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Os 15 principais lançamentos do Salão de Milão

Evento teve mais de 20 estreias mundiais; veja as motos que deverão chegar ao Brasil

WM1 / 19/11/2015 às 15:36atualizado 10/07/2016 às 14:48
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Realizado desde 1914, o EICMA (sigla em italiano para Esposizione Mondiale del Motociclismo), ou simplesmente o Salão de Motos de Milão, chega a sua 73ª edição neste ano. O evento aponta tendências e exibe o que estará nas ruas a partir de 2016. A feira abre as portas para o público nesta quinta-feira, 19 de novembro, e fica até, domingo, 22, no Pavilhão de exposições Rho-Fiera, na Grande Milão, o centro financeiro da Itália.

Os mais importantes fabricantes de motocicletas promoveram a estreia mundial de pelo menos 25 novos modelos, mas nem todos irão para o Brasil. Por isso, selecionamos as 15 principais novidades em duas rodas que deverão chegar ao nosso mercado em breve ou nos próximos anos.

BMW G 310R
Desenvolvida pela BMW na Alemanha e fabricada pela TVS na Índia, a nova G 310R marca a estreia da fábrica alemã no segmento de baixa cilindrada. A pequena naked traz um monocilíndrico de 313 cm³, com arrefecimento líquido, que produz 34,4 cv de potência máxima a 9.100 rpm. O torque máximo é de 2,85 kgf.m a 7.500 rpm. O câmbio é de seis velocidades e a transmissão final por corrente. A naked de baixa cilindrada será o oitavo modelo BMW montado na fábrica da Dafra em Manaus (AM). A previsão é que a G 310R chegue às lojas no segundo semestre de 2016. “A G 310R certamente será nossa moto mais vendida no Brasil. Ainda não posso falar em números porque é um segmento novo para nós”, afirmou o CEO Stephan Schaller em entrevista à INFOMOTO durante o salão. O preço ainda não foi definido, mas fontes ligadas à marca garantem que a nova G 310R deverá custar entre R$ 22.000 e R$ 25.000, mesma faixa de preço das concorrentes KTM 390 Duke e Kawasaki Z300.

BMW R nineT Scrambler
Entrando ainda mais na onda vintage, que tem feito sucesso entre os motociclistas, a fábrica alemã mostrou uma versão Scrambler da R nineT. Com a mesma base mecânica do modelo que já é vendido no Brasil, a Scrambler traz modificações que a deixam mais apta a encarar uma estrada de terra: garfo telescópico convencional com sanfonas na bengala e roda de 19 polegadas na dianteira. Escapamento alto com ponteira dupla, grade protetora no farol, number plate sobre o painel e na lateral completam o estilo. Além de um estiloso banco de couro e pneus de cravo. O motor é o tradicional boxer de 1.170 cc com refrigeração a ar que produz 110 cv de potência máxima. O preço ainda não foi definido nem para o mercado europeu.

Ducati XDiavel
Em casa, a fábrica italiana apresentou sete novidades em Milão. Entre elas, a XDiavel marca a entrada da Ducati no segmento cruiser. Com visual longo e baixo (long and low), a releitura da Diavel tem pedaleiras avançadas, um novo conjunto óptico e um design ainda mais radical. Sem falar na nova versão do motor de dois cilindros em “L” com a capacidade aumentada para 1262 cm3 e comando de válvulas variável. A potência é menor - 156 cv – que a Diavel à venda no Brasil, mas há mais torque em baixos giros: do máximo de 13,3 kgf.m, cerca de 10 kgf.m já estão disponíveis a 2.000 rpm.
A ciclística tem garfo inclinado a 30 graus, como nas cruiser, e a transmissão final é feita por correia dentada, como nas Harley-Davidson, e as rodas são de 17 polegadas. O pacote eletrônico traz freios ABS, controle de tração e modos de pilotagem e um inédito sistema de controle de arrancadas. O painel é novo e lembra o da Monster 1200.

Ducati Multistrada 1200 Enduro
Uma verdadeira aventureira fora-de-estrada é o que pretende ser a nova versão “Enduro” da Multistrada – vem para brigar com BMW R 1200 GS Adventure, a renovada Triumph Explorer 1200 e a Yamaha Super Ténéré 1200. Para isso, a Ducati trocou a roda dianteira de 17 por outra de 19 polegadas – e adotou raios. A Enduro ganhou tanque com mais 10 litros de capacidade: 30 litros para percorrer 450 km sem abastecer. A altura do solo é de 200 mm. O motor é o mesmo Testastretta DVT de 1.198 cc com 160 cv de potência máxima. Como não podia faltar, a nova aventureira italiana traz o completo pacote eletrônico da Ducati, porém com ABS off-road.

Ducati Scrambler Sixty2
Assim como a BMW, a Ducati voltou a investir no segmento abaixo de 500cc com a sua nova “marca” Scrambler. Em Milão, foi apresentada a versão Sixty2 (62), uma referência à primeira Ducati Scrambler lançada em 1962 nos Estados Unidos. A grande novidade, com o perdão do trocadilho, é o motor de menor capacidade: 400cc. O tradicional “L2” refrigerado a ar produz 41 cv nesta nova versão menor da Scrambler. 

Com ciclística simplificada – garfo telescópico convencional na dianteira com regulagem na précarga – a Sixty2 traz rodas de 18 polegadas na frente e de 17, atrás. O modelo certamente irá para o Brasil: o vídeo de apresentação da Sixty2 mostrava jovens se divertindo nas praias e ruas do Rio de Janeiro. Entretanto, as vendas no nosso País, a exemplo de outros modelos da marca, ainda devem demorar: na Itália a Sixty2 só chega às lojas em fevereiro. Quem sabe no final de 2016, essa Scrambler de 400cc desembarque no Brasil.

Honda CB 500F
Depois da esportiva CBR 500R, mostrada pela primeira vez nos Estados Unidos; e da crossover CB 500X em Tóquio, a Honda apresentou a CB 500F 2016 no Salão de Milão. Assim como suas “irmãs”, a racional naked com motor bicilíndrico arrefecido a líquido de 500cc ganhou mais ousadia no design com linhas angulosas e grafismos modernos, além de algumas melhorias no conjunto de suspensões: todas agora contam com ajuste na pré-carga do garfo dianteiro e ajustes no manete de freio em cinco posições. A CB 500F ganhou um novo conjunto óptico de LED, aletas laterais maiores e um tanque de combustível com capacidade para 16,7 litros (1 litro a mais que a anterior) com tampa articulada. As mudanças conferiram um visual mais musculoso ao modelo, completado pelo novo escapamento mais curto e, segundo a Honda, com um ronco mais “empolgante''. Apresentadas como modelo 2016 aqui no EICMA, as novas 500cc da Honda deverão desembarcar no Brasil já no início do próximo ano – no máximo no primeiro semestre, de acordo com fontes ligadas à fábrica.

Honda NC 750X
Outro modelo racional da fábrica japonesa apareceu reestilizado em Milão: o inteligente espaço porta-capacete da NC 750X ficou maior (22 litros), o parabrisa ganhou 7 cm de altura e o farol agora é em LED. O modelo ainda ganhou linhas mais modernas e melhorias nas suspensões – o garfo dianteiro Showa ficou mais progressivo e o monoamortecedor traseiro, mais fácil de ajustar. Outro toque de modernidade foi o escapamento poligonal que, embora mais bonito, não alterou o desempenho do bicilíndrico de 750cc: ainda produz 50 cv de potência máxima e 6,94 kgf.m de torque máximo.

KTM 1290 Super Duke GT
A KTM trouxe mais esportividade ao segmento Sport Touring com sua 1290 Super Duke GT: uma versão da radical Super Duke R feita para quem quer fazer longas viagens. O motor “V2” de 1301 cc foi “amansado”: ao invés dos 180 cv da bestial naked, somente 173 cv de potência e 14,7 kgf.m de torque máximo. O tanque tem capacidade de 23 litros e o modelo ganhou piloto automático (Cruise control), aquecedor de manoplas, parabrisa regulável e pontos de fixação para bolsas laterais rígidas. Todos os excelentes controles eletrônicos existentes na naked – ABS para curvas, controle de tração, modos de pilotagem – a GT traz ainda suspensões eletrônicas e luzes direcionais para aumentar a segurança nas curvas. Como a marca tem apostado no segmento Premium no Brasil é de se esperar que essa versão touring da 1290 também seja vendida em nosso mercado.

MV Agusta Brutale 800
A fábrica de Varese renovou completamente sua naked de média capacidade, tanto estética como tecnicamente. O tanque tem novo formato e maior capacidade, dele saem aletas que abraçam o quadro em treliça, derivado da Turismo Veloce. O característico farol excêntrico da Brutale agora é em full LED. O motor tricilíndrico de 798 cc foi renovado para atender à nova norma Euro 4. Com isso a potência foi reduzida de 125 para 116 cv, mas o torque aumentou para 8,47 kgf.m em um giro mais baixo: 7.600 rpm. Além do controle de tração, ABS e modos de pilotagem, a linha 800 também com a nova geração do quickshift (assistente de mudanças de marcha) e embreagem deslizante com acionamento hidráulico. Rivale e F3 800 também tiveram seus motores atualizados e algumas mudanças estéticas. 

A radical versão Dragster 800 RR ganhou uma edição especial e limitada assinada pelo tricampeão de Formula 1, o inglês Lewis Hamilton, batizada de LH 44. No vídeo de apresentação do modelo exibido no telão mostrou o piloto inglês falando sobre as peças especiais da moto e ainda exibiu o inglês acelerando a naked italiana em uma sinuosa estrada. Limitada a 244 unidades, a LH44 tem assinatura de Hamilton e uma generosa etiqueta de preço: 24.144 Euros (pouco mais de R$ 100.000).

Suzuki GSX-R 1000
Embora tenha sido mostrada como um conceito, a nova GSX-R 1000 aparentava estar bem próxima da versão final, prometida somente para 2017. Tanto que a Suzuki já divulgou diversas novidades da sua superesportiva de um litro. E ela será completamente nova da cabeça aos pés, finalmente. Visualmente, traz linhas inspiradas na GSX-RR da MotoGP com duas grandes entradas de ar ladeadas por iluminação diurna em LED. Uma única saída de escapamento do lado direito da moto dá vazão aos gases do novo motor de quatro cilindros VVT, ou seja, com comando de válvulas variável. As especificações não foram reveladas, mas a Suzuki promete 200 cv de potência máxima. Eletrônica embarcada completa – inclusive com controle de tração – estará na futura GSX-R 1000.

Suzuki SV 650
Outra “novidade” foi a volta da SV 650 que, há alguns anos, tinha sido substituída pela Gladius, à venda no Brasil. Aparentemente a base mecânica é a mesma: quadro em treliça, rodas de liga leve, suspensões espartanas e o motor “V2”, que ficou mais potente com 76 cv contra os 72 cv do mesmo motor que também equipa a Gladius. Na verdade, a Suzuki não deixou claro se a Gladius continuará a ser fabricada ou se os dois modelos irão coexistir. A julgar pelas mudanças feitas no motor para atender a Euro 4 - a norma antipoluição da Comunidade europeia que se equivale ao Promot 4, que entra em vigor no próximo ano - ou a Gladius muda ou sai de linha. Entretanto, ninguém entendeu a volta do farol redondo que, aliás, é bastante semelhante ao da aposentada Bandit. 

Triumph Tiger Explorer XC e XR
Como era aguardado, a Triumph fez diversas melhorias na sua bigtrail de 1200cc. A começar pela nomenclatura adotada, semelhante à Tiger 800: a versão XR tem rodas de liga leve e é voltado para o uso no asfalto, enquanto a versão XC é mais apta para o fora-de-estrada. Ainda há as “subdivisões”, XCx e XRx, com mais eletrônica embarcada, além da XCA e XCT, que trazem diversos acessórios como itens de série. O motor de três cilindros e 1.215 cc foi atualizado, mas a Triumph fez questão de não divulgar os números de desempenho.

As novidades eletrônicas são muitas. Freios ABS para curvas (cornering ABS, como na KTM 1190), suspensões semiativas com ajuste eletrônico, cinco modos de pilotagem, monitoramento da pressão dos pneus e um inédito “Hill Hold Control, que auxilia a partida em subidas. As novas Explorer 1200 devem chegar às lojas europeias já no início do próximo ano e, embreve, às concessionárias da Triumph no Brasil. O estande da marca inglesa ainda chamou a atenção por causa da estreia ao público da nova linha Bonneville e da reformulada Speed Triple 1050.

Yamaha MT-10
A Yamaha surpreendeu a todos ao lançar uma nova integrante de sua bem-sucedida família MT. A nova MT-10 é, em resumo, uma R1 nua. A radical naked tem design futurista, caracterizado por dois faróis de LED monofocal, o motor de quatro cilindros e 998 cc e virabrequim crossplane, derivado da da superesportiva japonesa. Recalibrado para oferecer menos potência, porém mais torque em baixos e médios regimes, a MT-10 conta com acelerador eletrônico com três mapas, controle de tração embreagem deslizante e cruise control. Mas não é apenas o motor que veio da esportiva, suspensões, quadros, e controles eletrônicos também seguem os padrões da aclamada R1. Com um guidão alto e largo, a MT-10 promete uma posição de pilotagem mais natural e confortável para o uso cotidiano. A streetfighter – como são chamadas as nakeds derivadas de esportivas – chegará às lojas da europa em maio do próximo ano. Como a Yamaha tem apostado na linha MT também no Brasil, torcemos para essa nova MT-10 também desembarque do outro lado do Atlântico.

Yamaha XSR 900
Assim como fez com a MT-07, a Yamaha aplicou uma roupagem retrô à MT-09 para dar vida à nova XSR 900. Equipada com o mesmo tricilíndrico de 850cc e 115 cv, a XSR 900 oferece três modos de pilotagem e também controle de tração. Com seu design atemporal e minimalista, marcado pelo farol redondo, a nova moto retrô da Yamaha chega junto com uma vasta gama de acessórios para ser personalizada. O modelo estará disponível a partir de fevereiro na Europa nas cores cinza, rock slate e com a roupagem comemorativa de 60 anos – o tradicional amarelo e branco com blocos pretos.

Indian Scout Sixty
Esteticamente idêntica a Scout, a nova custom da marca americana também recebeu o nome de Sixty (60). Mas no caso desse novo modelo de entrada o numeral faz referência à capacidade do motor “V2” em polegadas cúbicas: 60 c.i. ou exatos 999 cc ou invés dos 1.133 cc da versão que acabou de chegar ao Brasil. Mas tecnicamente o bicilíndrico em “V” manteve as principais características: comando de válvulas duplo, refrigeração líquida e um caráter mais esportivo com 78 cv de potência máxima. Graças ao uso de liga-leve no quadro e no garfo dianteiro o peso é de 248 kg a seco. Se a Scout de 1133 cc pretende brigar com a Harley-Davidson Sportster 1200, a nova Sixty deverá disputar mercado com a versão de 883 cc.

* O jornalista da INFOMOTO viajou a convite do ICE – Instituto Italiano para o Comércio Exterior – Departamento para a Promoção de Intercâmbios da Embaixada da Itália

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