagem com segurança. Sem sustos.

É possível comandar as mudanças de marchas pela manopla do câmbio ou pelas aletas atrás do volante, recurso que, para a Toro – assim como para determinados utilitários esportivos e crossovers – considero desnecessário. Um ‘mimo’ descartável, pois a picape da Fiat não inspira uma condução esportiva.

Na cidade, a Toro vai bem. E novamente por conta da transmissão, que trabalha freneticamente para atender da melhor maneira meus desejos e cobra do motor as respostas.

O consumo de combustível me chamou a atenção negativamente. E muito. É um carro ‘bebe’ bem. Gosta de uma ‘cana’. Na rodovia, consegui atingir – de acordo com o computador de bordo – o mesmo índice exposto no Programa Brasileiro de Etiquetagem do INMETRO: 7,4 km/l no álcool. No perímetro urbano, no entanto, fiquei abaixo dos 5,9 km/l anunciados, cravando 4,4 km/l. Muito ruim, principalmente para quem tem start/stop. Com gasolina, a Fiat anuncia 10,8 km/l e 8,6 km/l na estrada e na cidade, respectivamente.

Transmissão automática de 9 marchas é a principal responsável pelo bom desempenho do motor 2.4 TigerShark Flex

O acerto da suspensão também me gradou muito. Independente tipo McPherson na dianteira e multi-link na traseira, a Toro rola pouco para suas medidas. Em frenagens mais bruscas, é possível sentir a transferência de peso pela inclinação ligeiramente mais acentuada da carroceria. Nada que cause desconforto. O setup é firme sem ser duro e desconfortável, absorvendo bem a buraqueira das ruas paulistanas. Aliás, a Fiat tem mandado bem na calibração da suspensão de seus modelos. O Mobi é um bom exemplo...

PowerTrain
PowerTrain

PowerTrain

Desempenho
Desempenho

Desempenho

Dimensões
Dimensões

Dimensões

Dinâmica
Dinâmica

Dinâmica

Capacidades
Capacidades

Capacidades

Powertrain
Modelo é equipado com motor 2.4 16V Tigershark bicombustível fabricado no Méxicoi
Consumo Cidade
8,6 km/l (G)
Consumo Cidade
5,9 km/l (E)
Consumo Estrada
10,8 km/l (G)
Consumo Estrada
7,4 km/l (E)
Desempenho
Acelerações e retomadas impressionam, mas consumo de combustível deixa muito a desejar, especialmente com etanol
Dimensões
Apesar de grandalhona, espaço interno deixa a desejar
Dinâmica
Suspensão é independente nas quatro rodas, tipo McPherson na dianteira e multi-braços na traseira
Caçamba
820 Litros
Tanque de Combustível
60 Litros
Ocupantes
5
Carga útil
650 kg
Capacidades
Tampa da caçamba abre como porta de bar do 'velho oeste' e agrega muita praticidade

Apesar de picape - e das dimensões bem mais avantajadas -, o comportamento ao volante se assemelha a de um automóvel de passeio. Os controles de tração e estabilidade são de série, mas raramente entram em ação devido ao bom equilíbrio da Toro. Hill Holder, ou simplesmente auxiliar de partida em rampa, também vem de fábrica.

Ponto a Ponto

Score

8.8

Média opinião do dono

Na frente, a Fiat adota freios a disco e na traseira, tambor. Poderia ser a disco também, e não apenas por conta de partir de praticamente R$ 100 mil, mas por uma questão de maior eficiência. A Toro é uma picape e por essência é concebida para transportar carga – máximo de 650 kg (caçamba tem capacidade para 820 litros) – e uma maior capacidade de frenagem é questão de segurança. Sistema ABS (antitravamento) está lá, como obriga a lei, com EBD (distribuição eletrônica da força de frenagem).

CAÍMOS NA ROTINA

Meu relacionamento com a Fiat Toro caiu na rotina. E foi aqui que começamos a nos desentender um pouco. Para quem se propõe de certa maneira ser um SUV com caçamba, o espaço interno fica devendo. Colocar uma cadeirinha atrás (ISOFIX é item de série em todas as versões, assim como terceiro encosto de cabeça e cinto de segurança de três pontos para todos os passageiros do banco traseiro) obriga o ocupante do banco da frente avançar o assento e encolher um pouco as pernas. Apesar de aparentar, não é um carro 100% para a família. E cinco adultos com pelo menos 1,80 de altura não viajam confortavelmente.

Quem dirige não tem o que reclamar. Eu ‘vesti’ com extrema facilidade a Toro, que traz regulagens de altura e profundidade da coluna de direção e ajustes de altura também para o banco. Eu prefiro uma postura mais elevada, pois, apesar de não ser uma picape média como Chevrolet S10, Ford Ranger ou Volkswagen Amarok, suas medidas (4,91 metros de comprimento e 1,84 metro de largura) já pedem uma atenção especial para livrar os espelhos retrovisores externos do caminho dos motociclistas e para não deixar parte da lateral na pilastra do estacionamento da Webmotors. Aliás, o raio de giro menor da Toro obriga trabalhar mais nas manobras em espaços curtos.

O volante multifuncional tem boa empunhadura e a direção elétrica progressiva é suave na medida certa – poderia ficar um pouco mais ‘pesada’ quando em velocidades mais elevadas. O cluster tem instrumentos analógicos (velocímetro e conta-giros) de fácil visualização e uma tela central com todas as informações do computador de bordo.

O ar-condicionado é de série, mas a configuração de duas zonas é opcional e faz parte do Kit Pleasure Plus, que custa a bagatela de R$ 8.509 e oferece ainda faróis de neblina, sensores de chuva e crepuscular, central multimídia Uconnect Touch Nav 5 com minúscula tela de 5 polegadas sensível ao toque com navegação GPS, comandos de voz Bluetooth (não é compatível com Android Auto ou Apple CarPlay), câmera de ré, rodas de liga leve de 17 polegadas 'calçadas' com pneus de uso misto (225/60 R17), entre outros 'mimos'.

A versão com motor 2.4 TigerShark Flex parte de R$ 98.730, mas, completinha, com todos os opcionais disponíveis, inclusive teto solar, não sai por menos de R$ 117.854

Também são opcionais teto solar elétrico (R$ 4.037) e o Kit Safe Plus (R$ 4.985), que engloba bancos revestidos parcialmente em couro e airbags laterais, de cortina e de joelhos para o motorista.

Como item de fábrica que realmente vem naquele preço inicial abaixo dos R$ 100 mil ainda posso destacar o sensor de estacionamento traseiro, a capota marítima, o estepe full size, o controlador e limitador de velocidade, travas e vidros elétricos, e sensor de pressão dos pneus. Caso não opte pela central multimídia e as rodas de 17 polegadas do Kit Preasure Plus, a Toro tem de série rádio Connect com funções extremamente básicas e rodas aro 16. Convenhamos: o pacote inicial de equipamentos não é tão interessante assim...

CUSTOS

O preço continua o mesmo. A Toro com este motor fabricado no México parte de R$ 98.730 – R$ 14.140 a mais que a opção Freedom 1.8 Flex e apenas R$ 1.970 que a Freedom 2.0 a diesel. Completinha com todos os opcionais disponíveis, inclusive com na cor Vermelho Tribal (R$ 1.593) da unidade que testei, a picape sai por exatos – e ‘salgados’ – R$ 117.854. Este valor é, por exemplo, somente R$ 4.666 a menos que o cobrado pela Toyota Hilux SRV 4x2 com motor 2.7 Flex automática (cabine dupla), uma picape de categoria superior. E apenas como curiosidade - e mantendo as coisas dentro da família FCA (Fiat-Chrysler Automobiles) -, é possível colocar na garagem, com este valor, um Jeep Renegade Sport com motor 2.0 turbodiesel, que parte de R$ 115.990.

As revisões até 40.000 km ou 48 meses da Fiat Toro Freedom 2.4 têm preços interessantes, somando R$ 2.596. Já o seguro no perfil de um homem de 35 anos que mora em São Paulo, casado, que usa o carro para ir e voltar do trabalho e para o lazer aos finais de semana, o valor médio da apólice ficou em R$ 4.870 e a franquia em 'pesados' R$ 8.410 - de acordo com cotação realizada no site Autocompara.

Preços das Revisões Programadas

10.000 km ou 12 meses

R$ 440,00

20.000 km ou 24 meses

R$ 660,00

30.000 km ou 36 mesess

R$ 688,00

40.000 km ou 48 meses

R$ 808,00

CONCLUSÃO

A rotina acabou com o relacionamento que parecia ser promissor no primeiro encontro entre a Fiat Toro Freedom 2.4 TigerShark Flex e eu. Depositei expectativas de que poderíamos viver em família na cidade, mas sua falta de espaço interno e consumo elevado, especialmente com etanol no tanque, acabaram nos afastando. Talvez uma vida estradeira, transportando carga e não pessoas - para o que, afinal, uma picape realmente serve -, seja mais justa para ela. Seu valor inicial elevado e a lista de equipamentos que não impressiona, também prejudicam seu custo-benefício.

Mas a culpa pelo insucesso do nosso relacionamento não é apenas da Toro. Admito que em muitas vezes que estávamos a sós, eu a imaginava 'vestindo' não o motor 2.4 Tigershark, mas sim o equilibrado e mais, digamos, racional 2.0 Tigershark do Jeep Compass. Mas como esta mudança envolve muito mais que uma simples escolha, não vejo muito futuro para nós...

Jogador de futebol frustrado, resolveu ser jornalista para escrever sobre tudo que tivesse motor, fizesse (muito ou pouco) barulho e fosse possível de pilotar. Aficionado por superesportivos e clássicos, pensa agora acelerar também sobre duas rodas...

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