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Qualidade do ensino pode melhorar o trânsito em SP

Entenda como a melhora na educação pública pode otimizar o trânsito paulistano

WM1 / 20/01/2016 às 14:15atualizado 10/07/2016 às 14:46
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O Brasil desperdiça no trânsito R$ 300 bilhões por ano, ou 7,30% do PIB em tempo que poderiam ser convertidos em horas de trabalho. Na média, o trabalhador perde 82 minutos por dia no trânsito (dados das nove principais regiões metropolitanas do Brasil).

Mais do que nunca, a sociedade discute a questão da mobilidade urbana com o objetivo de encontrar soluções para minimizar o problema. Muitas alternativas estão sendo discutidas, como a redução da velocidade máxima, como a implementada em São Paulo, que já provocou o aumento de velocidade média.

A conectividade é outra ferramenta importante para uma mobilidade mais amigável. Segundo o engenheiro Raul Colcher, do Instituto de Engenheiros Elétricos e Eletrônicos, a conectividade traz soluções que resolvem ou minimizam problemas urbanos, fornece informações no celular que ajudam no deslocamento, conecta o Waze, onde os usuários trocam informações sobre o trânsito e reduz o tempo das viagens.

Os sistemas de transportes inteligentes permitem um grande número de aplicações e os carros autônomos estão chegando para reduzir distâncias, economizar combustível e reduzir emissões, além de garantir total segurança e conforto ao usuário.

O transporte coletivo é, talvez, a maior garantia de um futuro menos trágico no trânsito urbano. Cidades como Nova York já provaram que a abundante oferta de transporte coletivo e a mobilidade, estimulam o motorista a deixar o carro e casa, usando-o de forma mais parcimoniosa, em ocasiões especiais, utilizando o transporte público no dia a dia, que é mais rápido, mais barato e mais eficiente.

Como você vê, as alternativas para um trânsito mais amigável são muitas. A indústria e os gestores públicos investem muito dinheiro em novas tecnologias, oferecendo mais alternativas de mobilidade para o cidadão.

Mas antes de buscar soluções para amenizar o sofrimento nos deslocamentos urbanos, não seria o caso de discutir a NECESSIDADE desses deslocamentos? Não seria o caso de reduzir o número de deslocamentos?

Célia Maria, empregada doméstica, leva três horas para se deslocar de Itaquera, na Zona Leste, para o Ibirapuera. Um morador no bairro de Parelheiros que trabalha no centro de São Paulo tem que rodar 75 km por dia, perdendo tempo e dinheiro que poderia usufruir com sua família e amigos. A expulsão dos trabalhadores menos qualificados para a periferia gera esse problema.

O plano Diretor das cidades deve levar em conta essas questões, criar bairros populares e incentivar a instalação de empresas, com a criação de empregos nos bairros mais afastados, mantendo o trabalhador na sua própria região, e assim evitando deslocamentos longos e desnecessários.

Por incrível que possa parecer, uma decisão na área da educação poderia proporcionar uma redução extraordinária nos deslocamentos no dia a dia nos grandes centros urbanos. Observe que nas férias escolares o trânsito da cidade fica tranquilo, o que mostra que grande parte das viagens é destinada ao transporte de crianças, adolescentes e jovens para a escola.

Se no ensino universitário as opções nem sempre estão no bairro ou na região (às vezes estão até fora da cidade), no ensino primário e secundário, não há motivos (ou não deveria haver) para você atravessar a cidade para levar seu filho na escola.

Muita gente faz isso porque procura uma opção de melhor qualidade, mas se o ensino público tivesse um bom padrão, não haveria motivo para tanto deslocamento. Imagine a redução de gasto com combustíveis, emissão de poluentes e estresse?

Os números do CET revelam que o trânsito de São Paulo cairia pela metade, em determinados períodos do dia, se não houvesse deslocamentos para o transporte de estudantes. Segundo o órgão responsável pelo trânsito da cidade, o congestionamento no período da manhã caiu 50% durante as férias escolares. A média de quilômetros de congestionamento às 7 horas da manhã em 2015 foi de 47km. Nas férias escolares esse número caiu para 16km. No restante do dia as diferenças são menores, mas mesmo assim, no período de férias o trânsito é bem mais livre.

Veja no quadro e no gráfico a diferença de volume de congestionamento no período escolar e no período de férias:

  

07:00

07:30

08:00

08:30

09:00

09:30

10:00

Média 2015

47

65

79

88

93

91

82

Limite Inferior

31

45

60

68

75

75

65

Limite Superior

59

79

91

99

104

104

94

Férias Escolares 2014/2015

16

24

34

43

53

55

48

 

PICO MANHÃ

 

-50%

 

  

10:30

11:00

11:30

12:00

12:30

13:00

13:30

14:00

14:30

15:00

15:30

16:00

16:30

Média 2015

77

71

63

50

44

39

36

37

37

40

45

57

68

Limite Inferior

60

55

45

34

30

24

22

23

23

23

25

32

41

Limite Superior

88

83

74

61

55

48

43

45

46

50

56

73

87

Férias Escolares 2014/2015

43

37

33

27

26

25

23

22

23

25

27

34

40

 

ENTRE PICO

 

-42%

 

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