“Vamos ter saudades de 2015”, diz presidente da Kia

José Luiz Gandini prevê vendas de apenas dois milhões de carros no ano que vem

WM1 / Dezembro 2015
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Luiz Moan, presidente da Anfavea, passou o ano (ou boa parte dele) otimista, apontando como causa das baixas vendas a crise de confiança. De fato, dados importantes mostram que não há exatamente uma falta de dinheiro generalizada no mercado, mas sim o medo de investir dos consumidores com menor poder aquisitivo, já que os endinheirados gastaram à vontade no ano passado.

O caso das 200 mil cotas de consórcio já sorteadas e ainda não revertidas em compras mostra com clareza que o País vive uma crise de confiança: mesmo com o crédito na mão, o consorciado adiou a compra.

Outra parte de consumidores investiu no carro usado, fazendo do segmento dos seminovos um sucesso de vendas em 2015, com crescimento de 34%.

Os compradores de carros de luxo, por sua vez, não viveram essa tal de crise. Audi e Mercedes-Benz cresceram mais de 30%. Subaru, Troller, Smart, Lexus e Jaguar também tiveram aumentos expressivos.

Diante dos atenuantes de que a crise, portanto, não é tão avassaladora, a maioria dos dirigentes e analistas avalia que a situação deve melhorar em 2016, continuando em baixa no primeiro semestre, mas iniciando uma retomada no segundo, de forma a encerrar o ano em plena retomada.

Mas pelo menos uma voz não faz coro com essa maioria. José Luiz Gandini, da Kia, acha que a situação não apenas não vai melhorar, mas, segundo ele, 2016 deverá ser pior que 2015.

“Vamos ter saudades de 2015”, profetizou o empresário, ao fazer o balanço da sua empresa e do setor automobilístico, nessa semana, mesmo anunciando importação de carros da nova fábrica da Kia no México, portanto sem o pagamento do Imposto de Importação, o que vai melhorar a competitividade dos produtos da marca no Brasil.

Gandini faz ainda gestões junto ao governo federal para aumentar a cota de 4,8 mil carros importados sem o IPI extra, alegando que a Kia é a única empresa que está sendo prejudicada com a medida.

Nem essas melhorias fazem o empresário arriscar um palpite positivo.

Ele acha que o volume de vendas, que em 2015 deverá chegar a 2.450 mil unidades, não passa de dois milhões em 2016.

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