Yamaha desafia o futuro com a nova YZF-R1

Geração 2015 da superbike surpreende no design e pela eletrônica embarcada

WM1 / Março 2015
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“A Yamaha está desafiando o futuro”. Foi com essa enfática frase que Hiroyuki Yanagi, presidente e CEO Global da Yamaha, apresentou a nova geração da superesportiva YZF-R1 durante o Salão de Motos de Milão 2014. E a empolgação não era para menos. Em seus 17 anos de existência, a R1 mudou algumas vezes, é verdade, mas nada tão radical como nesta R1 2015. O modelo, que chega agora aos mercados europeu e norte-americano, totalmente renovado por fora e moderna como nunca por dentro, para mostrar que, cada vez mais potência, tecnologia e estilo andam de mãos dadas.

No design, a YZF-R1 abandonou pela primeira vez o visual criado há quase duas décadas, caracterizado pelo grande conjunto óptico duplo. Tantas mudanças no aspecto da moto são explicadas pela orientação do projeto. De acordo com a Yamaha, ao desenvolver a nova R1, a equipe foi encorajada a criar uma superesportiva do zero, não apenas planejar mudanças para atualizar a moto que já existia. E foi o que aconteceu. 

As linhas agora são herdadas diretamente da YZR-M1, protótipo que compete na MotoGP, e deixaram a superbike com aspecto futurista. Proposta reforçada tanto pelos cortes laterais da carenagem, quanto nos discretos faróis de LED que fazem a iluminação diurna e ficam encrustados na dianteira. A iluminação principal agora é feita por dois canhões de luz acima da roda dianteira.

A rabeta recebeu linhas mais leves, compostas por dois painéis vazados, que convergem em uma estrutura central. Esta, abriga a lanterna, uma faixa vertical em LED. O design do subquadro ficou mais aerodinâmico agora que ele não carrega mais os dois escapamentos. Da mesma forma que acontecia em sua primeira geração, R1 volta a ter seus quatros cilindros convergindo em um cano do lado direito. O escape tem design poligonal e está posicionado bem rente à moto, para não atrapalhar a inclinação nas curvas.

Novo motor crossplane

A YZF-R1 não mudou apenas por fora. A Yamaha desenvolveu um novo motor mais compacto e que fosse capaz de oferecer mais potência e menos peso. Desta forma, o novo quatro cilindros em linha de refrigeração líquida e 998 cm³ de capacidade é mais compacto e composto por diversas peças feitas em carbono e titânio. Um novo virabrequim crossplane também foi incorporado. O eixo continua acionando os pistões com intervalos de 90º e agora oferece torque de forma mais linear para que o piloto aproveite mais o desempenho que a superbike oferece.

Outras alterações foram feitas para otimizar a mistura do ar com o combustível, criando uma taxa de compressão de 13:0:1. O resultado são 200 cv de potência máxima a 13.500 rpm e atingidos sem o auxílio de nenhum sistema de indução de ar pressurizado (RAM-Air), o que é frisado pela Yamaha. Já o torque é de 11,5 kgf.m a 11.500 giros.

A moto ainda traz tanque com capacidade para 17 litros e câmbio de seis velocidades com embreagem deslizante. O conjunto é assistido eletronicamente pelo sistema quickshift. (QSS). A ajuda consiste em um sensor posicionado na alavanca de câmbio, que percebe quando o piloto está subindo as marchas e manda a informação para a ECU. Esta, por sua vez, corta a tração na velocidade engrenada para uma mudança mais suave. 

Peso e potência equilibrados 

Uma das principais características da R1 é sua boa relação entre peso e potência, traço melhorado na nova geração, que tem peso de 199 kg em ordem de marcha. Segundo a marca dos três diapasões, isso foi conseguido ao redesenhar o quadro Deltabox de alumínio de forma assimétrica e reempregando um o novo subquadro feito em magnésio.

No quesito suspensão, tanto o garfo dianteiro invertido quanto a balança monoamortecida com link têm curso de 120 mm. Para segurar seus 200 cv, a moto conta com dois discos dianteiros de 320 mm de diâmetro e um de 220 na traseira. Aqui, a novidade é o auxílio do ABS com sistema de frenagem unificado, que distribui eletronicamente a força nas duas rodas. 

A nova YZF-R1 também está mais curta e estreita. O comprimento passou de 2.070 mm para 2.055 mm, enquanto a largura foi reduzida de 715 mm para 690 mm. Embora seja pouco em números, as alterações são enfatizadas pelo design compacto da moto. A altura do assento, no entanto, aumentou 20 mm e o piloto agora fica acomodado a 855 mm do solo.

Superbike inteligente

O cardápio eletrônico incorporado na R1 é um dos mais completos da atualidade, se não for o maior deles. A moto está equipada com quatro modos de entrega de potência, controle de tração (TCS) ajustável em nove níveis, controle de wheeling (LIF), regulável em três; e de largada (LCS), que reduz o giro do motor abaixo dos 10.000 rpm na hora de sair com a moto, mesmo o piloto girando ao máximo o acelerador. Além dos freios ABS unificados e do câmbio eletronicamente assistido (QSS). Há também os quatro modos de pilotagem (YRC), que colocam todos os controles em parâmetros pré-estabelecidos para facilitar a vida do piloto.

Para controlar tudo isso, a Unidade Central Eletrônica (ECU) deixa de estar focada em tarefas “simples” como controlar o funcionamento da injeção de combustível e da abertura das válvulas, por exemplo, para agir como um verdadeiro cérebro eletrônico da moto. A ECU agora toma decisões com base nos dados enviados por outra sigla: IMU, Unidade de Medição Eletrônica, em inglês. Com poder de processamento de 32 bits (o mesmo de um videogame PlayStation 1, para se ter uma ideia), o equipamento monitora constantemente a posição e o comportamento da moto. Assim os sistemas eletrônicos podem ser ajustados para otimizar o desempenho, mas sem esquecer da segurança do piloto. 

De acordo com a Yamaha, a IMU fornece um panorama da moto em 3D, uma vez que as leituras são feitas em seis eixos, que correspondem às posições que ela pode estar: inclinada para direita, para esquerda, para cima (wheeling), para baixo (fim de curso do garfo em uma frenagem), além da aceleração e redução da velocidade. Tudo isso significa que, cada vez que o piloto escolhe uma configuração, por meios dos manetes e do novo painel totalmente digital, a moto levará em conta as medições da IMU para executá-la da melhor forma. O controle de tração, por exemplo, não irá apenas se ater à perda de aderência da roda traseira para atuar, mas irá também agir com base no ângulo de inclinação da moto. E assim por diante.

Disponível na Europa e nos Estados Unidos, nas cores azul e vermelha, a moto parte de US$ 16.490 no mercado norte-americano, o que corresponde a cerca de R$ 53.000. No Brasil, entretanto, onde ainda não há uma previsão para que ela chegue, o preço deverá ser bem maior, uma vez que a atual geração da superbike – sem toda essa eletrônica – já é vendida por R$ 65.500.

BOX 

Mais eletrônica, mais exclusiva e mais um “M”

Para mostrar o quanto a nova geração da R1 é importante para a Yamaha, a marca dos três diapasões não deixou por menos e lançou também uma edição limitada da superesportiva. Batizada de R1M, em clara referência ao modelo da MotoGP, a superbike vem na cor prateada e traz itens focados no desempenho nas pista, como diversas peças em fibra de carbono.

A moto também traz mais tecnologia ao já extenso pacote. Além do conjunto de suspensões Öhlins, que pode ser ajustado eletronicamente, a moto ainda traz a Unidade de Comunicação e Controle (CCU) instalada na rabeta. O sistema atua em conjunto com um GPS e se comunica com um aplicativo para Android. O “app” armazena dados da pilotagem, como tempo de volta e ângulo de inclinação e ainda permite que o piloto faça alterações nos controles eletrônicos da moto à distância. Tudo isso, claro, tem um custo, que no caso da YZF-R1M é de US$ 21.990, o que corresponde a mais de R$ 70.000.