Aspirados, Civic e Corolla encaram Jetta turbinado

Com preços mais em conta, Honda e Toyota desafiam desempenho superior do Volkswagen

WM1 / 06/11/2015 às 12:20atualizado 13/07/2016 às 17:39

A WebMotors tem se tornado melhor que o UFC na organização de brigas memoráveis. Após colocarmos no mesmo ringue, em agosto, os três utilitários esportivos compactos mais comentados do momento, voltamos agora em novembro para nosso octógono para um embate ‘casca-grossa’ entre Honda Civic, Toyota Corolla e Volkswagen Jetta. De início, a ‘treta’ pode parecer ‘lutinha de telecatch’, mas aqui vai uma informação exclusiva que faz deste encontro um dos mais atuais do momento: os três são os sedãs médios mais pesquisados na WebMotors e, no geral, estão entre os sete primeiros modelos mais buscados na categoria “Novos”.

1º ROUND: PREÇOS

Para não desequilibrar a disputa, nivelamos ao máximo os preços dos ‘lutadores’, por isso escolhemos as versões EXR do Civic, XEi do Corolla e Highline TSI do Jetta. E neste início de embate, o Toyota abre vantagem. Partindo de R$ 89.490, é o mais em conta do trio, ficando R$ 1.210 abaixo do Honda e expressivos R$ 7.410, do Volkswagen.

Aqui, no entanto, é preciso fazer uma ressalva. Apesar de ser o mais caro, o Volks tem um conjunto mecânico (muito) mais interessante – e que justifica parte desta diferença de preço. Enquanto Honda e Toyota utilizam motores 2.0 aspirados (quatro cilindros e flexíveis) e transmissões automáticas de cinco marchas e CVT, respectivamente, o Jetta ataca de propulsor 2.0 turbo (quatro cilindros somente a gasolina) e câmbio automatizado de dupla embreagem e seis velocidades (DSG).

Mas voltando à ‘pancadaria’ de cifras, o Corolla também tem o seguro médio mais barato dos três, incluindo a franquia. Em termos de revisões – levamos em consideração às programadas até 30.000 km -, o Honda abusa menos do bolso do consumidor. Nestes dois fatores – custos com seguro e revisões programadas -, o Volks é o que mais pesa (confira os valores no infográfico abaixo). E aqui não tem ressalva nenhuma...

2º ROUND: EQUIPAMENTOS

Os três modelos, por estes valores, são bem equipados. No entanto, algumas coisas que um tem, os outros não oferecem – e vice-versa. Mais em conta no valor, o Corolla XEi tem cinco aribags (frontais, laterais e de joelhos para o motorista), direção elétrica, ar-condicionado digital, controlador e limitador de velocidade, bancos revestidos em couro, central de entretenimento com tela sensível ao toque de 6,1 polegadas e funções de áudio + GPS, rodas de liga-leve de 16 polegadas, paddle shift, faróis de neblina, volante multifuncional, vidros, travas e espelhos retrovisores externos elétricos, Isofix (sistema de fixação de cadeirinha), sensor crepuscular e freios ABS (antitravamento) com EBD (distribuição eletrônica da força de frenagem).

Assim como no preço, o Civic é muito parecido com o Corolla nos itens de série – tem todo o que mencionamos acima do Toyota. No entanto, o Honda consegue entregar alguns ‘extras’ interessantes, como teto solar, rodas de liga leve de 17 polegadas, controles de estabilidade e tração. A tela do sistema de entretenimento é de 7 polegadas e há airbags de cortina –não oferecer, entretanto, bolsa inflável para o joelho do motorista, como o rival.

Deixamos para último Jetta, pois sendo o mais caro, apostamos em uma lista ligeiramente mais equipada que os oponentes nipônicos. Porém, não foi bem o que aconteceu. O Volkswagen tem lista similar ao Civic – rodas de 17 polegadas, seis airbags, controles de estabilidade e tração -, mas em vez de câmera de ré, o ‘alemão’ utiliza sensores de estacionamento (traseiro e dianteiro) e – o que é positivo – o ar-condicionado é de duas zonas. Outro ponto positivo é que a partir da linha 2016 o sedã germânico oferece a nova central multimídia Composition Media, que oferece entre suas novas funções o sistema MirrorLink, que espelha em sua tela de 6,3 polegadas sensível ao toque o visor do smartphone conectado.Existe como opcional também o Discover Media, que traz a opção de navegação por GPS. No entanto, esta tecnologia faz parte de um pacote chamado Premium, que custa R$ 10.270. Teto solar é opcional também, e tem valor de R$ 4.210. Ou seja, com estes opcionais, a valor do Jetta salta para mais de 110.000 – muito acima da concorrência.

3º ROUND: PORTE

Ao entrar no 3º round, os três mostram equilíbrio novamente. Com 4,64 metros, o Jetta é o maior, mas tem a menor distância entre-eixos – chega a ser 2 cm menor que o Civic e 5 cm que o Corolla. A diferença, concordamos, é banal. Mas basta entrar nos três e perceber que o Volks transmite sensação de ser mais compacto. Não chega, nem de perto, ser apertado – abriga muito bem pernas e cabeças dos três ocupantes que viajam no banco traseiro -, mas Honda e Toyota sugerem maior amplitude, que, consequentemente, reflete em sensação de conforto superior – especialmente o Corolla.

Tal superioridade de tamanho do Jetta acaba se refletindo em um porta-malas maior, o que para quem procura um sedã é um fator importante. O Volkswagen transporta 510 litros, contra 470 litros do Corolla e 449 litros do Civic.

Os acabamentos são sóbrios. Nada de requinte ao extremo. No Jetta, a sensação é de estar em qualquer carro da marca, como um Fox, por exemplo, por conta do visual de seus comandos. Poderia ter algo que o diferenciasse dos demais familiares. No Corolla, a simplicidade de seus leitores do painel de instrumentos o painel central, onde está a tela da central de entretenimento, poderia apresentar uma posição mais voltada para o motorista. Já o Civic, com seu painel de instrumentos de dois andares, mostra os sinais da idade. Foi bem revolucionário quando chegou, mas já passa a impressão de estar ‘over’ – queremos coisas novas...

Com regulagens de altura e profundidade da coluna de direção, os três têm excelente posição ao volante.

4º ROUND: DESEMPENHO

Nesta altura da luta, com os juízes conscientes de que o embate vai terminar nos pontos e não em nocaute, o Volkswagen inicia uma sequência pesada de golpes na concorrência. Aliás, neste quesito (desempenho), os dois japoneses não são páreos para o Jetta. O alemão roda com motor 2.0 TSI de 211 cv de potência máxima. No entanto, o que mais agrada é o torque de 28,6 kgf.m a partir de 2.000 rotações. E trabalhando com uma transmissão DSG (automatizada de dupla embreagem e seis marchas) bem escalonada, o VW consegue entregar uma esportividade extremamente agradável – qualquer reta de 2 metros é motivo para socar o pé no pedal da direita.

A suspensão também tem uma configuração que agrada e casa muito bem com este temperamento mais ‘explosivo’, oferecendo um setup mais voltado para o firme. Desta maneira, o Jetta permite entrar mais forte nas curvas sem que a carroceria incline e transmita sensação de insegurança. Quando pegamos uns buracos ao estilo cratera, a batida é mais seca e de certa forma incômoda.

O Civic tem um conjunto bem acertado com seu motor 2.0 aspirado de até 155 cv de potência e 19,5 kgf.m de força, e o câmbio automático de cinco marchas que cumpre bem seu papel. O problema é que esta combinação, que há alguns anos era a referência de esportividade no segmento, hoje não encanta mais. É apenas comum, especialmente diante dos modelos turbinados, como Citroën C4 Lounge (que já é flex) e do próprio Jetta. A suspensão é bem acertada e continua sendo um dos pontos altos do Honda.

O Corolla é aquele que surpreende, de certa forma positiva, pois imaginamos um sedã focado no conforto, mas encontramos um modelo com esporádicos momentos de esportividade, um pouco proporcionado pela tecla ‘Sport’, que deixa as trocas de marchas em rotações mais elevadas. Afinal, o que esperar de um motor 2.0 aspirado também de 154 cv de potência máxima atrelado uma transmissão automática CVT (continuamente variável) que simula até sete marchas? Nada muito fora do comum (...). A principal qualidade desta combinação, porém, está na força de 20,3 kgf.m a 4.800 giros, que chega a ser mais que o Civic, e garante boas acelerações e retomadas. A suspensão é a mais confortável dos três (não é molenga), e o Toyota é o único a não ter controles de tração e estabilidade.

RESULTADO FINAL

Na disputa por pontos, o primeiro a abrir mão da vitória é o Civic EXR. E isso por um simples motivo: em 2016 chega a décima geração do sedã que está maior, mais moderno e com conjunto mecânico atual – estamos falando do novo motor 1.5 turbo que a marca já utiliza em outros veículos pelo mundo. Pagar mais de R$ 90 mil em um carro que já anunciou quando vai pendurar as luvas, não é interessante – quem sabe com um preço, no mínimo, R$ 5.000 mais em conta, a compra fique mais interessante.

Na base da experiência, o Corolla XEi quase leva o cinturão na categoria sedãs médios AWPA (Associação WebMotors de Pugilistas Automotivos). A começar por conquistar o bolso do cliente. Tem o preço inicial e custo do seguro mais baixos em relação aos oponentes. Também leva pontuação elevada por ter bom espaço interno. No entanto, deixa um pouco a desejar na lista de equipamentos de série. Não que seja ruim, mas fica devendo para Civic e Jetta alguns 'mimos' interessantes, como controles de tração e estabilidade. E apesar do bom motor 2.0, a transmissão CVT foca demais no conforto, o que não é ruim, mas afeta totalmente o prazer ao volante. Quem gosta de dirigir provavelmente vai torcer o nariz para o CVT.

Com um 4º round arrebatador, o Jetta Highline TSI termina a luta jogando os adversários contra seus corners. Seu desempenho representado pelo bloco TSI coloca o Volks em um outro patamar. Parece ser de outra categoria. Sua lista de equipamentos também atende aos mais exigentes, especialmente com esta nova central multimídia, ar-condicionado de duas zonas, sensores de estacionamento dianteiro e traseiro. Paga-se mais por isso? Sim! Mas este valor extra que se desembolsa - seja à vista ou diluído nas prestações do financiamento - coloque na conta do tal fator emocional. Daquele prazer que você terá toda vez que tirar o Jetta TSI da garagem. 

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Jogador de futebol frustrado, resolveu ser jornalista para escrever sobre tudo que tivesse motor, fizesse (muito ou pouco) barulho e fosse possível de pilotar. Aficionado por superesportivos e clássicos, pensa agora acelerar também sobre duas rodas...

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