MINI Clubman aposta no espaço para ser o carro

Versão tamanho família chega ao Brasil em dezembro por R$179.950

WM1 / Novembro 2015
Arquivo

Os carros estão crescendo em dimensões conforme suas gerações evoluem. Um exemplo cássico é comparar o Porsche 911 de 1963 com o que é vendido hoje, em 2015. O modelo é o mesmo, já o tamanho... O movimento é comum à diversas montadoras, inclusive à MINI, que sempre se orgulhou de seus compactos e ardidos carrinhos. A marca acaba de trazer ao Brasil o novo MINI Cooper S Clubman que, – me perdoem a frase contraditória – é o maior MINI já produzido na história da marca (pelo menos até o novo Countryman dar as caras no mercado). Ele chega às lojas no mês de dezembro por R$ 179.950.  

Na apresentação do carro, a montadora se gabou do espaço interno, que faz dele o modelo mais versátil da linha. Até 2014, ele dividia a plataforma com o Cooper hatch, mas isso não era mais suficiente uma vez que o objetivo é ganhar o consumidor que quer fazer a família caber dentro de um carro da marca. Agora, a nova geração do Clubman compartilha plataforma com o BMW Série 2 Active Tourer, é apelidado de compacto médio e tem como rivais modelos como o Audi A3 Sedan, BMW X1, Mercedes-Benz CLA e até a Evoque, da Land Rover.

Já que seu principal destaque é o espaço, comecemos por ele. O novo Clubman mede 4,25 metros de comprimento, 1,8 m de largura e possui bons 2,67 m de distância entre-eixos. Comparado à geração anterior, o modelo está 27 centímetros mais longo, 9 cm mais largo e com 10 cm a mais entre os eixos. Outro destaque é que o Clubman agora possui quatro portas,uma configuração muito mais familiar. Portas, aliás, não faltam. Você pode somar também as duas do porta-malas, marca registrada do modelo e que permanece na nova geração. Falando nelas, a traseira do Clubman é bem peculiar. As lanternas, inclusive, enganam já que mesmo sendo bem grandes não trazem as luzes de freio. Essas ficam no para-choque, onde você pensa ser as luzes de neblina. 

Cinco ocupantes viajam com conforto no modelo. O espaço para os ocupantes do banco de trás é bom e, segundo a marca, apenas 1 mm menor do que é oferecido no Volkswagen Golf, ou seja, nada. A sensação de aperto pode ficar por conta do teto baixo, das colunas anabolizadas, e sobretudo, pelo forro todo preto. A divisão brasileira da marca adianta que pensa em adicionar revestimento de teto mais claro para futuras versões, para dar mais amplitude ao interior. Todavia, o teto panorâmico ajuda. Um amplo vidro cobre os assentos traseiros e na dianteira há uma abertura retrátil.

O porta-malas cresceu em 82 litros, agora com 360 litros, ou 10 l a mais que o hatch 5 portas. Com os bancos traseiros rebatidos, esse volume alcança os 1.250 l.

Gadget com rodas

De maneira geral, sempre comparei os novos MINI a um gadget. As luzes coloridas internas, configuração de painel com aquele enorme circulo central, os botões, infinitas possibilidades de combinações de cores e customização. O Clubman aparenta ser mais conservador, mas ele não fugiu ao DNA jovial da marca.

Há uma nova antena no teto com uma luz vermelha que, ao ligar o carro acende e apaga simulando os batimentos de um coração. (Oi?) Alguns podem achar inútil, mas é uma maneira de fazer uma graça, assim como a iluminação interna em diversos tons de cor. Se você quer impressionar, com o Clubman é fácil, mas escolha o período noturno onde as luzes ficam mais evidentes. Além de escolher o “clima” da cabine, o logo da marca é projetado no chão próximo aos retrovisores quando você aciona a abertura do carro.

Está carregando malas e precisa abrir o porta-malas? Com a chave no bolso, basta passar o pé embaixo do carro que uma delas se abre, se passar o pé novamente, a outra se abre automaticamente também. Uma dica: fique atento ao fazer isso, pois se houver algum obstáculo sua porta corre o risco de ganhar um belo amassado – não há sensores.

O interior é muito refinado. Pela primeira vez em um MINI os bancos dianteiros contam com ajustes elétricos e memória. Mais uma novidade é o freio de estacionamento elétrico, que além de economizar espaço no console central, funciona como um freio de emergência - onde sistemas a tambor (além dos discos) entram em ação nas rodas traseiras.

A tela central de 8,8 polegadas oferece navegador, controles do telefone e sistema infotainment. Há ainda um HD interno de 20 gb e o MINI Connected permite o uso de uma infinidade de aplicativos. Um deles é o MINI XL Journey Mate, que reconhece a rota preferida do usuário, combina viagens aos compromissos do calendário, calcula se há conbustível no tanque suficiente para determinada viagem e até te ajuda a encontrar o carro no estacionamento.

Não subestime a inteligência deste pequeno grande MINI. Em conjunto com o GPS, funciona um gerenciamento de potência preditivo. O que isso quer dizer? Pela rota determinada pelo motorista, o carro prevê uma subida de serra, por exemplo, e prioriza o torque.

Para concluir o tópico, as principais informações são projetadas no campo de visão do motorista por um head-up display. Se você não está satisfeito, o único opcional é o pacote que adiciona Park Assist, câmera de ré e sensor de estacionamento dianteiro, por R$ 4 mil a mais.

Para o Geek que curte performance

Por enquanto, oferecido apenas na configuração S, o Clubman é equipado com um motor 2.0 TwinTurbo – não confunda com biturbo, pois ele possui uma única turbina – de 192 cv de potência e gera 28,55 kgf.m de torque que chega com tudo já aos 1.250 rpm. O Clubman foi o primeiro carro da linha a receber a nova transmissão de oito velocidades, que caiu muito bem ao modelo. Com trocas rápidas e suaves, podemos comparar o desempenho deste câmbio à modelos com sistema de dupla embreagem. A potência aliada ao peso de 1.390 kg garantem uma ótima relação peso/potência de 7,2 kg/cv.

Os carros da MINI tem fama de “duros”. Sim, a suspensão é mais rígida justamente para agradar aqueles que priorizam o desempenho, mas nem tudo está perdido para quem quer levar o filho à escola ou passear com a família. A suspensão é adaptativa e há três modos de condução (Green, MID e Sport). O primeiro prioriza a economia de combustível, deixa a rotação do motor mais branda, mas mantém o acerto de suspensão do MID, que são padrões normais. Mesmo nesta configuração, o Clubman reclama ao passar por qualquer buraquinho, ainda mais por conta do conjunto de rodas aro 18. Agora, depois de deixar o filho na escola, injete alguma endorfina no seu dia optando pelo modo Sport, onde a rotação cresce, a suspensão e direção enrijecem e você aproveita o melhor da sensação “go-kart feeling”. Dica: vá por ruas de asfalto liso.

Mais uma opção para quem tem R$ 200 mil na conta

É nítido que a MINI quer agradar um novo perfil de consumidor, aquele que sonha em ter um MINI, mas que precisa de mais versatilidade e espaço. A impressão que tivemos foi que a MINI ainda está indentificando este perfil, de um consumidor mais maduro. Conforme a demanda, novas versões podem chegar ao mercado brasileiro no ano que vem. Lógico, a preços bem longe de ser "mini". 

Sempre preferiu carrinhos a bonecas. Seu primeiro brinquedo motorizado foi um Jeep Willys 1951, que dirige até hoje. É realizada escrevendo sobre veículos, seja ele qual for. Acorda cedo para assistir ao MotoGP.

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