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Comparativo Honda Civic Toyota Corolla

Melhor compra: Civic Sport X Corolla GLi

Colocamos a versão de entrada dos sedãs mais vendidos para duelar. Rivais históricos têm armas distintas para o combate

WM1 / 31/05/2017 às 00:30atualizado 30/05/2017 às 21:53

Honda Civic ou Toyota Corolla. Poucos modelos no mercado geram tantas discussões como estes dois. A rivalidade entre os japoneses começou em uma época em que Elvis Presley ainda rodava os EUA fazendo shows e o planeta vivia assombrado pela Guerra Fria. O primeiro chegou ao mundo em 1966, o segundo veio ao planeta em 1973. São 44 anos de batalha entre eles. No ano passado, a chegada da décima geração do Civic ao Brasil fez o concorrente atualizar a sua décima primeira. É sempre assim, um faz e o outro responde. Assim já se vão algumas décadas.

Nas vendas, a história se repete. Em 2014, era o Civic era o rei do segmento de sedãs médios no Brasil, mas nos últimos anos quem leva a coroa é o Toyota, até com folgada vantagem sobre o rival. E olha que a lista de concorrentes não é pequena. Estou falando de Chevrolet Cruze, Volkswagen Jetta, Ford Focus sedã, Renault Fluence e tantos outros que por anos tentam tirar os japoneses do topo e falham inevitavelmente.

A Honda pede R$ 94.900 pela versão Sport. Já o Toyota parte de R$ 91.990. Parece que o líder começa a disputa na frente por conta do preço menor

Dizem que para saber se uma pizzaria é realmente boa é preciso pedir uma pizza de mozarela, a mais simples. Com os carros é o mesmo. Por isso escolhemos as versões mais básicas de Civic e Corolla para um comparativo, ambos com câmbio automático, o mais solicitado pelo mercado.

A Honda pede R$ 94.900 pela versão Sport. Já o Toyota parte de R$ 91.990. Parece que o líder começa a disputa na frente por conta do preço menor, mas adiante veremos que a história não é bem assim.

No estilo, os sedãs são quase que antagônicos. O Corolla vai de interior de cabine claro, com bancos forrados em couro cinza, teto com forração creme e painel de instrumentos entre o bege claro e o cinza. Tudo bem discreto, elegante e comportado.

O Civic contra-ataca com uma cabine em tons de preto e grafite. A ideia é mostrar esportividade, como o próprio nome da versão sugere. Teto forrado em preto, bancos revestidos em tecido escuro, que lembra neoprene, e detalhes que imitam aço escovado dão o tom da cabine.

O desenho exterior segue a mesma tendência da cabine. O Corolla tende para o sóbrio, com linhas fluidas. Já o Civic, com suas rodas aro 17, calçadas em pneus 215/50 (no Toyota as rodas são aro 16- 205/55), e grandes vincos na carroceria, não deixa dúvidas sobre sua veia é mais jovem e despojada.

Nas dimensões, os rivais são praticamente idênticos. O Civic tem um centímetro a mais no comprimento total (4,63 m X 4,62 m), quatro centímetros a menos na altura, dois na largura, mas traz um porta-malas maior (519 litros contra 470). O bom entre-eixos de 2,70 metros, é idêntico. No uso, porém os ocupantes vão um pouco melhor acomodados no Civic, em particular no banco traseiro, com maior espaço para a cabeça. No Honda se roda mais próximo ao chão (kart feeling), enquanto que no Toyota se vai com melhor visão da estrada, em posição elevada. Os dois deixam claras as suas personalidades, cada um com sua visão única de mundo.

No Honda se roda mais próximo ao chão (kart feeling), enquanto que no Toyota se vai com melhor visão da estrada, em posição elevada

Mecânica

Na parte mecânica o Civic leva vantagem. Aqui um ponto que pesa contra o Corolla é o propulsor, que estranhamente na versão de entrada utiliza o antigo motor 1.8L Dual VVT flex, mesmo da geração passada. Nas demais versões, o Corolla traz o 2.0L de até 153 cv de potência máxima. O propulsor 1.8L gera até 144 cavalos de potência máxima quando abastecido com etanol. Nesta condição, o torque máximo é de 18,6 kgf.m.

Já o Civic Sport é equipado com um 2.0L i-VTEC FlexOne, que entrega até 155 cv (etanol) e torque de 19,5 kgf.m. A caixa automática é do tipo CVT nos dois modelos. Ambos simulam sete marchas, porém apenas o Civic traz opção de borboletas (paddle shifts) atrás do volante. No Corolla, a simulação de trocas manuais pode ser feita apenas na alavanca de câmbio.

Ambos os sedãs tiveram nota A na etiquetagem de consumo do Inmetro, porém o Corolla leva pequena vantagem. Cravou 13,2 km/l na estrada e 11,4 km/l na cidade, com gasolina e 9,2 km/l / 7,8 km/l, respectivamente, com etanol. Nas mesmas provas o Civic cravou: 13,0 km/l (g) e 10,5 km/l (g); 8,9 km/l (e) e 7,2 km/l (e), respectivamente.  

A diferença de R$ 2.910 das versões testadas poderia dar a dianteira no comparativo para o Corolla, mas a lista de equipamento mais vasta dá ao Civic o ponto final em custo benefício

Condução

Os sedãs seguem com receita própria no estilo de condução. O Civic continua com a eficiente suspensão traseira multilink, que permite uma tocada mais esportiva, principalmente nas curvas. Para a décima geração, o sistema ganhou vetorização de torque, que auxilia a reduzir o ruído interno e a vibração, além de dar mais estabilidade.

O Corolla segue uma receita mais tradicional, mas também eficiente. O conjunto de suspensão traseira por eixo de torção e os pneus de perfil alto foram calibrados para um rodar mais macio, que privilegia o conforto a bordo. A regulagem do sistema pela Toyota é uma das mais eficientes do mercado em filtrar as imperfeições do solo. Uma das novidades da linha Corolla está a inclusão de controle eletrônico de estabilidade e tração, itens já presentes na maioria dos rivais.

Próximo do limite, o Civic se sai melhor. O conjunto motor, câmbio, suspensão e direção variável, que deixa as respostas mais diretas, permite ao Civic entrar mais estável nas curvas. O contraponto ocorre no dia a dia, com um conjunto que filtra menos que o concorrente o relevo acidentado de nossas ruas.

Custo benefício

A diferença de R$ 2.910 das versões testadas poderia dar a dianteira no comparativo para o Corolla, mas a lista de equipamento mais vasta dá ao Civic o ponto final em custo benefício.

Como era de se esperar os dois modelos são bem equipados. Ambos trazem controle de tração e estabilidade, direção elétrica, computador de bordo, sistema bluetooth, descansa braços dianteiro, função ECO e volante multifunção. O Corolla se destaca por trazer sete airbags (dois frontais, dois laterais, dois do tipo cortina e um para o joelho do motorista), enquanto o Civic traz seis.

Os modelos se equivalem quando o assunto é seguro.

O Civic vira o jogo do custo benefício por trazer ainda ar-condicionado digital, freio de estacionamento eletrônico com função hold, câmera de ré, piloto automático e rodas aro 17 polegadas (no Corolla o aro é 16). A Toyota economizou do espelho de cortesia no quebra sol do motorista até o sensor de estacionamento traseiro.

Os modelos se equivalem quando o assunto é seguro. Na simulação feita pelo WM1 no site AutoCompara, com um homem de 35 anos, casado, com um filho, morador de São Paulo e com garagem no trabalho e em casa, a cotação média ficou em R$ 3.566,74 para o Corolla GLi e R$ 3.300,19 para o Civic. Ambos trazem três anos de garantia.

Conclusão

Apesar da rivalidade histórica, os dois modelos são bem diferente na postura e na forma. Por isso, talvez cativem apaixonadas de perfis bem distintos. Na versão de entrada, o Civic leva a melhor por trazer um conjunto mecânico mais moderno e potente, além de itens importantes que o concorrente deixou de lado. Sem dúvida são duas das melhores escolhas no segmento e pelo jeito ainda vão travar mais algumas décadas de disputas pelo consumidor.

 

Editor, amante dos carros desde criança e colecionador de revistas automotivas. Seu passatempo preferido é viajar de carro ouvindo um bom rock. No mundo automotivo, tem uma queda pelas peruas e pelos esportivos. Quando não está fuçando sobre carros tenta a sorte nas quadras de tênis

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