Aceleramos o Mercedes que revelou Senna ao mundo

Piloto brasileiro venceu corrida com uma 190 E 2.3-16 em Nurburgring em 1984

WM1 / 13/03/2015 às 11:30atualizado 10/07/2016 às 14:59
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O ano era 1984. Para a reinauguração do circuito de Nürburgring grandes pilotos foram convidados. O evento marcaria também o lançamento de um novo modelo da Mercedes-Benz: o 190 E 2.3-16, que já havia estabelecido um recorde mundial, rodando 50 mil quilômetros no circuito de Nardo.

Emerson Fittipaldi não pôde ir e mandou um novato em seu lugar. Seu nome era Ayrton Senna. Na época o jovem brasileiro corria pela pequena Toleman e ainda teria seu momento de brilho correndo na chuva.

E justamente choveu na prova. Senna não só dominou a corrida, dando um show de pilotagem, como também venceu, logo à frente de Niki Lauda. Como recompensa, além do prestígio, ganhou de presente da marca alemã um exemplar do novo sedã.

O modelo em questão é uma versão bastante especial. O motor de quatro cilindros em linha e 2,3 litros era enviado para a inglesa Cosworth para uma preparação própria, com o desenvolvimento de um cabeçote multiválvulas. Desse modo desenvolvia 185 cv a 6.200 rpm, com um torque de 24,4 kgfm.

O acabamento é outro ponto forte. Os bancos são da Recaro e os traseiros contam apenas com dois lugares, para ressaltar a esportividade. Além disso, o modelo traz a suspensão pneumática e auto-regulável, que mantém a altura mesmo com peso extra.

Reunir os dois exemplares não foi tarefa fácil, já que aproximadamente trinta unidades chegaram por aqui. Desses, menos de quinze ainda rodam hoje em dia. O preto é manual, com o clássico câmbio dog leg da Getrag e rodas monoblock com offset próprio para o modelo.

Já o prata traz a transmissão automática, chamada de 4G-Tronic, bastante ágil nos kickdowns. Vale ressaltar que foi a primeira vez que as duas versões (manual e automática) participaram de um comparativo, mundialmente falando. E olha que procurei bastante.

A história do 2.3-16 é bem interessante e ter um deles na garagem é motivo de orgulho para qualquer gearhead que se preze. Em 1988 ele deu lugar à versão 2.5-16, que se tornaria o bólido da DTM, bem como suas variações EVO 1 e EVO 2. Sem dúvida nenhuma, estrelas da marca alemã brilhando mais forte.

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Renato Bellote é jornalista automotivo em São Paulo, redator da Revista Driver e editor-chefe da Garagem do Bellote TV. Sua paixão por carros começou no dia em que saiu da maternidade a bordo de um Dodge Charger R/T

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