LED vira mania nas motos

Sucesso mundial, este tipo de iluminação é mais durável e oferece baixo consumo de energia

WM1 / Fevereiro 2016
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Diferente de iluminações complicadas e caras, o LED (componente eletrônico semicondutor, ou seja, um diodo emissor de luz) veio para ficar. Inicialmente incorporados em componentes eletrônicos, o início de seu uso em veículos se deu nas lanternas de carros luxuosos. 

O sucesso em sua vasta gama de aplicações, tanto em veículos como em uso doméstico, não foi por acaso: além da iluminação clara e vibrante, os LEDs conquistaram o mundo pelo baixíssimo consumo de energia e a durabilidade incomum – até dez vezes mais em relação à lâmpada incandescente.

No mundo das motos, as aplicações começaram na forma de iluminação de segurança: carreiras de LEDs dispostos nas lanternas traseiras, luzes de piscas e iluminação diurna do farol dianteiro. Painéis de instrumentos mais atuais também contam com pequenos LEDs internos.

Economia de bateria e gasolina

Segundo Victor Trisotto, diretor de engenharia da Dafra, há vantagens evidentes ao utilizar LEDs nas motos, o que levou a marca a incorporá-los na iluminação traseira do scooter Citycom 300i. “Isso representou uma grande economia de energia, que passou de 42 watts e 3,5 Ampéres de consumo, para os mesmos 42 watts de potência com apenas 0,4 A ao usar os LEDs. O gerador de energia da bateria, por exemplo, sofre menos após dar a partida, assim como a bateria reabastece sua carga mais rápido. Na marcha-lenta, o consumo elétrico chega a ser 20% menor”, completa.

Leonardo Figueiredo, gerente de produto da Philips, relata que há outras vantagens no uso dos LEDs de sinalização (freios, piscas e placa). Entre elas, ele pontua intensidade luminosa cinco vezes maior, além de acendimento instantâneo – lâmpadas incandescentes demoram centésimos de segundos para acender – fator que aumenta a segurança ao frear, por exemplo.

Nas palavras do engenheiro da Dafra, o uso dos diodos se tornou comum na iluminação de painéis; o Cityclass 200 é um exemplo. Para a iluminação frontal, indireta por conta da necessidade do refletor do farol, normalmente é preciso utilizar um globo refletor específico. 

A Harley-Davidson já oferece tal aparato como opcional para parte de suas motos, e como item de série para a top de linha Ultra Limited CVO. O kit Daymaker para o modelo Forty-Eight, por exemplo, custa em torno de R$ 4.000. Flavio Villaça, gerente de marketing da H-D, explica que “o uso do projetor de formato polielipsoidal é necessário para o farol emitir um facho de luz que atenda à luminosidade exigida pelas normas de segurança vigentes”.

Logo, faróis de LED vendidos no mercado paralelo tendem a ser imperfeitos. Ao contrário da lâmpada incandescente, com filamento que dissipa uma parábola de luz lateralmente – que é então refletida pelo projetor –, o LED não emite luz da mesma forma que o filamento. 

Isso pode representar um risco para o motociclista, como alerta o engenheiro Alfredo Guedes Jr., da Honda “Lâmpadas de LED paralelas tendem a formar um facho de luz com zonas apagadas, foco disperso ou mais fraco que o necessário para a segurança de condução”, diz.

No entanto, existem no mercado diversos modelos parecidos com “espigas de LEDs”. Com encaixes tipo H4 e H7, tais lâmpadas trazem dezenas de diodos para tentar compensar a falta de potência luminosa ao serem usados em um refletor de farol comum. 

A Philips, por sua vez, já fabrica uma lâmpada tipo bulbo (H4) com LED interno que atende ao uso com projetores comuns. Mas por enquanto, a chegada do produto por aqui ainda está em estudo.

Características

O funcionamento do LED consiste em energizar pastilhas de silício ou germânio – que vão soldadas em placas de CI (circuito impresso) – que iluminam. Normalmente, as carreiras de LEDs ficam dentro de um conjunto selado, à prova de umidade. Por isso, quando um LED apaga, é muito complicado de trocá-lo em separado dos outros.

Segundo Trisotto, da Dafra, o que pode acontecer com LEDs dispostos em placas é a soltura da solda, algo normalmente raro de ocorrer. “Se a solda das placas começa a soltar, outros diodos costumam apagar em seguida; aí o jeito é trocar a placa toda. Eles também sofrem com umidade; situação que causa oxidação e condena a iluminação”. Trisotto completa ainda dizendo que o tempo de uso de um LED varia entre 50.000 e 100.000 horas, contra cerca de 10.000 a 20.000 horas de uma lâmpada comum.

Já Alfredo Guedes Jr, da Honda, revela que outra vantagem do uso de LEDs em motocicletas é sua resistência contra a vibração. “O ‘calcanhar de Aquiles’ de uma lâmpada incandescente é o seu filamento interno, que sofre com a vibração. No caso do LED, em estudos notamos que a solidez das pastilhas oferece uma resistência muito maior”. O custo maior do diodo, portanto, acaba compensando o investimento.

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