Indian Scout põe pimenta na clássica receita americana

Com 100 cv de potência e design diferenciado, modelo de entrada sai por R$ 54.990

WM1 / 29/02/2016 às 12:10atualizado 10/07/2016 às 14:45
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A Indian Scout traz a receita clássica da custom americana: motor de dois cilindros em “V”, grande ângulo de cáster e muito estilo. Porém, a Scout coloca um pouco mais de tempero na receita com seu motor com refrigeração líquida que atinge 100 cavalos de potência – algo incomum na “clássica receita”. Seu preço de lançamento foi de R$ 49.990, porém o fabricante informa que o valor da moto passará para R$ 54.990 já em 1º de março. A Scout tem a missão de ser o carro-chefe da Indian no Brasil, com 50% das vendas totais entre os três modelos que hoje fazem parte do line-up.

Nesta avaliação rodamos pouco mais de 400 quilômetros com a Scout, entre os corredores apertados da capital paulista e estradas com boa pavimentação rumo ao interior de São Paulo. Em vias urbanas, o que chama a atenção é a capacidade da moto de mudar de direção com certa facilidade, ajudada, principalmente, pela força do motor. Dá para rodar no trânsito carregado só controlando aceleração e torque. Por exemplo, com a quarta marcha engatada, a Scout parece ter transmissão automática. Era só dosar o acelerador que, a partir dos 1.650 rpm, já tem torque para manter 40 km/h, e serpentear entre os carros com desenvoltura. Já a 3.100 rpm, a Indian chegava a 75 Km/h, acima do limite das ruas de São Paulo.

Mas enquanto a moto trafega entre os carros, o piloto sentirá o calor emanado pelo cilindro traseiro do motor. O propulsor da Scout usa refrigeração líquida e os puristas sentirão falta das aletas para a dissipação de calor. Outro incômodo é o difícil acionamento do manete de embreagem que exige pulso firme e braço forte.

Estrada é a sua casa

Mas é na rodovia que a Scout se sente em casa e o piloto não sente calor algum emanado do motor “V2” de 1.133 cc com duplo comando no cabeçote. O motor entrega potência de forma progressiva, mas quando o piloto gira o acelerador (eletrônico) com vontade, aparece uma pitada de esportividade. O comportamento do motor se torna bastante “elástico” e vigoroso. E, de quebra, com baixíssima vibração.

Com a sexta marcha engatada, a velocidade cresceu com o regime de rotação – 3.300 rpm, 100 km/h; 3.650 rpm, 110 km/h; 4.000 rpm, 120 km/h. O maior problema é conter o ímpeto, já que a moto quer mais, sempre mais. O torque máximo de 9,96 kgf.m chega a 5.900 rpm (torque), já a curva de potência não é divulgada pela marca.

O piloto não deve se empolgar muito nas curvas mais radicais, pois dependendo do ângulo de inclinação as pedaleiras da Scout irão raspar no asfalto. Nesse percurso misto (cidade-estrada), o consumo médio foi de 20 km/l. O câmbio de seis velocidades proporciona engates precisos, ao contrário do acionamento da embreagem que exige certa força.

Ciclística equilibrada

Seu sistema de freio se mostrou muito eficiente, principalmente após ter sofrido uma fechada em meio ao trânsito. Bastou acionar os freios com vontade que o ABS entrou em ação, a moto se manteve na trajetória sem oscilações e o resultado foi apenas um grande susto. O sistema bem dimensionado conta com discos de 298 mm, com pinça de duplo pistão na dianteira e pinça simples na traseira. Para completar, o modelo conta com flexíveis revestidos em malha de aço (Aeroquip), que conferem maior precisão à frenagem.

As suspensões são tradicionais com garfo telescópico na dianteira e dois amortecedores traseiros com regulagem de pré-carga de mola. Uma receita clássica que se mostrou adequada ao modelo e não atingiu o final de curso em nenhum momento. Os pneus Pirelli Nigth Dragon (radiais sem câmara) - 130/90 na frente e 150/90 na traseira - são instalados em rodas de liga de 16 polegadas.

Para “amarrar” toda a parte ciclística, a Indian adotou o mesmo tipo de chassi, de formato triangular, usado nas primeiras Scout dos anos 1920. A diferença hoje é que no novo o quadro é fabricado em alumínio forjado, que garante rigidez e agilidade.

Ergonomia e painel de instrumentos

Pedaleiras avançadas, banco no formato sela em couro e guidão largo. Assim, o piloto com estatura mediana – 1,70m – rodará confortavelmente na Scout. Pernas semiflexionadas e braços quase que retos no melhor estilo custom. Mas não há nenhuma proteção aerodinâmica, possibilidade de levar garupa ou bagagem na Scout standard.

Simples e funcional, o painel tem um velocímetro analógico (o fundo branco, com números e ponteiro em vermelho, oferece boa visualização noturna) e um mostrador digital com hodômetros total e parcial, conta-giros, temperatura do motor e relógio, além de um útil indicador de marchas. As informações podem ser acessadas por um botão que fica na parte superior do punho esquerdo.

E a garupa?

Seguindo a receita de outras marcas custom, a Indian oferece uma completa linha de acessórios para a Scout. Para acomodar a garupa, pode-se investir em um banco (R$ 1.045), pedaleiras (R$ 895,28) e sissy-bar (encosto) de titânio (R$ 1.549). Para transportar pequenos objetos é possível investir ainda em uma bolsa de tanque em couro (R$ 690).

Conclusão

A Scout é uma grata surpresa, surpreende pela potência de 100 cv de potência e o generoso torque, quase 10 kgf.m a 5.900 rpm. Oferece ainda ciclística acertada, ergonomia, conforto e a segurança dos freios ABS. O modelo de entrada da Indian mostrou-se divertido, fácil de pilotar, porém simples. Simples na concepção, mas refinada no design e no comportamento dinâmico. Pena que o fabricante anunciou um preço inicial no Salão Duas Rodas, que aconteceu em novembro passado, e agora já o reajustou. Um novo tempero que pode fazer essa boa receita desandar.

 

Ficha Técnica

Indian Scout

Motor          Dois cilindros em “V”, 1.133 cc, duplo comando no cabeçote (DOHC) e refrigeração líquida

Diâmetro x Curso         99mm x 73.6mm

Taxa de compressão  10.7:1

Capacidade        1.133 cm³

Potência Máxima         100 cv (rotação não divulgada)

Torque Máximo  9,96 kgf.m a 5.900 rpm

Sistema de Alimentação      Injeção Eletrônica

Partida       Elétrica

Câmbio      6 velocidades

Embreagem        Multidisco banhada a óleo

Transmissão final        Correia dentada

Suspensão

Dianteira    Garfo telescópico com tubos de 41 mm e 120 mm de curso

Traseira     Duplo amortecedor com 76 mm de curso e ajuste na pré-carga na mola

Freios

Dianteiro    Disco simples de 298mm, com pinça de dois pistões e ABS

Traseiro     Disco simples de 298mm com pinça de um pistão e ABS

Rodas        Liga leve - 15 raios - 16" x 3.5" (D) e 16" x 5" (T)

Pneus       

Dianteiro    130/90-16 72H

Traseiro     150/80-16 71H

Quadro Triangular em alumínio

Comprimento      2.311 mm

Altura do Assento        635 mm

Distância Mínima do Solo    135 mm

Distância entre-eixos  1.562 mm

Tanque de Combustível       12,5 litros

Peso (em ordem de marcha)         257 Kg

Cores:        Preta, prata e vermelha

Preço         R$ 54.990 (a partir de 1º de março)

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