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Jeep Compass Longitude Flex

Conheça o motor flex que estreia no Jeep Compass

Feito no México, o 2.0 Tigershark foi adaptado para beber também etanol e rende 166 cv e 20,5 kgfm

WM1 / 21/10/2016 às 11:45

Se você está de olho no Jeep Compass, vulgo “Baby Gran”, e não tem os R$ 132.990 para comprar a versão a diesel –ou prefere motores flex-, sugiro que leia este texto. Já conhecemos e te contamos como anda o Compass equipado com o 2.0 Multijet Diesel, já conhecido do Jeep Renegade e da Fiat Toro. Mas estávamos doidos para conhecer a versão equipada com o motor 2.0 Tigershark, que começou a ser produzido pela FCA em 2013 para o mercado norte-americano (a gasolina) e agora foi adaptado para rodar também com etanol. É este motor que mora sob o capô da versão de entrada do Compass, Sport, vendida a R$ 99.990. Enfim, chegou o dia. 

Além da versão inicial, o motor equipa também as versões Longitude e Limited, vendidas a R$ 106.990 e R$ 124.990, respectivamente. Todas as configurações com motor flexível têm tração dianteira e transmissão automática Aisin de 6 marchas. Como é de praxe, a Jeep também oferece uma edição de lançamento, limitada a 500 unidades, que acrescenta alguns itens e sai por R$ 109.490.

O motor

Não se intimide pelo nome de predador das profundezas, Tigershark (tubarão-tigre) é apenas o nome comercial deste quatro cilindros internacional da FCA. Predadora mesmo é a Jeep, que não está para brincadeira e quer ter uma gama extensa e agressiva para abocanhar a concorrência. Por isso, este propulsor inédito no Brasil foi modificado pela divisão da América Latina do grupo para se tornar bicombustível. Não faria sentido algum equipar o Compass com o 1.8 do Renegade, que deixa a desejar no desempenho.

Com duplo comando de válvulas e bloco e cabeçote em alumínio, o novo motor desenvolve 166 cv de potência a 6.200 rpm e 20,5 kgfm de torque a 4.000 rpm com etanol (159 cv e 19,9 kgfm com gasolina). O câmbio é automático de 6 marchas com comandos sequenciais pela alavanca – a partir da versão Longitude existem aletas atrás do volante. 

Mão na graxa

Foram feitas 20 importantes mudanças para que o Tigershark pudesse rodar com etanol. Dentre elas, a taxa de compressão, que era de 10,2:1, foi aumentada para 11,8:1. Já o duplo variador de fase (que serve para adiantar ou atrasar a abertura das válvulas ao rotacionar o eixo comando) trabalha com 60° em relação ao ângulo do virabrequim e ajuda a economizar combustível, pois reduz as perdas de bombeamento quando você não está com o pé fincado no acelerador– que é a maior parte do tempo. 

E se você quer sujar um pouco mais a mão de graxa, saiba que essa economia acontece por causa da expansão total proporcionada pela abertura atrasada das válvulas de escape, pela recirculação interna dos gases do motor, já que as válvulas de escape estão fechando também com atraso e também pelo fechamento atrasado das válvulas de aspiração (característica do ciclo Miller). Na prática, o que você precisa saber é que o consumo com gasolina chega a 8,1 km/l na cidade e 10,5 km/l na estrada e com etanol os números são 7,2 km/l em ciclo rodoviário e 5,5 km/l na cidade. E se os números nem impressionam tanto assim, imaginem se não houvesse esse trabalho todo de engenharia para tornar o motor mais eficiente...

Com o tanque cheio de etanol, você pode dar a partida tranquilamente, mesmo que o termômetro esteja marcando -5°C, por conta do sistema HCSS, que aquece o combustível com resistências elétricas.

No mais, a Jeep também se dedicou a deixar o motor bem quietinho. Isso mesmo, para baixar níveis de ruído, vibração e aspereza eles reduziram muito as folgas das peças e optaram por um sistema de acionamento dos comandos de válvulas chamado de Silent Chain, que é uma corrente com dentes invertidos que minimizam o ruído, encaixando-se nos dentes das engrenagens. Sem dúvida, o silêncio a bordo e a suavidade deste motor são muito evidentes para quem anda no carro. 

Testamos o “mais em conta”

Nosso trecho de test drive não foi tão extenso, mas a grande quantidade de radares de 80 km/h e ausencia de curvas, subidas e descidas, não proporcionaram um teste daqueles em que a gente testa mesmo o desempenho do carro. Não se preocupe, faremos isso em breve. Felizmente, escolhi a versão mais em conta, Sport, que não é a que a Jeep espera vender mais, mas que é a que faz brilhar os olhos de muita gente pelo preço.

Comecemos pelo motor, que me surpreendeu positivamente pela suavidade e fôlego nas poucas situações em que pude exigir um pouco mais dele. A distribuição de torque é um ponto que chama atenção, já que começa desde as baixas rotações -86% de força total está disponível a partir dos 2 mil giros. Na versão testada, o Compass pesa 1.572 kg e nem de longe senti aquela falta de potência que me recordo do teste do Renegade 1.8 flex. O 0 a 100 km/h é feito em 10,6 segundos e a velocidade máxima no álcool é de 192 km/h.

A partida não é por botão, como nas outras versões e sim na chave, mas isso não chega a ser um problema. O freio de estacionamento é elétrico e o interior impressiona pelo bom acabamento e espaço disponível para os cinco ocupantes, além de 15 interessantes porta trecos. Na segurança ele também surpreende. De série, esta versão traz isofix, airbag duplo, cinto de três pontos, apoio de cabeça central e uma sopa de letrinhas que irei traduzir aqui:

ESC – Controle eletrônico de estabilidade
HSA – Assistente de partida em rampas
EBP – Pré preenchimento eletrônico dos freios
PBA – Assistente de frenagem de pânico 
ERM – Sistema eletrônico anticapotamento
DST – Torque dinâmico de esterço

Em suma, boa parte dessa eletrônica atua para manter o carro na trajetória e te livrar de sustos. O DST, por exemplo, atua em situação de perda de aderência, por exemplo, de forma a induzir o motorista a esterçar o volante para o lado correto, enrijecendo o lado “errado” e aliviando o lado correto.  

A direção, aliás é elétrica e progressiva, mas essa progressividade não é tão perceptível já que em altas velocidades a direção permanece levinha. 

A suspensão independente nas quatro rodas (McPherson da dianteira e na traseira) é confortável e firme na medida. Para o Compass, os engenheiros priorizaram a redução de peso do conjunto com a utilização de aços de alta resistência e amortecedores com uma válvula interna que permite uma passagem variável do óleo. Ou seja, em pisos mais irregulares o sistema deixa passar mais óleo a fim de uma rodagem mais macia. 

Mesmo na versão de entrada, o Compass oferece diversos itens de comodidade como câmera de ré, sensor de estacionamento, limitador de velocidade e um alerta que avisa que você ultrapassou a velocidade estipulada. O fechamento dos vidros é one touch para 4 portas e o porta malas com capacidade para 410 litros tem assoalho com revestimento duplo, de um lado é carpete e de outro é de material impermeável.

Mais itens interessantes que você precisa saber que vêm de série são: rodas de liga aro 17”, faróis e lanternas traseiras com assinatura em LED, piloto automático, sistema de navegação, câmera traseira com linhas dinâmicas e monitoramento de pressão nos pneus. Por isso, repito que o Compass já vem muito bem servido desde a primeira versão. 

Preços do Jeep Compass 2.0 Flex 4x2 AT6 2017

Sport

R$ 99.990

Longitude

R$ 106.990

Limited

R$ 124.990

E se você tiver disposto a investir mais no modelo, as versões Limites e trailhawk , além de incluirem uma vasta lista de equipamentos oferecem o pacote opcional High Tech (vendido por R$ 9 mil para a versão Limited flex e R$ 13 mil para a Trailhawk a diesel) e incluem itens avançados como controle de velocidade adaptativo (ACC), aviso e prevenção de colisão frontal (FCWp), alerta de mudança de faixa (LDW), farol alto automático (AHB), detector de pontos cegos (BSD), Park Assist e até sete airbags. 

Embora ele não tenha o mesmo apelo do carismático Renegade, o Compass parece ter caído nas graças do público. Não há dúvidas de que o visual melhorou muito e é fato que ele é uma opção para os próprios clientes da Jeep, que possuem o Renegade e querem uma opção mais espaçosa para a família, sem perder o DNA aventureiro. A concorrência que se cuide.