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Bikes e scooters convivem em ciclofaixa na China

Veículos circulam em harmonia em espaço alheio à via caótica dos automóveis

WM1 / 27/04/2017 às 10:30

Ciclovias e faixas exclusivas para a circulação de bicicletas ainda são equipamentos polêmicos do trânsito brasileiro. Apesar de escassas, as que existem costumam ser criticadas por terem infraestrutura cara e deficiente ou por simplesmente “tomarem” vagas de estacionamento de carros.

Esse assunto é superado na China. Em meio ao trânsito confuso e caótico das grandes cidades do país, as faixas para bikes surgem como um oásis democrático em que scooters elétricos são bem-vindas.

A organização das faixas é simples. Não existe pintura diferente nem qualquer outra sinalização vertical. Elas são separadas da via convencional por barreiras simples e baixas. Magrelas e motos de baixa cilindrada podem ir para ambos os lados em uma mesma faixa numa boa.

E olha que essas faixas estão sempre cheias, diferente do que ocorre no Brasil, onde as ciclofaixas são recentes. Estima-se que a China tenha uma frota de aproximadamente 400 milhões de bikes. Você não leu errado.

Há 20 anos, esta frota era ainda maior, com 670 milhões de bicicletas. A expansão do mercado automotivo chinês desencadeou na diminuição do número de bicicleta nas ruas, mas esta realidade já está mudando com a criação de serviços de compartilhamento de bikes.

Surgiram diversas startups que mudaram o cenário do trânsito chinês. É muito fácil encontrar estações de bikes amarelas da OfO, em Xangai. A empresa já conta com 85 mil bicicletas espalhadas por outras 19 cidades. Para utilizá-las basta fazer o download de um aplicativo e inserir nele o número da placa da bike desejada. O aluguel custa 1 yuan (o equivalente a R$ 0,47) por hora. O problema é que o app só está disponível em chinês.

O acesso também é bastante fácil aos scooters elétricos, que tiveram um boom na China nos últimos anos. Só em 2016 foram vendidas quase 30 milhões de unidades no país. As mais baratas custam aproximadamente 1.500 yuans (em torno de R$ 678) e não requerem carteira de habilitação. Elas têm bateria com autonomia entre 60 e 150 quilômetros. As mais potentes podem atingir 60 km/h.

Embora elas convivam em harmonia com as bicicletas nas faixas, são motivo de reclamação de alguns pedestres e motoristas. Isso porque são poucos os motociclistas que utilizam capacete e respeitam as leis de trânsito. É comum ver as motos elétricas furando o farol vermelho e até circulando sobre calçadas.

Se no aspecto de respeito à legislação os chineses ainda têm bastante a evoluir, por outro lado, têm bastante a ensinar em termos da circulação harmônica de veículos de propulsão limpa e alternativa ao carro.

Viagem à Xangai a convite da Lifan Motors do Brasil.

Quando deixa um pouco de lado a carreira brilhante como piloto de Gran Turismo e Fórmula 1 (no Playstation), faz cobertura diária do setor automobilístico. Muscles cars e clássicos dos anos 1990 são as máquinas prediletas.

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