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Renault Captur Zen 1.6

Carta fora do baralho, Captur manual vai bem

Versão de entrada Zen (R$ 78.900) do SUV compacto da Renault poderia ter um acabamento melhor; espaço interno agrada

WM1 / 15/02/2017 às 23:30

Bom, mas ‘carta fora do baralho’. Não encontrei outra maneira para resumir a versão de entrada Zen do Renault Captur, que chega às concessionárias com preço inicial de R$ 78.900. Em linhas gerais, como automóvel, o utilitário esportivo compacto da marca francesa agrada – e até surpreende –, mas, mercadologicamente falando, esta configuração representará volumes baixíssimos de vendas. O motivo? Simples: ser oferecida com transmissão manual.

Nesta quarta-feira (15), durante o primeiro teste com o Captur pelas ruas de São Paulo, a sensação de era estar dirigindo uma 'mosca branca'. Algo que será difícil de encontrar nas concessionárias e praticamente impossível ver nas ruas, pois o comprador deste segmento – o que mais cresce nos últimos dois anos – não abre mão da transmissão automática.

Para se ter uma ideia, das 520 ofertas de Honda HR-V na Webmotors entre novos e usados, apenas 23 (ou 4,42%) são de configurações manuais. No caso do Jeep Renegade, dos 1.437 anúncios, somente 197 (ou 13,7%) são de caixa mecânica. Já Nissan Kicks e Chevrolet Tracker, por exemplo, são vendidos apenas com câmbio automático.

E a Renault sabe disso. Tanto que reconhece que a versão topo de linha Intense com motor 2.0 e transmissão automática de quatro marchas (R$ 88.490) será a mais comercializada inicialmente, e também já prepara uma opção com caixa CVT (continuamente variável) para o motor 1.6, que chega dentro de três meses.

Independente, no entanto, se vai ser ou não um sucesso de vendas – e eu acho que não será –, a versão Zen manual deixou boa impressão. O motor 1.6 16V (120 cv) da nova família SCe tem vigor suficiente para empurrar os 1.273 kg do Captur. Não especificamente por conta do torque de 16,2 kgf.m a 4.000 rpm, mas pelo escalonamento do câmbio manual de cinco velocidades. Com uma relação curta, 1ª, 2ª e 3ª marchas proporcionam agilidade acima do imaginado nas saídas e retomadas em baixas e médias velocidades. Não chega a empolgar, mas também não decepciona e muito menos te deixará na mão em uma subida mais íngreme, por exemplo.

Na rodovia, a desenvoltura do Captur poderia ser melhor. Em 5ª marcha a 120 km/h, o conta-giros marca 3.100 rotações. Não chega a incomodar, mas se a caixa tivesse uma 6ª como Overdrive, a rotação poderia cair um pouco mais, melhorando especialmente o nível de consumo de combustível. Aproveitando, de acordo com a Renault, o Captur Zen faz 7,6 km/l (etanol) e 10,9 km/l (gasolina) na cidade, e 8,0 km/l (etanol) e 11,3 km/l (gasolina) na rodovia. Números apenas ok...

Retrabalhado completamente para o mercado brasileiro, o acerto da suspensão agradou, absorvendo com suavidade as imperfeições do solo e evitando batidas secas em algumas ‘crateras’ que caímos. O ‘porém’ fica para a inclinação da carroceria em curvas mais acentuadas. Um pouco mais de firmeza poderia agregar um prazer extra à condução do Captur.

A direção eletro-hidráulica entrega conforto à condução. É direta e 'pesada' na medida certa. Os controles de tração e estabilidade são de série, assim como o auxiliar de partida em rampa e os freios ABS com EBD. Aliás, ISOFIX para fixação da cadeirinha de criança, quatro airbags (frontais e laterais), encosto de cabeça e cinto de segurança de três pontos para todos os ocupantes do banco traseiro são de série desde a versão de entrada. Ponto para a Renault.

Sedutor

O Captur tem um design que agrada. Chega a ser belíssimo se comparado com o irmão Duster. A dianteira tem as linhas dos novos modelos da marca francesa, a lateral linha de cintura alta – o que agrega imponência ao modelo – e a traseira trabalha com lanternas pequenas e discretas. Tudo sem exageros. O Renault consegue ter personalidade em meio à enxurrada e de SUVs compactos que chegam ao mercado brasileiro. Aliás, acredito que design será um dos pontos que mais atrairá consumidores às concessionárias para conhecê-lo.

O interior vai do 8 ao 80 em segundos. O ponto positivo é o espaço interno. Com 4,32 metros de comprimento – é o maior da categoria –, o Captur tem 2,67 metros de distância entre os eixos. Tal número garante muita comodidade para joelhos e cabeças de grandalhões que viajam no banco traseiro. O porta-malas também é o maior entre os concorrentes juntamente com o HR-V: 437 litros.

A posição para dirigir é elevada. O banco do motorista tem ajuste de altura, assim como a coluna de direção que, infelizmente, fica devendo a regulagem de profundidade. Por conta disso, ‘vestir’ o Captur não é um exercício rápido. O volante tem excelente empunhadura – é o mesmo do Sandero R.S..

O ponto negativo fica para o acabamento simples. O Renault utiliza plásticos duros por todos os lados, se dando ao ‘luxo’ de aplicar um tecido em uma curta área do painel das portas. A manopla do câmbio e os botões do ar-condicionado, que não é automático (somente na versão Intense), lembram a de veículos mais antigos da marca. Mais detalhes em cromado e especialmente a utilização de materiais emborrachados, por exemplo, poderiam agregar mais requinte ao Captur. Os bancos são revestidos em tecido e não há opção de couro, como para a configuração Intense.

E apesar da simplicidade dos materiais, a Renault conseguiu trabalhar muito bem o isolamento acústico. O barulho do motor pouco invade a cabine, não atrapalhando o bate-papo entre os ocupantes.

Conectividade

A central multimídia Media NAV é opcional na Zen em um pacote que traz ainda câmera de ré, pelo valor de R$ 1.990. O valor é competitivo, o problema é o nível de conectividade do sistema, que não é compatível com Android Auto ou Apple CarPlay. O Media NAV é ideal para Logan, Sandero e até Duster. Para o Captur, eu esperava algo a mais. Vamos ver o Koleos.

Conclusão

Como disse no primeiro parágrafo, o Renault Captur Zen tem vários pontos positivos, mas os negativos pontuais acabam saltando aos olhos do consumidor deste tipo de veículo: acabamento simples e, principalmente, transmissão manual. O fato é que a versão 1.6 com câmbio automático CVT (continuamente variável), que chega em três meses, de acordo com a fabricante, se apresenta, na minha opinião, como uma boa opção – especialmente se vier custando até R$ 83 mil. Talvez até melhor que a configuração Intense 2.0 e sua caixa automática de apenas quatro velocidades. Eu, se fosse você interessado no Captur, esperaria até maio.

Jogador de futebol frustrado, resolveu ser jornalista para escrever sobre tudo que tivesse motor, fizesse (muito ou pouco) barulho e fosse possível de pilotar. Aficionado por superesportivos e clássicos, pensa agora acelerar também sobre duas rodas...

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