Audi RS7 Sportback Performance 2017

RS7 performance: sobre ser discreto e ter 605 cv

Novidade da Audi tem motor V8 biturbo mais potente e chega ao Brasil por R$ 728.990

WM1 / 05/05/2017 às 12:45

Eu sabia. Haveria de chegar o dia em que 3,9 segundos para um sedã ir de 0 a 100 km/h seria tempo demais. Haveria de chegar o dia em que 560 cv não seriam mais suficientes para dilatar as pupilas e causar arritmia no motorista. Esse dia chegou. Os números acima são do RS7 Sportback 2016, e foram deixados para trás quando a Audi resolveu lançar o RS7 Sportback performance 2017 para substituí-lo.

O novo bólido é equipado com o mesmo 4.0 TFSI V8 biturbo, que agora oferece 605 cv e até 76,48 kgf.m de torque. Digo até, pois agora o modelo conta com a função overboost, e é nessa hora que a gente percebe que sob aquela carroceria refinada existe um monstro esperando ser acordado.

Menos popular, tão animal quanto

O RS7 nunca alcançou a popularidade de seu irmão RS6, a perua mais rápida – e desejada – do mundo. Todavia, ele não passa mais despercebido graças ao bom gosto do craque Neymar Jr., que recebeu certa cota para retirar um carro na Audi por conta de uma parceria que a marca fez com o Barcelona e quis colocar euros de seu próprio bolso para levar para casa um RS7 performance pintado na cor metálica azul Ascari.

A repercussão da ação do jogador com 74 milhões de seguidores no Instagram impressionou até a divisão brasileira da montadora, já que na última edição do Salão de São Paulo o público queria mesmo era saber qual era o tal “carro do Neymar” e fazer uma selfie no possante, claro. 

O modelo acaba de chegar ao Brasil por R$ 728.990. São R$ 100 mil a mais do que a Audi cobrava pelo RS7 Sportback, que deixou de ser vendido no país assim como o RS6 convencional. Quem quiser um deles, deverá desembolsar um pouco mais pela versão performance, mas também terá as configurações mais insanas dos modelos. Para o cliente de um carro desses, faz sentido.

Superesportivo refinado

Com a versão performance, 0 a 100 km/h é feito em 3,7 segundos (0,2 a menos) e ele tem 45 cv a mais. Essa combinação rende a velocidade máxima de 305 km/h, que ainda é limitada eletronicamente. Para tudo correr bem (literalmente) ao atingir tamanha velocidade, o veículo passou por alguns ajustes.

Os 605 cv estão disponíveis entre 6.100 e 6.800 rpm e a rotação máxima do carro foi aumentada em 200 giros. O torque de 71,38 kgf.m está disponível entre 1.750 e 6.000 rpm, mas quando o overboost entra em ação o torque chega a 76,48 kgf.m.

A função é habilitada apenas no modo Dynamic (há ainda os modos Comfort, Auto e Individual, que alteram parâmetros de direção, motor, câmbio e diferencial), o acionamento é automático e só percebemos que o overboost entrou em funcionamento quando, além da patada que sentimos nas costas, o indicador de pressão do turbo no painel fica vermelho. Lembrando que o câmbio é o tiptronic de 8 velocidades com opções de trocas pelas borboletas no volante.

O motor, embora seja o mesmo do RS7 básico, recebeu diversas alterações para render mais. Além do novo mapeamento, as turbinas “twin-scroll” (de duplo caracol – duas entradas separadas de gases de escape no lado quente da turbina) foram redimensionadas para engolir mais ar. O gerenciamento térmico do sistema de arrefecimento foi alterado, assim como a arquitetura dos cabeçotes dos cilindros. A admissão de ar fica na parte de fora e a saída dos gases de escapamento no lado interno.

Como vemos na imagem acima, as turbinas e os “intercoolers” estão posicionados no centro do “V” e, segundo a Audi, a nova disposição resulta em um curto percurso do fluxo de gases com mínimas perdas e uma resposta mais espontânea.

E que espontaneidade! Em nosso curto trecho de test drive, constatei que os engenheiros querem que o turbo lag seja coisa do passado. A entrega da potência é praticamente imediata. Além do trabalho no motor, o RS7 performance tem um chassi pensado pra lidar com esforços longitudinais e transversais separadamente. A suspensão RS plus conta com o Dynamic Ride Control (DRC), com molas de aço e amortecedores ajustáveis em três níveis, ligados uns aos outros por meio de linhas hidráulicas e uma válvula central.

O sistema de direção ajusta a relação de esterço das rodas de acordo com a velocidade do carro e os freios... ah, os freios. Discos imensos feitos de cerâmica de fibras de carbono dão conta de parar o esportivo e, por serem mais leves, ainda eliminaram 10 quilos do sistema.

Discreto, mas memorável

O A7 é bonito, o S7 é muito bonito, o RS7 é lindo e a versão performance é ridiculamente atraente. Ele vem equipado com rodas aro 21 com desenho exclusivo, possui para-choques esportivos com largas entradas de ar à frente, grade em estilo colméia na cor preta e um belo difusor na traseira. A traseira com um leve caimento é, na minha opinião, a parte mais bonita do carro. Nela, há um aerofólio que é acionado automaticamente a 120 km/h.

No mais, há algumas peças com acabamento em titânio fosco e, para fechar, uma pintura impecável. Discreta, a versão testada estava coberta com a cor “Preto Pantera”, com partículas brilhantes que fazem o carro mudar a tonalidade da cor conforme a luz. Nem precisava disso tudo, Audi.

O interior é absolutamente refinado e a lista de equipamentos é vasta. De série, ele traz sistema de som Bang & Olufsen, bancos dianteiros em couro valcona com aquecimento, head-up display, ar condicionado de quatro zonas, acabamento interno em carbono, recepção de tv e central multimídia MMI navigation plus com monitor retrátil, entre outros itens.

A Audi está oferecendo para o Brasil um pacote chamado de Design RS vendido a R$ 12 mil. Ele adiciona bancos em couro alcântara com costura azul, além de apoio de braços, console e tapete pretos, tudo com costura azul.

Enfim, e se você quer um esportivo de verdade mas não quer se espremer nos cupês, saiba que o RS7 performance tem espaço para cinco ocupantes com conforto, possui isofix para prender a cadeirinha do bebê e tem capacidade para carregar 535 litros no porta-malas (com a segunda-fileira de bancos rebatida, a capacidade sobe para 1.390 litros). Caso você precise justificar em casa por que irá gastar R$ 730 mil em um carro, esses atributos podem ajudar. Fica a dica!